quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Carta de Juscelino Kubitschek para Carmosina Monteiro


Sob a égide de variados aspectos, sentimos a força da capacidade de Carmosina Monteiro. Nos tempos do Centro de Cultura Intelectual "Severiano Peixoto", realidade de espírito sonhador de Luís Maia, pioneiro do teatro moderno entre nós, a nossa imprensa era e mais festejada da Região. O "Bibliófilo", jornal dirigido pelo talento do poeta moderno: José Maria Mendes, contava com a colaboração de muitos vultos do nosso jornalismo: Eurico Costa, João Domingos, Morse Lira, Arthur Maia, Gumercindo de Abreu, Angelo Cibela, Luiz Dourado e outros, inclusive Carmosina Monteiro. A peça de sua autoria "CHICA, CHICA DA SILVA" conquistou distinção e louvor da Academia Brasileira de Letras.

Complementando esse destaque da  personalidade intelectual  de Carmosina Monteiro (Carmosina de Araújo) transcrevemos a carta que lhe escreveu, o maior homem público de sua geração: JUSCELINO KUBITSCHTK.

"Rio de Janeiro, 15 de outubro de 1975

Prezada amiga Carmosina de Araújo

Não Recebi em 1965 os originais da peça "Chica, Chica da Silva" que teve a gentileza de enviar. Àquela época, como você sabe, eu me encontrava no exterior, exilado, e parte de minha correspondência se extraviou. Mas agora tive a grata satisfação de ler integralmente o seu trabalho e não me admiro da distinção e louvor que lhe concedeu a Academia Brasileira de Letras.

A reconstituição histórica da figura de Chica da Silva coincide com o lendário que ainda persiste a seu respeito, e como esse episódio se passou na minha Diamantina, desnecessário dizer-lhe que profundamente tocou o meu  coração.

Foi o presente mais belo que recebi pelo meu aniversário que lhe agradeço sinceramente.

Cordial abraço

Juscelino Kubitschek"

Esta carta é um documento valioso e deve ter sido objeto de comentários dos jornais do sul. O nome da autora da peça "Chica, Chica da Silva" certamente foi muito elogiado. Entre nós, pouco se sabe das atividades atuais de Carmosina Monteiro, ou de sua nova dimensão intelectual que é pesquisar o comportamento de certos vultos da humanidade, consagrados pelas tradições de um povo rico de lendas.

Carmosina Monteiro estudou e foi aluna do tradicional Colégio 15 de Novembro. Em Garanhuns viveu os anos decisivos de sua formação até quando passou a residir no Rio de Janeiro. Ele representa uma época feliz para a literatura aquela em que grandes vultos da terra do Magano assumem uma vida nova, reformando a ordem do dia, porque então produziram efeito completamente novo. Como Nelson Rodrigues sempre afirmou, as primeiras sensações da infância pernambucana: "o gosto da pitanga e do caju". A escritora Carmosina Monteiro sente com intensidade o perfume dos cravos e dos lírios da terra do saudoso poeta de Maio, Arthur Brasiliense Maia.

*José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 3 de Janeiro de 1981.

Foto: Garanhuns, PE - Teatro Luiz Souto Dourado - Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti, década de 1980.

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