quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

As primeiras expedições e o batismo dos nossos rios

Manoel Neto Teixeira*

Com a notícia do descobrimento do Brasil (1500), o então Rei de Portugal, Dom Manoel autoriza as duas primeiras expedições à nova colônia, nos anos subsequentes: 1501 e 1502. Em maio de 1501, sob o comando do navegador Gaspar Lemos, aporta por aqui a primeira expedição exploradora, e a ela deve-se o batismo dos rios e acidentes geográficos, sob a inspiração dos santos de cada dia.

Não viram os navegadores tangidos pela máxima de fundar e construir uma nova pátria. Pelo contrário, o foco marcante eram as riquezas existentes no solo e sob solo, minerais e madeira, o pau-brasil, de grande valia para os europeus. Os primeiros batismos em 1501: cabo de São Roque, em 16 de agosto; Cabo de Santo Agostinho, em 28 de agosto; Rio São Miguel, em 29 de setembro ; Rio São Jerônimo, 30 de setembro; Rio São Francisco, 4 de outubro; Rio Santa Luzia, 13 de dezembro; Cabo de São Tomé, 21 de dezembro.

Ano seguinte, 1502, tivemos os seguintes batismos, ainda sob o comando de Gaspar Lemos: Rio de Janeiro, em 1º de janeiro, Angra dos Reis, 6 de janeiro; Porto de São Vicente, 22 de janeiro.

A segunda expedição, composta de seis navios, sob o comando do Capitão Mor Gonçalo Coelho, chega ao Brasil em 1503. Essa esquadra partira do Tejo dia 10 de janeiro, ancora nas Ilhas do Cabo Verde, veleja para o sudeste e descobre uma Ilha que mais tarde receberia o nome de Fernando de Noronha, onde a nau capitânia bateu em cachopo.

Na sua obra "500 ANOS DO POVO BRASILEIRO (UMA VISÃO CRÍTICA)", o historiador Agassiz Almeida registra: "o que a elite impinge à consciência da nação é que o Brasil é um país perdido e o seu povo, preguiçoso e incapaz".

O fato é que, se não é tanto, pode ser quanto, levando-se em conta o processo de colonização e as formas de pirataria que aconteceram já antes de "descoberta" e que se desdobraram até hoje, mudando apenas os métodos e mecanismos de usurpação das nossos riquezas, tamanha a abundância e diversidade de minerais, com um subsolo que alimenta a atrai toda sorte de cobiças, ampliadas agora pela força do capital especulativo.

Acrescenta a referida fonte:

"Os nossos antropólogos e historiadores - a grande maioria - procuraram minimizar o esforço e a luta heroica dos nossos ancestrais na consolidação da descoberta do país, e posteriormente na expansão territorial das nossas fronteiras, que avançaram próximas aos contrafortes dos Andes e, ao Sul, com a bacia hidrográfica do Prata, na histórica obra dos nossos bandeirantes e sertanistas". Sem esquecer o consagrado e heroico trabalho do nosso embaixador o Barão do Rio Branco, nesse braço expansionista.

Dentre os consagrados historiadores e antropólogos, destaca-se o pernambucano Gilberto Freyre, com o clássico "CASA GRANDE & SENZALA", onde está escrito: "A colonização por indivíduos - soldados de fortuna, aventureiros, degredados, cristãos novos fugidos à perseguição religiosa, náufragos, traficantes de escravos, de papagaios e de madeiras - quase que não deixou traço na plástica econômica do Brasil, ficou tão raso, tão à superfície e durou tão pouco que política e economicamente esse povoamento irregular à toa, não chegou a definir-se em sistema colonizador".

Vale dizer que nosso colonizador, Portugal, com uma superfície menor que o Estado de Pernambuco, inserido num contexto religioso, político, social e econômico opressor, "era um verdadeiro cárcere para os homens com capacidade de luta. Aqui chegando, após a turbulência das travessias oceânicas, libertos das algemas que a Metrópole lhes impunha, estes homens, pisando nas terras recém-descobertas, não poderiam se apequenar diante da grandeza de tantos fatores, entre os quais, uma mata atlântica exuberante e albergadora de uma fauna e flora vigorosas e diversificadas de animais e espécies vegetais que só o clima tropical, nos seus contrastes, propicia.

Agassiz Almeida arremata, à pg. 177 de sua obra, a seguinte assertiva, que sintetiza a sua visão crítica da nossa história:

O país, desde as primeiras fases da  colonização, assentou-se tendo por base a grande propriedade. Todo o longo período colonial, e mesmo durante o império e parte da fase republicana, a grande propriedade foi o esteio da agricultura. É nela que domina toda a trama da nossa história. Em alguns momentos, contrastantemente atravanca o próprio desenvolvimento, quando se transforma em força monocultora, como ocorreu com a agroindústria da cana-de-açúcar no Nordeste.

*Jornalista, advogado e escritor.

Texto transcrito do jornal O Século de outubro de 2019.

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