quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

Chicó e sua Garanhuns Filmes


Os jornais do recife dão informes sobre uma retrospectiva da vida cinematográfica de Pernambuco, focalizando entre outros, a figura de  Jota Soares que enfeixava muitas vezes as funções de produtor, diretor e  ator de filmes no recife, e que marcaram época. Recordo-me, entre outros, da "A filha do Advogado" e "Jurando Vingar". Isto me faz lembrar que a nossa "Garanhuns do meu tempo", também teve o seu pioneiro na indústria cinematográfica, na pessoa de Francisco Grossi, o velho "Chicó", como era conhecido na intimidade. Proprietário do "Cinema Grossi", que funcionava na Rua Santo Antônio, no mesmo local onde depois havia o "Cinema Glória", o nosso "Chicó" andou fazendo por conta própria, alguns filmes sobre Garanhuns e também um documentário sobre a Cachoeira de Paulo Afonso. O laboratório da "Garanhuns Filmes" funcionava na parte posterior do seu cinema Grossi, atrás do palco, com saída própria para a antiga praça  Jardim. Dispondo de material em uso na época, isto nos idos de 1925, o italiano Francisco Grossi, fez um documentário bastante interessante focalizando não só as paisagens da Cachoeira de Paulo Afonso, mas das cidades e vilas que iam de Garanhuns até "Pedra de Delmiro" como se chamava a atual cidade de Paulo Afonso.

A vida social e artística de Garanhuns, muito devia ao nosso Chicó. O seu cinema, que dispunha de um bom palco e luz perfeita, era o centro de todas as atividades culturais daquela época. As representações do  "Grêmio Polimático", dirigido por José Elesbão, as conferências cívicas e literárias de Arthur Maia, poeta e escritor Garanhuense e de tantos outros intelectuais e jornalistas que passaram por Garanhuns, tinham no  palco do "Cinema Grossi", a merecida acolhida e público permanente em  sua plateia de cadeiras empalhadas. O Cinema Grossi funcionava diariamente, sempre com um filme novo. Cinema mudo, tinha piano e seu pianista era o Ariosto. Depois de algum tempo a ele se juntou o violinista Marcelino, doublé de enfermeiro prático e musicista. As noites Garanhuenses por muito tempo se resumiam nas projeções do Cinema Grossi, que começavam sempre às 20 horas, com as músicas de Ariosto ao  piano e Marcelino no seu violino.

*Alfredo Vieira / Garanhuns do Meu Tempo / 1981.

Foto: Chicó Grossi no casamento de sua sobrinha Albina Blazio. Chicó está à esquerda do noivo.

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