quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Abílio Teixeira Gueiros

Os primeiros Gueiros no Estado do Espírito Santo foram Abílio Teixeira Gueiros (foto) e família. Este era filho de Alfredo Teixeira Calado e Francisca de Carvalho Silva Gueiros, fazendeiros em São Bento do Una, em Pernambuco. Ambos se tinham convertido ao Evangelho pelas pregações do Dr. George W. Butler, missionário e médico norte-americano em Garanhuns. Ela era irmã dos pastores Antônio e Jerônimo Gueiros.

Abílio Teixeira Gueiros nasceu em São Bento do Una, em 13 de julho de 1897. Filho de evangélicos, foi criado na igreja, tendo seguido o caminho do Evangelho desde a infância. Ainda jovem, deixou a fazenda e foi ganhar a vida como comerciante. Em 1926 casou-se com Sarah Victalino de Azevedo Mello, de Canhotinho, Pernambuco, lugar onde Dr. Butler tinha construído uma igreja, montado um hospital e uma escola, na qual ele estudara. Estudara também no Colégio Agnes Erskine, no Recife, onde fez o curso pedagógico e tornou-se professora.

Os dois primeiros filhos do casal Abílio e Sarah - Jabes e Jedáias - nasceram em Pernambuco. Querendo alargar seus horizontes, Abílio aventurou-se e mudou para o Estado do Rio de Janeiro, estabelecendo-se na cidade de Bom Jesus de Itabapoama, onde mais três filhos foram acrescidos à família: Sara, Gedelti e Jerusa. A última filha, Edna Júnia, nasceria mais tarde no Estado do Espírito Santo.

Sempre querendo crescer, mudou-se para o Estado do Espírito Santo, estado pequeno, mais de futuro promissor. Abriu uma padaria pioneira - e única - em Vila Velha, que lhe proporcionou recursos financeiros suficientes par dar a todos os filhos uma educação superior.

A história dos Gueiros do Espírito Santo foi contada por Joel Ribeiro Brinco, em seu livro "Igreja Presbiteriana de Vila Velha - 50 anos de história", publicado em 2013, em edição particular. Nesse livro Brinco dedicou tanto espaço aos Gueiros, e à fundação da Igreja Maranata, que o mesmo deveria talvez ter um título que mais adequadamente descrevesse o seu conteúdo. 

Conta Joel Brinco que Vila Velha era então uma pequena cidade, separada da capital Vitória pela Baía de Vitória. O tráfego entre as duas cidades, na época da ida de Abílio Gueiros, era feito por meio de barcos e pela Ponte Florentino Ávidos. Durante a Segunda Guerra Mundial, talvez por razões de "segurança nacional", o tráfego de barcos foi proibido na baía, ficando apenas a mencionada ponte como via de comunicação, o que grandemente dificultou o contato entre as duas cidades. O tráfego dentro de Vila Velha era feito por uma única linha de bonde, que ia de um lado ao outro da ilha.

Foi nesse período de guerra - e por já haver um número de presbiterianos em Vila Velha - que a Primeira Igreja Presbiteriana de Vitória abriu uma congregação naquela cidade, enviando semanalmente seus presbíteros para conduzir os cultos naquela localidade. Entre os membros dessa congregação estavam Abílio Teixeira Gueiros, sua mulher Sara Victalino Gueiros e os seis filhos do casal. A presença dos Gueiros era tão forte, que a igreja passou a ser denominada localmente como "a igreja do Seu Abílio".

"A igreja do Seu Abílio" talvez tenha recebido esse nome porque esta fôra construída por ele, com verbas próprias, e em lote de terra doada à mesma por seu filho Gedelti. O trabalho da construção foi feito pelos próprios membros da congregação.

Mantendo a tradição da família, Abílio Gueiros fez o que pode para dar aos filhos uma educação superior. Assim, todos os filhos se tornaram profissionais: Jabes, advogado; Gedelti, dentista; Jedáias, pastor evangélico (diplomado pelo Seminário Presbiteriano de Campinas, SP), advogado e juiz; Sara, professora de Bíblia, pelo Instituto Bíblico do Rio de Janeiro; Jerusa, professora de Artes Plásticas, da Universidade Federal do Espírito Santo; Edna Júnia, professora de escola primária.

Abílio Teixeira Gueiros, que no apoio à obra Maranata, demonstrou a mesma dedicação devotada anteriormente à Igreja Presbiteriana, faleceu em 10 de julho de 1994, com 97 anos de idade. Sua esposa Sara Victalino Gueiros, também baluarte da obra Maranata, especialmente no trabalho das senhoras, faleceu em 2003, com 99 anos de idade.

Fonte: Vieira, David Gueiros, 1929 / Trajetória de uma família: / História da Família Gueiros / David G. Vieira - Brasília, 1ª edição / 2008. 622 p.

Fotos: (1) - Abílio Teixeira Gueiros (2) - Os pais de Abílio Gueiros: Alfredo Teixeira Calado e Francisca de Carvalho Silva Gueiros.

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Retratos de Garanhuns

Relógio de Flores - Praça Tavares Correia. Foto. Anchieta Gueiros. Maio de 2022.