sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

A trajetória iluminada de Ivo Tinô do Amaral


Tudo começou no dia 18 de agosto de 1963, quando Ivo Amaral foi convidado pelo então candidato à prefeito, Amílcar da Mota Valença,  e decidiu lançar-se candidato à vereador pelo PSD (Partido Social Democrático). No dia 19 de agosto de 1963, quando as urnas foram abertas, mostraram uma vitória brilhante de Amílcar da Mota Valença. O PSD fez três vereadores: Ivo Tinô do Amaral com 745 votos, foi o segundo mais votado no pleito geral. Garanhuns ganhava um político de grande visão administrativa. 

Todos os eleitos foram empossados para cumprir um mandado de 4 anos, mas por causa da revolução de 1964, todos os mandatos foram prorrogados até 31 de janeiro de 1968.

"Aos jovens, aqueles que querem ingressar na vida pública, devem ter consciência que o homem público é uma vitrine, ele tem que servir a população e não se servir da população, tem que ter paciência e abnegação pela causa pública". Ivo Tino do Amaral

MONS. ADELMAR DA MOTA VALENÇA FALA DE IVO AMARAL

Menino ainda, Ivo Amaral veio para Garanhuns. Matriculando-se no Colégio diocesano, foi aluno do seu numeroso internato, durante seis anos, de 1946 a 1952.

Impressionando pela sua delicadeza, conquistou, em pouco tempo, a amizade de todos os seus colegas e superiores. Seus modos muito se pareciam com modos cativantes do grande arcebispo, Dom João da Mata Amaral, seu tio, a quem, um dia, cheguei a dizer: "Este menino vai longe!" Não me enganei!

Funcionário da Secretaria da Agricultura, Vereador, Vice-Prefeito, Prefeito de Garanhuns, Deputado estadual, Ivo Amaral, nas alturas desses cargos, nunca mudou. Tinha méritos para ser Deputado Federal e Governador do Estado. Seu amor à Garanhuns levou-o porém, a trocar o mandato de Deputado pelo de Prefeito deste nosso Município. Trocou o menos pesado pelo mais pesado. Quem ama não sente o peso! E ele não sente o peso imenso desta carga que tem sobre os ombros. Nosso Camões, nos Lusíadas, em dois versos, assim resume: "Não sente, quem a leva, o doce peso, - De soberbo, com carga tão formosa!'

Durante a última campanha para a Prefeitura de Garanhuns, do silêncio do meu gabinete, ouvi, distante, a música e a propaganda da  sua candidatura. Mas ouvi, também, bem perto, estas palavras de uma mulher pobre que passava pelo meio da rua São Bento: "É dele o meu voto! Ele sabe falar com a gente!" Vox populi...

Consagrado nas urnas, pronuncia, no dia de sua posse, dois belos discursos. Neles, a eloquência da sua voz e das suas palavras combinava, muito bem,  com a eloquência da sua vida toda cheia de  serviços prestados. "The right man in the right place!"

Quem ama serve. E ele, com amor, veio servir. Vai realizando mais do que prometeu. Sabendo amar Garanhuns, não faz as coisas para aparecer, mas aparece sempre para fazê-las. E, assim, muito tem ajudado Garanhuns a viver o seu belo e providencial lema "Ad altiora téndere!"

Estimulador das flores de Garanhuns, ele vai atraindo as flores das salutares bênçãos de Deus! Imaginemos a alegria de Simôa gomes, essa mulher extraordinária que deu, à Igreja de Garanhuns, a parte mais rica das suas terras; imaginemos, sim, a sua alegria, no  céu, chamando a atenção de Deus para os trabalhos de Ivo Amaral, neste querido "ninho murmuroso de eterna poesia!"

Padre Adelmar da Mota Valença - Garanhuns, outubro de 1989

DISCURSO DE IVO AMARAL  NA SOLENIDADE DE POSSE NA CÂMARA MUNICIPAL DE GARANHUNS (1989).

Senhores Vereadores, Minhas Senhoras, Meus Senhores:

Em minha vida pública, de mais de vinte e cinco anos, esta é a  quarta vez que tenho a grata honra de comparecer a esta Egrégia Casa, para uma solenidade de juramento, com o objetivo de servir ao povo de Garanhuns.

No ano de 1963, prestei juramento para o exercício do meu primeiro mandato eletivo, mandato este de vereador. dez anos depois, voltava para, em companhia de Amílcar da Mota Valença - agora como Vice-Prefeito - prestar juramento. Em 1977, no dia  31 de janeiro, mais uma vez voltava, agora para prestar juramento como Prefeito de nossa querida Garanhuns. São passados onze anos, e hoje estou, voltando para mais uma solenidade  de  juramento, juramento constitucional de bem servir e de cumprir as  leis estabelecidas e que regem a vida dos Municípios.

