quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Dona Anita da Mota Valença teve uma vida profícua e feliz


Dona Anita da Mota Valença nasceu na Casa do Tio Zezinho, no Sítio Beira-Mar, localizado na Zona Rural de Pesqueira, no dia 24 de julho de 1912, em uma quarta-feira, às 21 horas, sendo a décima descendente do casal Abílio Camilo Cordeiro Valença e Emília Benvinda da Mota Valença, que se casaram no Sítio Vasco, em São Bento do Una, no dia 31 de julho de 1895. A ela foi dado o nome de Anita como homenagem à Dona Ana, esposa do poeta pernambucano Adelmar Tavares, cujas poesias, publicadas no "O Malho", seus pais gostavam de ler.

Vinte e um de maio, foi quando seus pais decidiram viajar para fixar residência em Garanhuns, deixando São Bento do Una. Sempre foi o objetivo maior dos seus pais a busca incessante para educar, dignamente, os seus filhos. A casal Abílio e Emília sempre manteve firme disposição de fazer todo e qualquer sacrifício para concretizar esse desejo. Como Garanhuns preenchia todos os requisitos, a decisão que eles tomaram foi das mais acertadas.

Na constante convivência com os seus  familiares, principalmente com os seus sobrinhos, ou com os seus alunos, quer tenham sido educados por ela no Curso Infantil ou no Curso de Mecanografia, estes sempre demonstraram um enorme e vibrante orgulho em poder contar com a presença maravilhosa dessa grande serva, uma pessoa simples, inteligente e bondosa, portadora de uma incomensurável grandeza, a prestimosa e incontável ajuda desinteressada aos seus semelhantes.

Dona Anita da Mota Valença, a exemplo da maioria dos seus irmãos, sempre foi uma pessoa inteiramente vocacionada para ministrar o ensino escolar.

Ela fez jus ao grau de professora, mediante expedição do diploma de Habilitação para o Magistério do Estado, o qual foi conferido pelo Colégio Santa Sofia, em 02/121934 e registrado sob nº 591 na Escola Normal de Pernambuco, em 17/12/1934. Para atingir os seus objetivos, ela descreveu uma brilhante trajetória, participando dos seguintes cursos de formação educacional: Os assuntos do Pré-primário foram ministrados, em sua residência, por sua mãe Emília da Mota Valença; O Curso Primário foi realizado, inicialmente, no Grupo Escolar Estadual Nilo Peçanha, tendo como professores D. Edwiges Antunes e D. Mercês Quintão, e concluído no Colégio Santa Sofia; os Cursos Ginasial e Normal (Pedagógico) foram, respectivamente, realizados integralmente no Colégio Santa Sofia.

Suas atividades profissionais desempenhadas no Magistério foram realizadas, inicialmente, durante o período de 1935 a 1939, no antigo Ginásio Diocesano de Garanhuns, na função de Professora, nomeada pelo Mons. José de Anchieta Callou, Vigário da Catedral de Santo Antônio e Diretor do Ginásio Diocesano de Garanhuns. Em seguida, foi convidada para atuar como Professora do Colégio Independente do Recife, pelos Diretores Lapércio e Idalice Cintra. Essa atuação, na capital do Estado, ocorreu durante o ano de 1940. Retornando a Garanhuns, lecionou, no período de 1941 a 1981, como professora dos Cursos Infantil e Primário, ambos do Colégio Diocesano de Garanhuns e, no período de 1946 a 1975, atuou como professora do Curso de Datilografia do aludido educandário.

Ivo Amaral, ex-prefeito de Garanhuns foi seu aluno no ano de 1946 no Colégio Diocesano. Ivo recém-chegado do município de Lajedo era um adolescente com apenas 12 anos de idade e fazia parte do internato do Ginásio.

Utilizando, praticamente, todo o seu tempo disponível, ela também desempenhou outras atividades, a exemplo de assumir a função de professora da Escola Noturna Santa Terezinha, no período 1946 a 1948 e de assumir a função de professora do 1º Ginásio do Arraial.

Entre 1941 e 1943, ela foi designada, por Dom Mário de Miranda Villas Boas, 3º Bispo Diocesano de Garanhuns, para assumir as funções de dirigir 65 Benjamins da Ação Católica de Garanhuns, instituição religiosa que funcionou, durante muito tempo, no Salão Paroquial de Santo Antônio.  Madrinha de trinta e cinco afilhados, sendo a maioria de sobrinhos, sendo 23 de batismo, 11 de crisma e 1 de formatura.

Suas características pessoais foram bastante condizentes com os seus atos habituais, pois apreciava muito a leitura de livros, revistas e jornais; de assistir a programas de rádio e televisão e de ouvir e tocar músicas clássicas. Gostava  também, de fazer tricô e, especialmente, de cuidar carinhosamente da plantação de flores. Sentia-se feliz em cuidar da criação de pássaros, especialmente de canários. Cultivava com muito amor a afeição por crianças, especialmente, pelos seus inúmeros sobrinhos e afilhados. Como um destaque todo especial, ela sempre ressaltava que o seu maior contentamento era poder contar sempre com a presença e o amor dos seus familiares.

Como qualquer pessoa tímida e bondosa, ela sempre demonstrou não gostar muito de aparecer, em público, principalmente, quando em ambientes muito frequentados; de ser fotografada; e, também de ocupar, desnecessariamente, o precioso tempo das outras pessoas.

Dona Anita da Mota Valença, faleceu na tarde do domingo, 19 de maio de 2019, aos 106 anos de idade.

Texto de  José Henrique de Barros Neto e João Marques dos Santos, transcrito do Jornal o Monitor de setembro de 2012, com informações de Ivo Amaral.

Fotos: (1) - Anita da Mota Valença, Padre Adelmar e Arminda  em 30 de novembro de 1998. (2) - D. Anita Valença na década de 1940.

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"A alegria está em tudo; precisamos saber extraí-la." ( Kong-tsé , mais conhecido como Confúcio [551-479 a. C.], filósofo chinês).