sábado, 1 de janeiro de 2022

Agilberto Dourado

Dr. José Francisco de Souza*

Grandes Vultos de Garanhuns - Ele se relacionava muito bem com a sua cidade. Sentia-se profundo investigador de seus problemas. Só que  estas investigações eram patrimônio do seu mundo. Entendia que a terra do Magano era mais sua. Sentia-se realizado quando seus passos demonstravam a sua passagem. Gostava de calcar o solo que lhe servira de berço. Antes disso não se sabe o homem de  onde veio e para onde vai. No convívio com os nossos conterrâneos, todo relacionamento deveria se acatar com uma boa frase. Aqui se esboça uma teoria psicológica da comunicação. Não sabia usar um verbo que não edificava os bons sentimentos humanos. Quando se referia a nossa cidade fitava o azul alcandorado dos céus - como agradecendo a ventura de ter nascido aqui. Nesse sentido era portador do singular carinho. Falava pouco apenas o necessário para se saber onde se encontrava o homem antes de  ter falado.  Houve um lugar de destaque. E o maior destaque seria os  limites da gleba de seus avós. O sopro da brisa do poético Brejo das Flores refrescava o seu espírito. Durante muito tempo de sua vida, a nossa cidade tomou vários aspectos. O progresso  lhe dera nova dimensão. Não se conformava apenas com o que se dizia. Visitava todos  os seus recantos, desde o mais árido ao mais pitoresco. Examinava as realizações do poder público. E criticava se havia progresso mesmo, ou se era apenas exaltação ao vulgar. Era  sistematicamente contra a mediocridade administrativa. Quando nos encontrávamos dizia "José você precisa fazer mais pela nossa cidade, conversa com os responsáveis pela administração que as praças estão abandonadas. "Garanhuns - terra das flores - onde estão as flores?" Felizmente ela não soube o que os vândalos fizeram com o relógio... O nosso contentamento era sentir que Deus é  o sol dos seres; é luz do mundo. Aparição do sol deu nascimento a ondas de luz que vão se espalhando em todas as direções do horizonte visual. Não há mistérios na criação.

Agilberto Dourado nasceu aqui na cidade dos lírios e das rosas. Irmão do grande Euclides Dourado. Filho do poeta Belarmino da Costa Dourado - bolerista e amigo do teatro. Logo cedo as brancas auras sopraram os seus ouvidos. Seus passos foram guiados pelas musas. Os Soutos e Dourados se conjugaram e produziram rebentos ilustres. Todos amaram a nossa encantadora Garanhuns. Entre eles, o nosso vulto de hoje, fora o maior entre seus iguais. Participou da vida esportiva da cidade e foi um dos fundadores do Esporte Clube de Garanhuns. Ao lado de  Vitor Grossi foi considerado o maior centro médio do seu plantel.

Ainda com seu irmão viveu como sócio do Empório Comercial. A sua vida foi sempre dedicada ao trabalho.  Raramente se afastava da constelação familiar. Esse era o traço vivo de sua formação psicológica. Amava a pintura. Era uma vocação discreta. Seus passeios pela antiga via férrea lhe deram vários quadros. Seus olhos gostavam de alcançar as paisagens telúricas de São Vicente, Gruta das Guaribas e o Pontilhão. Foi contemporâneo dos poetas; Arthur Maia, Gumercindo de Abreu, Ruber van der Linden e da poetisa Narcisa Coelho. E finalmente dos jornalistas Abdísio Vespasiano, Amadeu de Aguiar e Hibernon Wanderley. Isso no tempo das tertúlias literárias da família Barreto Coelho.

Foi funcionário da Secretaria de Agricultura (salvo engano) por força dessa circunstância passou a residir na Capital do Estado. Casou-se e foi muito feliz. Do casal apenas conhecemos um filho que nos foi apresentado pelo nosso prefeito Ivo Amaral, no seu gabinete de trabalho. Foi assim que soubemos de sua morte.

Agilberto Dourado - homem probo, honesto, padrão de dignidade. Sóbrio e cauteloso. Era a discrição em pessoa. É com justiça um dos vultos da sua e nossa cidade centenária, Jardim suspenso entre sete colinas, olhando para o céu. Agilberto Dourado - Garanhuns - saudade - Várzea - Quilombo - Jardim - Magano que se ergue para o alto desafiando o infinito.

*Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 6 de junho de 1981. 

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