domingo, 16 de janeiro de 2022

Conhecer o próximo

Dr. José Francisco de Souza*

Existe certo tipo de conhecimento que não se concebe dentro das categorias de uma consciência em si, puramente contemplativa. É preciso que haja diálogo, onde a palavra seja transmissora de certa recepção íntima. Em todos os nossos atos se caracteriza um pouco de cada um de nós. Existe certo tipo de conhecimento que não determina algo do nosso entendimento. Ai está a principal fonte de erros que precisa de exame no presente contexto psicológico. Para o homem escravo da lógica dos sistemas. Somente uma pessoa que ama ou odeia vê, no objeto passível do ódio ou do amor, certas características indivisíveis aos outros. Os outros são apenas simples espectadores. Não se identificam com as pessoas e as coisas senão por força de impulsos negativos. É um ato reflexo que se manifesta sob o domínio de impulsão do ego inferior.

Sobre aspectos positivos da libertação o nosso próximo pode ser conhecido muito bem. Ele não é simplesmente o outro e sim uma integração da nossa vida. A nossa individualidade é íntegra. A nossa personalidade é que por sua  própria natureza plasmável. Não há  dois indivíduos iguais perante o mesmo conceito social. cada um possui qualidade indeclináveis e dignas de respeito. O princípio fundamental é que só podemos conhecer ao nosso próximo quando alcançamos o mérito de conhecermos a nós mesmos. É um fato que desafia a  qualquer contestação. É um princípio humano de conhecimento natural pelo qual o ser atinge a sua verdadeira finalidade.

Isto não implica em isolamento em  que a presença do motivo e uma concentração falsa como se possível fosse a eliminação do pensamento criador. Ninguém cria sozinho e nem para si só. Viver é bem relacionar-se. Vivemos e  agimos com os outros. E muitos contribuem com seu esforço para que haja um mundo melhor. segundo o nosso entendimento os seres humanos não possuem traços "que possamos considerar separadamente deles e que, como nós habituamos a dizer errôneamento se manifestem automaticamente". Este não é nem mesmo um problema. É um ato da vida dinâmica do homem, no curso de sua conduta com elemento criador de possibilidades. É um confronto natural dos seus problemas com a capacidade de resolvê-los. Este é sentido real do homem como integração de vivência. A própria autoconsciência não surge de  mera contemplação. Mas - somente através das nossas lutas com o mundo isto é, no decorrer do processo em que  nos tornássemos conscientes de nós mesmos. A consciência de nós mesmos e a  consciência dos outros se pluraliza em  atividade.

É um processo de integração social. A sociedade não foi criada para escravizar o homem. Nem para limitá-la a ponto de criar impossibilidade ao seu direito de pensar, sentir e agir livremente. Enquanto por um lado a tese de que o homem isolado é uma ficção, o positivismo proclama que ele só é  responsável porque vive em sociedade. Então - para que não se perturbe a lógica desses conceitos, entre a sociedade e o homem deve existir uma coexistência pacífica.

Sempre que se isola o produto do  processo e da participação no ato, os  fatos mais essenciais são deformados. Esta deformação é a feição fundamental do pensamento dirigido para a natureza morta. Ou seja a natureza humana geradora dos conflitos que estiolam  a alma de guerra e destruição do  que há mais belo na criação que acima de todas as coisas - a vida humana.

*Advogado, jornalista, cronista e historiador / Garanhuns, 19 de junho de 1982.

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