sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

A economia de Garanhuns em 1951


A cidade de Garanhuns tem de latitude 8º 50' 42'' S. e de Longitude 36º 44' 24'' W. de Greenwich (pelo meridiano) e 2h 26m 07s (pelo fuso horário), ficando situada a 235 quilômetros do Recife, pela estrada de rodagem tronco central (rodovia Agamenon Magalhães) e a 270 quilômetros, pela estrada de ferro da Rede Ferroviária do Nordeste, antiga  'Great Western of Brasil Railway Company". Está a 6° 46' W. do meridiano do Rio de Janeiro.

A altitude média do centro da cidade, na Praça Santo Antônio (na calçada da Catedral) é de 825 metros. Existem pontos como o do Hotel Monte Sinai que fica a 950 metros e o do Alto do Magano, na pedra fundamental do mirante, que atinge a 1.025 metros, sendo o segundo ponto dominante do Estado, desde que o primeiro fica localizado na Serra da Baixa Verde, em Triunfo, ostentando  a cota de 1.060 metros.

O planalto de Garanhuns, notável pelo seu clima ameno (média máxima de 23° e média mínima de 19º C., dando uma temperatura média secular de 21º C., com uma variação máxima de 4º), fresco e salubre, apresenta as seguintes variações: seco no período de Outubro a Março, e frio de Abril a Setembro.

Na época das secas, o maximum maximorum da temperatura é de 32º,8, e  no rigor do inverno, o minimum minimorum atinge a 9º,2, dando, ainda, uma média dos extremos de 21'º C.

O grau higrométrico tem uma média de 70% no verão, e de 90%, no inverno. O climograma estudado pelo Dr. J. M. da Silva Coutinho o confirma: Temperatura máxima de 24º,5 C. e mínima de 20º,5 no mês de Janeiro; e máxima de 20º9 C. e mínima de 17º,8 C., no mês de Junho, com a média anual de 20º,9 C., sendo 22º,5 C., no verão, e 19º,3 C., no inverno.

O Engenheiro Dombre, nas suas 'Viagens ao Interior de Pernambuco', em 1874, durante 24 horas seguidas registrou as  seguintes variações de temperatura de Garanhuns, nos dias 23  e 24 de Dezembro de 1874:

Dombre anotou que o estado do céu se conservara sem nuvens e com uma brisa leve. A pressão atmosférica registrada nos seus dois barômetros se manteve constante e igual a 690 mm. ('Viagens ao Interior da Província de Pernambuco', pg. 21/22, Ed. de 1893, Recife).

O Município de Garanhuns confina ao Norte com o Município de São Bento do Una, pelo rio Canhoto; a Leste, com o Município de Angelim, pelo mesmo rio e Serra dos Bois, ao Sul, com o Município de Correntes, pelas serras do Capim Grosso, Bom Será e do Jacú, e com o do Bom Conselho, pelo riacho Seco; e ao Oeste, com o Município das Águas Belas, pela Serra do Mijo da Onça, e com o Município da Pedra, pela Serra do Tará.

Ele possui a superfície de 1.005 quilômetros quadrados, abrangendo os Distritos de São João, Brejão, Iguatauá, Iratama, Paranatama, Caetés, Miracica e Itacatú, contendo 7.361 propriedades agrícolas, entre engenhos, fazendas e sítios, fato que o torna o Município mais bem dividido do Estado de Pernambuco.

O Município possui uma população de 110.890 habitantes, sendo, depois de Caruaru o segundo em população do Estado. A cidade possui uma população de 20.718 habitantes, segundo o Recenseamento Geral de 1950.

A densidade de população por quilômetro quadrado é, pois de 110 habitantes, no Município, e na cidade, que possui uma área de quatro quilômetros quadrados, é de 5.000 almas, em número redondo.

A cidade possui dez mil prédios urbanos, sendo 5.760 residências o que dá 4 habitantes, em média, e em número redondo, para cada habitação.

Possui magníficos edifícios, como a Catedral, o Palácio do Bispo, o Palácio da Prefeitura, o Colégio Santa Sofia, O Colégio Diocesano, o Colégio 15 de Novembro, a Colônia de Férias do Pau Pombo, O Mosteiro de São Bento, o Seminário da Diocese, O Seminário Presbiteriano, o Grande Hotel Monte Sinai, o Grande Hotel Petrópolis, o Sanatório Tavares Correia, o Posto de Puericultura, o Hospital D. Moura, a Rádio Difusora ZYK 23, os Cinemas Jardim, Glória e El Dourado.

