sábado, 15 de janeiro de 2022

Devotamento a Garanhuns


Elpídio de Noronha Branco* (foto)

A Garanhuns, terra de meus grandes sonhos, prestei minha assistência como poucos políticos. Não abandonei nunca, os amigos e correligionários. Antes e depois das eleições lá estava servindo a todos. Não há uma só obra, ali, que não tenha recebido ajuda da  minha parte. Nos serviços de assistência hospitalar, educacional e social empreguei minha maior atividade. O Hospital Palmira Sales, obra que se deve ao dinamismo invulgar do padre Matias Lemmens, teve de  mim ajudas incomparáveis. O ambulatório Padre Dehon, obra, também, daquele operoso sacerdote holandês, nunca deixou de obter subvenções do Estado, conseguidas por mim. Ao Colégio do Arraial, ajudei, igualmente, através de auxílio para construção de seu  edifício. Ao serviço de água e luz dei minha colaboração especial, inclusive conseguindo grandes benefícios para os servidores. Consegui do Governo Cordeiro de Farias instalar uma Escola Artesanal. Consegui verbas para a instalação de luz em Itacatu (São Pedro), Iratama e Paranatama. Consegui motor elétrico para substituir o de São João, por haver se rebentado. Encontrei o Hotel Monte Sinai, louvável iniciativa do arrojado industrial Joseph Turton, com seu  edifício inacabado e em completo abandono. Consegui, através da Assembleia Legislativa, a constituição de uma sociedade de economia mista, nela se incluindo os capitais já empregados na construção do prédio. E, em seguida, consegui novos capitais através de dotações orçamentarias, até que se obteve a conclusão do edifício, cujo acontecimento se comemorou, festivamente.

Para perpetuar esse acontecimento colocou-se na fachada do  prédio uma placa, onde se lembrava o nome do governador, sob cujos auspícios se concluiu a obra, e, igualmente, o meu apelo que pude fazer pela organização, além do do presidente da sociedade, àquela época, o meu saudoso e prezado amigo professor Marcos Fonseca, há pouco falecido. A esse honrado e digno homem, que era uma grande amigo de Garanhuns, rendo, aqui, um preito daquela grande obra.

Não posso deixar, dada a pequenez que ele encerra, de ocultar, nestes rascunhos, um fato que depõe contra os que substituíram o  professor Marcos Fonseca, na direção do Monte Sinai. É que a placa comemorativa, a que me referi, foi, bruscamente, arrancada do  seu lugar. Isto é um sinal de que, numa época de tanta civilização, ainda existem os velhos processos de antanho: a estupidez e as mesquinharias do tempo da pedra lascada... Não me molestei por isto, mas cito o fato para que a história o registe como um sinal dos tempos... Felizmente, o novo presidente, meu amigo Miguel Vita, advertido, em tempo, do erro a que o levaram, mandou repor a  placa. Ainda que bem...

Fonte: Livro "Almas Brancas" / Elpídio de Noronha Branco /  1963.

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