quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

Espaço Cultural Luís Jardim


O artista plástico Armando rocha, vivendo em Garanhuns há mais de 3 anos, entregava ao prefeito Ivo Amaral, em junho de 1991, a monumental escultura construída no Espaço Cultural Luís Jardim, em frente ao painel da História de Garanhuns, realizado pelo artesão, transformando em um ponto turístico da Cidade Serrana.

A escultura refere-se a um escravo, figura que participou da origem de Garanhuns, de proporções volumosa, pois, de semblante fortemente melancólico, ostentando nos braços uma placa de mármore, nela gravando um poema de Manoel Bandeira, alusivo ao pintor, poeta, escritor e escultor Luís Jardim.

Sobre o trabalho do edil garanhuense, disse Armando Rocha: "Acho muito louvável a atitude do prefeito Ivo Amaral, e a força do secretário,  João Inocêncio, em cultuar esta cidade, colocando em pontos transitáveis, gigantescas obras de arte, aumentando assim o fluxo turístico, e o desenvolvimento cultural da população de Garanhuns".

Sendo um autodidata, Armando Rocha, começou a trabalhar aos 15 anos, no atelier de Adão Pinheiro e Ipiranga Filho, criando e executando estamparias artísticas. Aos 17 anos  trabalhou com o marchand Carlos Ranulpho, pintando já o seu próprio estilo e confeccionando serigrafias de  artistas como Wellington Virgolino, Lula Cardoso Ayres, Reynaldo Fonseca, e o que um ano depois veio a ser seu mestre, Francisco Brennand, que ficou admirado pela sua perspicácia num trabalho que fez do mestre com tal exatidão, que o mesmo confessou só ter distinguido pelo cheiro da tinta, e o convidou de imediato a trabalhar em seu atelier com o qual conviveu dos 18 aos 30 anos.

Disse ainda o artista: "Naquele tempo sagrado das artes, foi onde arguciei a minha percepção e sensibilidade, que antes estava 60% sufocada pela futilidade e insensatez da civilização".

Armando Rocha,  relembrando o passado afirma: "Ao longo desses 12 anos , vivíamos como verdadeiros monges, sem a escravidão do relógio ou do calendário, pois, não existia meio dia ou meia noite, nem domingo ou segunda-feira, só a arte. Desenhar, pintar, esculpir, gravar, imprimir, modelar, criar, ler sobre arte, ouvir música clássica ou erudita, meditar".

O artista vivia um ambiente totalmente antagônico a rotina, ao tédio ou cansaço, desenvolvendo consequentemente um trabalho cheio de entusiasmo, preparando-se para um futuro, cujos frutos foram surgindo gradativamente.

Um ambiente que oferecia condições para o desenvolvimento de suas aspirações artísticas, e o escultor chega a afirmar: "Tínhamos muitos debates com artistas nacionais de várias gerações, de Volpi a Siron Franco, escritores e sociólogos como Ariano Suassuna, Gilberto Freyre, no seu tradicional casario de Apipucos, saboreando inclusive um saboroso licor de pitanga".

Recebeu um presente importante, o livro "Iniciação a Estética", de Ariano Suassuna, quando da  vivência salutar dos bons tempos culturais.

Fotos: (1) - Artista Plástico Armando Rocha (2) - Espaço Cultural Luís Jardim / Créditos da foto: Fotolog.

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