Apresenta, ainda, sobretudo no moderno bairro de Heliópolis, confortáveis e elegantes vivendas, construídas com muito gosto e arte.

A aspecto urbano é muito interessante, havendo ruas muito bem calçadas e praças bem ajardinadas. Quem atinge Garanhuns por via aérea goza uma perspectiva admirável, pela disposição da cidade no planalto. Pela via férrea, entretanto, a chegada não  é tão aprazível quanto a entrada pela rodovia tronco central de  quem procede do Recife.

Ao invés de se divisar, de antemão, palhoças e mucambos em ruas pobres e tortuosas, depara-se, antes, com uma larga e  longa artéria calçada e arborizada, legítimo "boulevard" - a Avenida Rui Barbosa, no bairro de Heliópolis, onde se situam, justamente, as mais belas casas residenciais, edificadas, em sua grande maioria, pelo Dr. José Maria Dourado (Pipe) que, pelo seu alto espírito de iniciativa e dinamismo invulgar, deu vida ao plano traçado pelo grande arquiteto urbanista garanhuense -  Ruber van der Linden, no governo do Cel. Euclides Dourado.

O aspecto é o melhor que se pode desejar em qualquer cidade do Brasil.

O comércio é bem regular e movimentado, com estabelecimentos de boa representação.

Ao longo da Avenida Santo Antônio, que é a mais central,  realizam-se duas feiras semanais: uma aos sábados, que é a maior de toda a zona do Agreste, depois de Caruaru, e outra às quartas-feiras, ambas muito concorridas.

O comércio do município é feito através de 510 estabelecimentos, a saber:

Tecidos e estivas  a varejo - 501

Estivas e grosso - 7

Tecidos em grosso - 2

Quanto a estabelecimentos bancários, funcionam na cidade uma Agência do Banco do Brasil, uma filial do Banco do Povo e outra do Banco Nacional, além do Banco Cooperativa de Garanhuns, e de uma agência da Caixa Econômica de Pernambuco.

Na cidade existem muitos hotéis e pensões, alguns bem regulares e confortáveis, estando em vias de conclusão o Hotel Monte Sinai que, uma vez concluído, será um dos mais amplos e luxuosos do interior do Brasil.

Existem vários pontos que atraem as visitas dos forasteiros e que são, frequentemente, visitados, tornando a cidade um centro de turismo que tende a se desenvolver com os melhoramentos que nela estão sendo introduzidas. São eles o Parque do Pau Pombo, delineado e caprichosamente construído pelo arquiteto Ruber van der Linden; e Parque Euclides Dourado que é um aprazibilíssimo logradouro público todo plantado de eucaliptos; o Monte Sinai, onde se está construindo o Grande Hotel e de onde se descortina um belo panorama, e o Alto do Magano, onde a Prefeitura pretende construir, em breve, um mirante, do qual se gozará magnifica perspectiva da cidade serrana.

Garanhuns possui, ainda, excelentes estabelecimentos de diversão. O Cine Teatro Jardim, que representa um arrojo da firma que o construiu e mantém, sendo o mais luxuoso e imponente do interior de Pernambuco, equivalendo aos de primeira  linha da capital, com capacidade para 1.500 pessoas, o Cine Glória, mais novo e de menor capacidade, artisticamente acabado, e o Eldorado, de bom aspecto e bem confortável, situado no bairro do Arraial.

Além disto, conta a cidade com diversas sociedades recreativas, como a Associação Garanhuense de Atletismo (AGA), o Esporte Clube de Garanhuns, o União Futebol Clube, a União Estudantil de Garanhuns (UEG), e o Grêmio Ruber van der Linden, que possuem excelentes sedes.

A indústria se apresenta, ainda escassa em Garanhuns, possuindo apenas, uma fábrica de ladrilhos hidráulicos, uma dos  afamados arados 'Paraguassú', uma de gasosa 'Serrana ', duas outras pequenas de sabão, uma Cerâmica 'Lindoia', inúmeras olarias, pequenas fábricas de artefatos de couro e de laticínios, enchimentos de aguardente, engenhos de rapaduras, grandes serrarias, estando no presente para instalar uma importante fábrica de óleo,  em substituição à 'Trajano de Medeiros' que aqui existiu.

Sendo Garanhuns o primeiro município produtor de café e algodão, possui uma grande usina beneficiadora de café, no Brejão, e três outras de algodão a saber: a SANBRA (com 4 máquinas), a Anderson Clayton (com 5 máquinas) e Manuel Pedro da Cunha (com 7 máquinas), perfazendo ao todo 16 máquinas beneficiadoras, situadas na cidade.

