quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

Construção da Catedral de Garanhuns


Nelson Paes de Macedo*

A antiga Igreja de Nossa Senhora da Conceição, hoje Catedral de Santo Antônio de Garanhuns, foi construída no período 1856/1859, sendo o seu Vigário o Padre Nemésio de São João Gualberto. A duração daquela estrutura chegou até o ano de 1907, quando devido ao estado em que se encontrava, ameaçando ruir, foi  feita uma campanha pelo então Juiz de Direito, Dr. Joaquim Maurício Wanderley, quando foi procedida uma grande reforma, principalmente na sua fachada em estilo Manuelino, e a colaboração da estátua do Padroeiro da Cidade, Santo Antônio, no alto da torre, escultura feita por um cidadão conhecido por João Bina, na época um artista anônimo que residia em Quipapá.

HISTÓRIA DE GARANHUNS

Segundo o historiador Alfredo Leite Cavalcanti, a primeira Igreja foi construída no local onde hoje é o Banco do Brasil, na Avenida Santo Antônio. Nesta mesma, avenida, reservou-se um local para o cemitério.

Neste período, a maioria das pessoas moravam nas fazendas ou sítios. No povoado, moravam apenas ferreiros, carpinteiros, arreeiros e pequenos comerciantes. Muitos fazendeiros construíram casas no povoado a fim de nelas passarem as festas religiosas ou estagiarem.

SIMÔA GOMES DE AZEVEDO E A CONFRARIA DAS ALMAS

Simôa Gomes herdou sua parte de terra, ao falecer seu marido, Manoel Ferreira de Azevedo, em 1729.  Em 1756, Simôa Gomes já viúva, através de Escritura Pública doou uma parte de terra da Fazenda do Garcia à Confraria das Almas da Igreja Matriz da Freguesia de Santo Antônio do Ararobá, a atual igreja Matriz de Garanhuns. 

A igreja foi erguida sob a égide de Santo Antônio, possivelmente em homenagem ao fundador da Fazenda, Antônio Garcia. 

As Confrarias eram grupos de pessoas que se associavam para promover a devoção e o culto a um santo. Às vezes erigiam um altar em algum lugar, e às vezes já havia uma capela dedicada ao santo e a função da Confraria era cuidar e zelar pela capela. 

Além disso, os membros da Confraria se ajudavam mutuamente, promoviam sepultamentos, oravam pelas almas dos falecidos, cuidavam das viúvas e dos órfãos etc. Havia, também, pessoas que designavam a sua própria alma como herdeira de seus bens. Assim, doavam seus bens à Confraria, e, depois de sua morte, a Confraria administrava aqueles bens e orava pela alma da pessoa que doou. Desta forma, o doador, garantia a realização de missas pela sua alma, para que ela se salvasse no juízo final.

*Jornalista, historiador e cronista.

Foto: Catedral de Santo Antônio na década de 1920.

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