quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Capitão Pedro Rodrigues da Silva

Grandes Vultos de Garanhuns - Figura central dos acontecimentos notáveis de sua época, o homem participa e contribui para o equilíbrio social. Torna-se um criador de possibilidades. Destacando-se desse modo pela  intuição moral de bem servir a sua comunidade. O valor da capacidade do homem pode servir de exemplo. A retidão de sua conduta dignifica os seus atos. Analisado na condição em que se encontra, o seu  estado psicológico parece em constante renovação de forças morais. No seu universo social se investe na posse de  certos poderes e faculdades que lhe permitiria levar uma vida independente e de labuta. Alcançar tal modo de vida é conseguir a melhor contribuição para o bem geral. É viver de acordo com o que determina a sua consciência. A consciência social e histórica, e história é esfera da possibilidade na esfera da necessidade. As maneiras possíveis e reais de organizar os seus  recursos disponíveis, destacam-se pelo caráter e pela experiência e conduta. Essa conduta é uma  conquista de seu próprio valor. É um vulto histórico que infunde respeito pelo alto senso de responsabilidade. Pela sua definição de atitudes, um historiador não ousaria dizer uma  mentira nem esconder uma verdade. É um imperativo que se lhe impõe como um dever maior ao apreciar com dignidade a conduta dos humanos. Só dessa maneira os homens poderão exercer influência sobre os outros de modo realmente estimulante. Esta exteriorização da personalidade efetiva, corresponde com o objeto da vontade de  vencer. Quanto mais  uma pessoa evolui no plano de suas atividades, mais a sua consciência social se expande. Mais  se projeta o seu valor no eterno presente. São homens que não podem ser relegados ao esquecimento. Não necessitam de ligação com o passado porque são  devotados à humanidade. Só há realmente uma  substância no universo que é a essência da vida humana. E por isto  devemos nos lembrar apenas dos benefícios. É sobretudo que o homem está no lugar em  que a providência quis que estivesse, assim se  nos afigura o comportamento respeitável do Vulto de hoje.

Capitão Pedro Rodrigues da Silva: Nasceu na zona do Sítio Paulista vizinho do  nosso São Vicente. A retina dos olhos azuis guardou para sempre a imagem de "como era verde o meu vale". A  força telúrica determinou os louros de sua vitória na vida. Membro de destaque da tradicional família Rodrigues. Os seus primeiros  passos não foram vacilantes. Depois de várias atividades dignas de um homem de bem, atendera o chamado de sua vocação. Ingressou na força  policial do Estado de Pernambuco. E pela dignidade de seu comportamento logo cedo conquistou um posto elevado. Na qualidade de Capitão foi por muitos anos delegado de polícia da sua cidade. Cargo que exercera com devotamento e sobretudo como verdadeiro sacerdócio da  justiça. Por medida de  profilaxia moral, o homem de "Bengala" limpou a sua Garanhuns dos desordeiros apaniguados. Sepultou todos os preconceitos sociais no lugar sombrio da  alameda do passado. O seu nome infundia respeito e as suas ordens eram acatadas desde à periferia até o centro da terra do Magano. Não confiava muito nos seus auxiliares. O policiamento era fiscalizado e exercitado por  ele próprio. Quando a  noite já ia longe como sinal de que o dia já vinha perto, surgia como por encanto a presença do Capitão Pedro Rodrigues. Elementos provocadores de lutas e desordens não tinham tréguas. Eram cassados por todos os recantos de uma cidade a noite. Viveu no meio do vício sem se contaminar. Era  um centro de sanidade no meio da doença moral. Enfrentando todos os perigos mantinha a tranquilidade das famílias da sua terra. Amigo de todas as horas. Homem forte pela coragem de se afirmar e invencível como padrão de dignidade. Leal e sincero. O seu comportamento como homem e sociedade infundia segurança e respeito. Foi contemporâneo de Clementino Ricardo de Souza (meu pai) e amigo e correligionário de José Ricardo de Souza (meu tio). Na propriedade deste (Em São Vicente). Quando  a natureza era cinzenta, o seu gado mugia no pastio. Assim logo nos brincos da nossa meninice aprendemos admirá-lo. Para nossa geração ele foi uma figura lendária. Uma legenda de honra. Toda a nossa família privava de sua amizade. Residiu muitos anos na Rua 15 de Novembro. Casou-se em primeira núpcias com D. Emília, respeitável figura humana. Deste casal nasceram quatro filhas e um varão: José Rodrigues da Silva (Zé Batatinha) que é em nossa conceito a própria dignidade em pessoa. Do segundo matrimônio apenas conhecemos o Dr. Rilton Rodrigues, professor de psicologia e de ciências afins e Juiz da Terceira Vara desta Comarca e Presidente da Academia Garanhuense de Letras.

Capitão Pedro Rodrigues da Silva fechou os olhos para esta vida material já em idade avançada. Foi um filho ilustre da terra de Arthur Maia e Gumercindo de Abreu. Terra de poetas e menestréis. Com os olhos do Espírito contempla o progresso moral e cultural dos seus filhos e  netos. É um dos vultos  da nossa cidade Centenária que merece um destaque maior.

*Dr. José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 2 de dezembro de 1978.  

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