No tocante  à indústria, Garanhuns possui 87 fábricas que,  em 1951, ofereceram o seguinte quadro de produção:

Aguardente de Cana - 19.250 litros

Rapaduras - 190.000 quilos

Farinha de mandioca - 159.250

Polvilho de goma - 191.100 quilos

Ladrilhos de cimento - 2.788 metros quadrados

Algodão em pluma - 1.022.979 quilos

Caroço de algodão - 4.725.739 quilos

Fubá de milho - 56.950 quilos

Xerém de milho - 13.400 quilos

Vinhos de frutas e bebidas anexas - 91.672

A imprensa está representada pelas oficinas tipográficas, bem instaladas, de 'O Monitor', que já possui um maquinismo moderno, com uma impressora 'Heidelberg' e um linotipo 'Intertype', as primeiras montadas no interior de Pernambuco; de 'A Escolar', de o 'Norte Evangélico', do 'Garanhuns Diário', e da 'Revista do Rotary', da firma 'Almeida e Wanderley', com amplas fontes de tipos e de material para iluminuras.

Existem no município 210 estabelecimentos de ensino, incluídos neste número os que ministram o ensino secundário, todos localizados na cidade, e 193 escolas primárias.

A estimativa da população escolar, de acordo com os dados obtidos, oferece o seguinte quadro:

Curso primário - 7.000 alunos

Curso ginasial - 2.000 alunos

Curso colegial - 300 alunos

Curso técnico contábil - 500 alunos

Curso pedagógico - 100 alunos

Curso agrícola - 60 alunos

Corte, costura e bordado - 40 alunos

Total - 10.000 alunos

Dividido em 7.361 propriedades rurais, o município de Garanhuns é todo ele destinado à agricultura e à pecuária.

Conquanto as propriedades rurais de Garanhuns sejam destinadas, em quase sua totalidade, à agricultura, pratica-se, também, em várias delas, o criatório.

Os animais existentes, em 31 de dezembro de 1951, estão incluídos no seguinte quadro:

Bovinos - 12.000 cabeças

Equinos - 5.000 cabeças

Asinios - 800 cabeças

Muares - 1.020 cabeças

Suínos - 31.200 cabeças

Ovinos - 5.000 cabeças

Caprinos - 13.000 cabeças

Patos, marrecos e gansos - 10.000 cabeças

Perus - 21.000 cabeças

Galináceos - 51.000 cabeças

As possibilidades econômicas do município são amplas e animadoras, dada a sua grande extensão territorial com 7.361 propriedades rurais que oferecem, anualmente, produções apreciáveis dentro dos diversos ramos de atividades agrícolas.

Suas principais culturas são: café, algodão e mamona, sendo as secundárias as da cana de açúcar, batatinhas, cebolas, milho, feijão, fava, tomate, fumo, ervilhas, mandioca, agave, frutas e legumes em geral.

O cultivo, em elevado nível, do café, algodão, mamona e outros produtos agrícolas, o seu comércio e a sua indústria, assim como a criação de gado bovino, são realidades que contribuem para a riqueza da comuna, concorrendo valiosamente para a sua economia.

Pode-se dizer que a situação econômica de Garanhuns está enquadrada entre as melhores do interior pernambucano, do que prova o incremento das arrecadações obtidas, nos últimos anos, pelo Município, Estado e União.

A produção agrícola, em 1951, foi a seguinte:

Algodão - 351.930 arrobas

Café beneficiado - 352.000 arrobas

Mamona - 100.000 arrobas

Batatas - 2.298.300 quilos

Cana de açúcar - 2.350 toneladas

Cebolas - 5.250 arrobas

Ervilhas - 1.000 quilos

Feijão e fava - 34.440 sacos

Fumo em folha - 10.070 arrobas

Mandioca - 31.897 toneladas

Milho - 21.180 sacos

Tomates - 42.000 quilos

A fruticultura deu a seguinte produção:

Abacates - 26.400 centos

Laranjas - 127.600 centos

Bananas - 94.550 centos

Mangas - 124.200 centos

Cultivam-se também flores de diversas qualidades, a saber: Cravos, rosas, césseas, amores-perfeitos, gladiolus, etc. (Os dados estatísticos foram extraídos  do Diário de Pernambuco, de 25 de Maio de 1952.

Fonte: A Terra dos Garanhuns / Professor João de Deus de Oliveira Dias /Ano de 1954 / Foi mantida a grafia da época. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

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