quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

A menina da praça


Marcílio Reinaux*

Uma das mais agradáveis festas das quais participei ultimamente foi  aquela da reinauguração da Praça João Pessoa, em Garanhuns. Ali em meio a uma seleta plateia de intelectuais, autoridades da Cidade e da Capital do Estado, marcaram  um encontro telúrico, onde a poesia saudosista e tocante de Waldimir Maia Leite falou mais alto. "A Menina da Praça", nunca foi somente de "Vadô" o autor da poesia "O RESSURGENTE", o poeta e escritor, figura exponencial da Casa de Carneiro Vilela, o garanhuense, Waldimir Maia Leite. A menina também foi minha, ou é minha ainda e foi e é de muita gente; muitas gerações de pessoas que transitaram, que viram ao longo dos anos a figurinha da pequena menina, no meio da praça, no meio do tanque, posta  tranquila e incólume com uma toalha no meio de um pedestal.

Testemunha impassível, a pequena escultura viu gerações de meninos e meninas brincarem ao seu redor, desde os idos de 1925, até os dias de hoje. tantos que por ali passaram; tantos que junto dela brincaram com piões, com "chimbres" (que os meninos de hoje chamam bola-de-gude); tantos brincaram com os "bardos" (que os de hoje chamam de papagaios e os empinam). Pois é, a menininha ali, viu tantos também para ela se chegarem e posarem para fotos, como eu  mesmo posei no meu aniversário de cinco anos (1939), em cálido de mês de abril, tendo a minha irmã mais velha Bety tirado a foto que ainda hoje guardo.

Bem pertinho da Praça João Pessoa, desemboca a Rua 13 de Maio. Ali no número 34 eu nasci e bem perto ficava a "Bomba-de-Gasolina" de  meu pai, Antônio Reinaux, que segundo eu soube pegou fogo, quase matando todo mundo. Já com dois ou três anos, contam, que a minha família foi morar também na Praça João Pessoa, no lado de cima (onde hoje funciona o Restaurante Napolitano). Os Maia Leite, no lado de baixo, nós os "Reinaux" no lado de cima. Por isso afirmo que a Menina da Praça não é só de Waldimir Maia Leite. É minha também. Ela foi testemunha da minha infância e da infância de muita gente que morou naquelas proximidades, ou que apenas gostava de brincar perto da menininha.

Agora ela está em um pedestal mais alto, embelezando pela arte de Francisco Brennand, por sua vez embelezada pelo poema de Waldimir Maia Leite, "O RESSURGENTE". Ele agora, o poeta a quem eu chamaria de "O príncipe dos Poetas Modernos de Garanhuns", fica mais  imortalizado ainda, pelas letras do seu poema, gravados na argila da arte de Brennand. Fazemos nossas, eu e todos os meninos do tempo de menino de Waldimir, as suas palavras do belo poema. E posso aqui falar em nome de sisudos homens de hoje, meninos de meio século atrás. E lembro: Rildo Souto Maior, os irmãos Dourado (Edson, Ernesto e Edelson), os Maia Leite (Ronildo e Vadô), os Vitalinos (Erasto, Jesisai e o mais novo Urbano), os Gomes (Polion e Beneon) e o amigo do "tope" deles Mozart Souto, Ângelo Gouveia, Saló (Salomão), os Moura (primos João e Waldemar), o Matos (Maurilo, Celso, José e Flávio), os Pinto (os filhos de Arnóbio e Anísio Pinto) e tantos e tantos outros.

Portanto, amigo Waldimir Maia Leite, A MENINA DA PRAÇA, não é só  sua. Suas são as palavras a ela dedicadas, que com a sua permissão fazemos nossas. Mas a MENINA DA PRAÇA  é nossa; é de todos, é de Garanhuns.

*Escritor, poeta, cronista e historiador / Recife, 03 de Novembro de 1984.

Fotos: (1) - Praça João Pessoa na década de 1940 (2) - Praça João Pessoa nos dias atuais - Créditos da foto: Blog do Marcos Cardoso.

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