sexta-feira, 31 de dezembro de 2021

Escolástica Setembrina do Rêgo Baldaia

História de Garanhuns - Viúva de José Alves da Silva Tororó, meus bisavós, residia na antepenúltima casa do segundo quarteirão da Rua do Recife (Dr. José Mariano). Mãe de meu avô,  falecera em 11 de junho de 1925. O imóvel era pequeno -  uma porta e uma janela, com um batente, bem alto, na entrada. O velho Bimbe, todo santo dia, pela manhã e à noite, tinha por obrigação própria, fazer uma visita a sua estimada genitora, a quem procurava dar o conforto necessário. Nas  idas àquele lar, sempre levava consigo um de seus netos a fim de  ser abençoado pela bisavô. Ali, fui várias vezes. Ela já com cerca de 90 anos não tinha muita vivacidade. Numa cadeira de balanço nos recebia para o cumprimento do filho e do neto. Sempre dizia, "estou bem, com a graça de Deus".

Com 85 anos de idade ainda assinava o nome. Dela um documento particular em que assim se expressa: "Digo eu Escolástica Setembrina do Rêgo Baldaia, brasileira, viúva, abaixo assinado, que em 27 de agosto último, por uma escritura particular fiz uma doação no valor de quatrocentos mil réis de uma casa que possuía à Rua Padre Pedro nesta cidade a qual me houve por própria construção, cuja doação era em sinal de minha gratidão a... supondo que esta continuasse a me dispensar o mesmo tratamento e zelo e me agradecesse, devendo a doada tomar conta da dita casa quando ocorresse a minha morte; e como agora a doada referida... queria antecipar o seu direito, para isso revelou a maior ingratidão para comigo, e a ponto de querer expulsar-me da mesma casa como se já fosse sua a posse, acompanhando o seu ato com injúrias, doestes e grosserias a mim dirigidas. Nessas condições tenho resolvido de acordo com o artigo 1.183 da Lei 307 de 1º de janeiro de 1906, seção II, revogar como revogada fica a mesma doação para que a casa doada volte ao meu poder, domínio e posse ficando a doação referida de nenhum efeito para todos os fins. Além de que  não tenho outros bens, nulo era o seu ato por dispor somente da referida casa. Assim revogo a doação e mando passar esta em que me assino com as testemunhas abaixo a tudo presentes. Garanhuns, 8 de setembro de 1920. (Assinaturas) Escolástica Setembrina do Rêgo Baldaia. Testemunhas: (assinaturas) Mariano A. Gomes e Eugênio Vila Nova. Firmas reconhecidas por Luís de Barros Correia Brasil registrado no  cartório competente.

*Alberto da Silva Rêgo / Escritor e jornalista / Os Aldeões de Garanhuns / 1987.

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