Portanto, quero que as minhas primeiras palavras sejam de agradecimentos:

- Agradecimentos ao povo de Garanhuns, Terra que abracei como "Torrão Natal" e aprendi a amar e a servir.

- Agradecimento pela confiança em mim depositada, para o desempenho de tão altos e relevantes cargos públicos.

Todas as vitórias, todas as conquistas, tudo o que me foi possível realizar devo à generosidade do povo desta terra, que sempre me honrou com o seu voto, pois, todos os cargos públicos que até hoje exerci, sempre foram conquistados nas urnas de Garanhuns e Pernambuco.

Senhores Vereadores, minhas senhoras, meus senhores.

Nosso país vive momento de grande inquietação em sua vida política e social. A economia, a despeito de ser hoje, considerada pelos melhores órgãos da imprensa especializada como a sétima economia mundial, entre os países industrializados e sermos o nono país exportador do mundo, vivemos uma crise sem precedente na  sua história, com a inflação de quase 1000% ao ano.

O Governo busca soluções, procura juntamente com as classes operárias e patronais, estabelecer pactos e acordos que venham ordenar o atual estado de inquietude em que vivemos. Tudo em vão. Tudo parece não nos levar a lugar nenhum - "Não há uma luz no  fim do túnel". O horizonte se torna cada vez mais negro e diante desse quadro, o povo tende a despertar. Somos parte integrante desse quadro.

Hoje, estamos nesta casa, para o início de mais uma etapa da vida político-administrativa de nossa comunidade. A todos nós, Prefeito, Vice-Prefeito e Vereadores, é-nos apresentado um grande desafio: O desafio de dentro da procela, diante do qual devemos empunhar a bandeira das nossas convicções e dos nossos ideais para que possamos transpô-lo.

Creio, ser este o momento oportuno, para afirmar a minha certeza e a minha fé, no futuro de nossa terra; afirmar a confiança no trabalho daqueles que, diuturnamente se dedicam às atividades do serviço público, às atividades político-administrativas, quer como Vereador, Vice-Prefeito, Prefeito, Secretário Municipal, Funcionário, ou qualquer outra atividade ligada ao bem-comum de nossa gente.

Senhores Vereadores, como Prefeito de todos os  garanhuenses, aqui estou para trazer a minha mensagem de  solidariedade àqueles que compõem esta casa e dizer-lhes que, assim como espero contar com o apoio necessário para a realização das mais urgentes e prementes ações de soerguimento de Garanhuns, também dizer-lhes que, à frente da Prefeitura de Garanhuns, estarei, sempre solícito para o atendimento a todas as reivindicações e sugestões dos que compõem este poder.

A luta eleitoral terminou a 15 de novembro de 1988. A identidade acompanha e deve acompanhar a cada um eleito pelas diversas legendas, porém não deve e nem pode servir como instrumento, constituindo-se em barreiras, valados, tornando-se obstáculos para o bom entendimento entre os que deliberem e os que administram, porque todos têm um objetivo comum: o bem de Garanhuns. Assim sendo, espero - Prefeito e Vereadores - devem fortalecer os laços de amizade e trabalho, para que as metas sejam alcançadas.

Senhores, tenho vinte e cinco anos de vida pública. Sou um municipalista convicto e esse é, sem dúvida, um dos motivos pelo qual atendi o chamamento do povo de Garanhuns e, como homem ligado às coisas do município, é que sei das grandes e quase insuperáveis dificuldades que me esperam à frente do Governo Municipal, mas estou preparado e consciente de tais dificuldades.

Digo, como disse o poeta Gonçalves Dias:

"Viver é lutar

Que aos fracos abate

Mas, aos fortes,

Só faz exaltar".

A luta será tenaz, os obstáculos serão muitos, não quero e nem vou enumerá-los, os senhores bem os conhecem, mas, afirmo que,  com todas as minhas forças e com toda a minha capacidade de  trabalho e com a ajuda da equipe que logo mais empossarei, com o apoio que certamente receberei dos senhores Vereadores, do sofrido funcionalismo público municipal e do povo de Garanhuns, não serei o vitorioso, porém todos nós e principalmente nossa querida terra.

Tenho dito.

Garanhuns, 1º de janeiro de 1989 - Ivo Tino do Amaral

Foto: Ivo Tinô do Amaral.

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