domingo, 16 de janeiro de 2022

Aprendendo com Emmanuel

(Foto: Anchieta Gueiros)

Dr. Aurélio Muniz Freire*

"O Cristo iniciou a missão divina entre homens do campo, viveu entre doutores irritados e pecadores rebeldes, uniu-se a doentes e aflitos, comeu o  duro pão dos pecadores humildes e terminou a tarefa santa entre dois ladrões. Que mais desejas? Se aguardas  vida fácil e situações de evidência no mundo, lembra-te do Mestre e pensa um pouco".

De modo geral, não queremos entender que a missão principal do cristão seja a de levantar quantos caídos (ou que assim nos pareçam) pelas estradas das vida. Desejamos o nosso trabalho isento de maiores preocupações, sem  tanto esforço, dentro de ambientes onde não haja pessoas com problemas mais sérios e que nós exijam maior parcela de atenção, de cuidados, de desvelo.

Em outra oportunidade se suas pregações, Jesus dissera que veio para os  doentes (do corpo e da alma), pois os  sadios não necessitam de médico. Ele, o médico incomparável, assim afirmou, e a sua vida foi e continua sendo uma  constante confirmação de suas palavras, conforme nos adverte Emmanuel.

No entanto, nós, a pretexto de sentimentos puros que não possuímos, continuamos sem entendermos a sublime mensagem. Não apenas fugimos de quantos necessitados nos procuram. Fazemos mais: expulsamo-los de nossas casas e lhes atiramos pedras... Isto fazemos em nome de nossas boas tradições na defesa de nossas instituições e de nós próprios que nos dizemos cristãos...

"Um arado promete serviço, disciplina, aflição e cansaço; no entanto, não se deve esquecer que, depois dele, chegam as semeaduras e colheitas, pães no prato e celeiros guarnecidos".

Não há vitória sem luta, sem sacrifício. Esta afirmação recebe maior teor da verdade, quando nos atemos ao trabalho espiritual. É agradável, porém, colher-se o  resultado após o suor derramado na semeadura. Quanto esforço, quanta fadiga não demos ter em nossas vidas, no amanho da terra que  somos nós mesmo e os campos onde trabalhamos! Depois, a alegria dos frutos. Todavia, para a colheita, não se dispensa a paciência. Somente alcançam vitórias aqueles cuja perseverança vai até o final. É a lição do Apóstolo.

"Dos reinos inferiores às mais altas esferas, todas as coisas servem a seu  tempo. A lei do trabalho, com a divisão e a especialização nas tarefas, prepondera nos mais humildes elementos, nos variados setores na Natureza".

A natureza, quanto mais silenciosa, mais operosa. Todas as suas forças são mostra evidente de uma energia que se  esconde para exibir os frutos de uma operação silenciosa. Nada existe sem  sentido, sem uma finalidade. Em tudo, a presença de duas leis: a de causalidade e a de finalidade. Se estas normas vigoram no plano natural dos mundos, muitos mais elas vigem na interioridade da criatura humana. A tarefa do cristão é servir, trabalhar, ajudar. "O filho do homem não veio para ser servido, mas para servir". Muitos que ainda nos professamos cristãos, esperamos mais sermos servidores. O servir, o ajudar, o levantar, o proteger, é tarefa de  poucos. Quase sempre, quer na natureza das coisas, quer na terra dos homens, apenas temos olhos para enxergarmos lama e invirtude. Esquecemo-nos de que belos exemplos de flores despontam na podridão dos pântanos, do mesmo modo como muitos Agostinhos renascem para luz, nos antros do crime e dos vícios.

*Jurista e escritor / Garanhuns, 23 de março de 1985.

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