sábado, 1 de janeiro de 2022

Centenária Diocese de Garanhuns

Criada em 02 de agosto de 1918, pelo Papa Bento XV, a  Diocese de Garanhuns está comemorando  100 anos.  Deve-se a visão apostólica do ilustre vigário aqui, por longos anos, o Mons. Afonso Antero Pequeno. Este deixando o paroquiado a ideia se concretizou no governo paroquial do Cônego  Benigno Pereira de Lira, ao tempo do saudoso Arcebispo D. Sebastião Leme. À época Pernambuco contava, apenas, com uma diocese no sertão, a de Floresta que tinha a direção do grande pernambucano, Dom Augusto Álvaro da Silva, ex-cardeal Primaz do Brasil. Dom Leme junto ao Núncio Apostólico Dom Ângelo Escapardini, preparou o necessário para efetivar os  seus desejos junto à Santa Sé. A esta altura, o Cônego Lira, iniciava a aquisição do patrimônio de 50 contos de réis, palácio, guisamentos de alfarias, reforma e adaptação na Matriz de Santo Antônio a ser elevada à categoria de Sé, Catedral da nova diocese.

A Bula do Santo Padre Bento XV "Archidiocesis Olindensis - Recifensis" de 2 de agosto de 1918, erigia canônicamente as dioceses de Nazaré da Mata e Garanhuns e transferia para Pesqueira a sede e o bispo de Floresta na época Dom José de Oliveira Lopes. Extinta pois, a diocese de Floresta por motivos pastorais.

No Consistório de 3 de julho de 1919, S. S. Bento XV elege os bispos de Nazaré da Mata e Garanhuns, respectivamente Dom Ricardo Ramos de Castro Vilela, pároco de  Gravatá e Dom João Tavares de Moura, Cônego do Cabido Metropolitano de Olinda.

Dom João Tavares de Moura, nasceu no engenho Juá, nas proximidades de Nazaré da Mata no dia 23 de julho do ano  de 1882. Fez seus estudos no Seminário da Primeira Capital Pernambucana, onde foi ordenado  sacerdote por Dom Luiz Raimundo da Silva Brito. Exerceu o paroquiato de São José, de Gravatá, de Taquaritinga, Diretor do Colégio Arquidiocesano, Secretário do Bispo de Floresta. Sendo este transferido para a Circunscrição Diocesana de Caiana da Barra, o padre Moura o acompanha, sendo elevado ao cargo de Vigário-Geral. Adoecendo gravemente, volta à Olinda, tendo sido escolhido por indicação de Dom Leme pelo Santo Padre, para o cargo de primeiro Prelado Diocesano.

A sua sagração teve lugar na Sé de Olinda no dia 7 de setembro de 1919, tendo como sagrante, Dom Sebastião Leme, consagrantes os bispos, Dom José de Oliveira Lopes e Dom José, das dioceses de Pesqueira em Pernambuco e Sobral, no Ceará. No festivo dia 26 de outubro do mesmo ano, realizou-se a solenidade de posse na Catedral de Santo Antônio, tendo feito a Oração Congratulatória, o Cônego Benigno Lira, ex-pároco local. No dia seguinte, com Assistência Pontifical foi cantada a Missa Solene, pelo Padre Castelo Branco, novo Vigário da recém-criada Diocese que teve como pregador o Cônego Ambrosino Leite, representando, S. Excia. Revdma. D. Sebastião Leme. Dom Moura, para a sua Diocese, tirou o lema de São Paulo: "Ommia Ommibus" - tudo para todos, o qual foi cumprido fielmente até a sua morte. Dentre as inúmeras personalidades que contribuíram para o sucesso do evento, justo se faz lembrar as figuras dos senhores: Maurício Wanderley, Godofredo de Barros, José Almeida Filho, Pedro Ivo, Bernardino Ferreira Guimarães, Ferreira Costa, Joaquim Coelho e Antônio Alves do Nascimento, elementos exponenciais no trabalho da organização desse grande marco na vida sócio religiosa de Garanhuns.

Contava a nova Diocese com 16 paróquias. A gestão de Dom Moura à frente desta Diocese foi de  franca atividade,    realizando  um grande trabalho no campo sócio religioso, erigindo a Paróquia da Boa Vista em 3 de novembro de 1922; marco religioso de nossa Independência e depois a Paróquia de Jurema. Criou escolas para as moças pobres e para meninas, anexas ao Colégio Santa Sofia. Organizou uma União Católica de Homens, com aulas, catequese, orientação familiar, biblioteca e jogos sociais, à época coisa rara por estas terras

Na qualidade de jornalista profundo deu ajuda ao "Sertão" e  além do mais possuía o  dom de ser um primoroso orador. Na sua gestão, ordenou cinco sacerdotes, entre eles o Cônego Pedro Magno de Godoy. Dom Moura indo à São Paulo, atendendo convite de amigos para abençoar a união matrimonial de membros de ilustre família, adoece gravemente sendo assistido pelo seu Secretário, Padre Diegues Neto, vindo a falecer no dia 13 de junho de 1928, no Sanatório Santa Catarina. Era Governador de Pernambuco, o dr. Estácio Coimbra que  determinou o embalsamento do corpo, chegando o mesmo a Garanhuns na noite do dia  31, trazido por via férrea, sendo sepultado à 2 de agosto seguinte, justamente no nono aniversário da criação de sua diocese. 

É de se notar também, que da sua criação, muitos foram os marcos para a história, onde se pode destacar além de outros, a realização do 1º Congresso Eucarístico Diocesano do Interior de Pernambuco,  realizado em 1943, construção do Seminário de São José e do Mosteiro de São Bento que permitiu  a   vinda dos monges da Ordem de São Bento, fundação do jornal O Monitor e sem deixar de lado o trabalho dedicado de Mons. José de Anchieta Callou, Mons. Tarcísio Falcão, Mons. Adelmar da Mota Valença entre tantos que marcaram e marcam ainda com a sua colaboração  a continuidade da caminhada para que foi criada a Diocese de Garanhuns.

Bispos da Diocese de Garanhuns:

1º Bispo - Dom João Tavares de Moura

2º Bispo - D. Manuel Antônio de Paiva,

3º Bispo -  D. Mário de Miranda Villas Boas

4º Bispo -  D. Juvêncio Brito

5º Bispo -  D. Francisco Expedito Lopes 

6º Bispo - D. José Adelino Dantas

7º Bispo -  D. Milton Correia Pereira

8º Bispo -  D. Tiago Postma

9º Bispo -  D. Irineu Roque Scherer

10º Bispo - D. Fernando José Monteiro Guimarães

11º Bispo - D. Paulo Jackson Nóbrega de Sousa (Atual Bispo).

Foto: Anchieta Gueiros e o atual Bispo da Diocese de Garanhuns, Dom Paulo Jackson Nóbrega de Souza.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Marília é a esperança de dias melhores para os pernambucanos

Por Eudson Catão* Marília Arraes é a pessoa certa, na hora certa, para virar a página e tirar do poder um grupo que se encastelou no Governo...