quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

A história de uma caricatura antiga em Garanhuns

Francisco Sales Vila Nova*

Quando a primitiva Igreja da Invocação de Nossa Senhora da Conceição, que era edificada em frente ao atual prédio do Banco do Brasil, à rua Santo Antônio, antigamente era de praxe quando morria uma pessoa ser enterrada ao redor das igrejas, várias pessoas foram sepultadas ali.

Depois deixaram de enterrar os mortos naquele local, passando à servir de cemitério o terreno onde funcionava o bonito prédio com 10 portas na frente, onde funcionou também um bilhar e a casa filial da firma Dietiker & Cia.

Em 1891 a Igreja acima mencionada foi demolida e seus tijolos serviram para a construção do cemitério junto ao Parque Municipal, (atual Parque Euclides Dourado) foram arrancadas diversas ossadas humanas e transladadas para ali.

Em 1899 quando o senhor Manoel Simão dos Santos Figueira quis  se estabelecer, entrou em transação com o Sr. Antonio Maria de Figueiredo, para lhe comprar o sobrado que  naquele tempo em preto onde funcionou a Loja "Atrativa"  firma Arcelino  Matos & Cia Ltda.

O Sr. Figueiredo, arrependendo-se da venda combinada que  muito contrariou o Sr. Figueiredo  que  comprou o terreno devoluto e continuou o referido sobrado e antigo cemitério, e que naquele tempo estava cercado e onde aos sábados se guardavam os animais que traziam mercadorias para às feiras.

Sendo ali edificado o bonito prédio mais conhecido por causa de Santos da Figueira; quando se  cavava os alicerces e se aplanava o dito terreno, foram encontradas ossadas humanas.

Resultado, o Sr. Santos da Figueira tornou-se desafeto do Sr. Figueiredo (ambos portugueses) dando como resultado umas caricaturas do Sr. Figueiredo carregando às costas o sobrado, e outra do Sr. Figueiredo sobraçando ossadas e caveiras e que foram estampadas na "Lanterna Mágica" editada na capital do Estado e de propriedade do Sr. Távora.

Onde era situada a Estação Ferroviária (hoje Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti), foi antigamente um cemitério dos coléricos e quando na sua construção foram desenterradas muitas ossadas e caveiras. Onde é situado o atual Colégio Santa Sofia servia de cemitério até 1891 onde foram sepultadas centenas de cadáveres.

As antigas pontes do Açude e do Pau Pombo toda vida foram de servidão pública, onde a população apanhava água para beber, cozinhar, lavar, e as pessoas mais pobres vendiam nas casas de família uma lata de 20 litros por vinte reis e de que se mantinham.

O Cel. Pedro Ivo  adquiriu por compra o terreno onde era situada a nascente do Açude, cujo líquido tinha uma melhor sabor do que a do Pau Pombo, (depois propriedade de Thomaz Maia) entendeu ele de murar a referida fonte e não consentiu que a população apanhasse água que descia da fonte numa bica de madeira a despejar perto do açude, prendeu às águas e querendo vende-las.

A prefeitura de então interviu, resultando uma questão com o mesmo, cuja foi terminar no Congresso do Estado, que decidiu esta casa de legislação, que as fontes citadas eram de servidão pública, como se verificara nos seus anais, isto seguramente de trinta e a quarenta anos passados.

Infelizmente, o Conselho Municipal há anos atrás, julgando-se acima daquela corporação, fez presente das referidas Fontes a uma empresa particular que passou  a vender aquilo que a população tinha de graça e era uma dadiva da providência, custando cada lata 20 reis.  

Fonte: Almanaque de Garanhuns de 1937.

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