quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Fazenda Brejo


Clovis de Barros Filho*

São Paulo (SP) - O Brejo, hoje mais conhecido como Hotel Fazenda Brejo distante talvez uns 4 km da Vila da Prata terra onde nasci e passei toda infância. Na foto do começo dos anos 60, eu com meus 7 anos ladeado pelo proprietário padrinho Odon sua companheira inseparável a pequinês Juju e João Machado, um amigo, descascando o milho para a pamonha.  O Brejo era um dos lugares preferidos onde ia muitas vezes já que o proprietário era meu padrinho o Sr. Odon Pinto Teixeira. O Brejo era ( e continua sendo) um paraíso. Clima agradável mesmo no verão, muita água puríssima que vinha da serra, vegetação quase intacta e com uma fauna bem diversa e preservada com destaque para os pássaros. A subsistência dos locais vinha quase toda do que lá a natureza oferecia. Os doces de madrinha Alice eram uma delícia com destaque para os de leite e os doces de jaca dura, caju, mamão verde e goiaba. O almoço na semana então era um banquete. Você podia escolher uma peixada de traíra ao leite de coco, pescada fresquinha no lago que existe lá até hoje acompanhada de inhame, um guizado de carne de porco, buchada , carne de bode  e às vezes peru recheado. Tudo preparado por  dona Pedrocina que era a cozinheira de confiança da minha madrinha. Eu chegava lá pela manhã e só ia para casa à noitinha.

Mais o Brejo não era só um sítio onde se plantavam e colhia milho, café ou uma fazenda leiteira. Lá também era o local preferida para os políticos comemorarem suas vitórias ou lamberem suas feridas nas derrotas. Lá se conspirava, se delineavam estratégias para campanhas políticas e se recebia gente muito importante. Padrinho Odon foi vereador da Prata pelo PSD.  Lá mesmo no Brejo recebeu várias políticos de peso como seu amigo o Deputado Federal Adelmar da Costa Carvalho cujo nome empresta ao estádio da Ilha do Retiro pertencente ao Sport, além do seu genro Roberto Phaelante da Câmara que na época deputado estadual. Quando esses políticos iam ao Brejo eu era o primeiro a chegar, pois sabia que muitos presentes eles trariam do Recife para dar às crianças. Além do mais  eram dois a três dias de muita movimentação local e comida gostosa, whisky  White Horse com gelo e água de coco. 

Muito anos depois já em São Paulo tive a alegria e a honra de receber em casa meus padrinhos Odon e Alice para um almoço. E foi durante esse almoço que eles me falaram que tinha vendido o Brejo e que agora o mesmo havia se transformado pelo novo proprietário num hotel fazenda. Já em 2015 estive lá visitando o local para matar a saudade e felizmente o novo proprietário manteve as instalações intactas e preservou muito bem o local. Em suma, o Brejo agora Fazenda Brejo é um lugar que continua muito bonito e aprazível  valendo à pena ser visitado.

*Clovis de Barros filho nasceu na Serra da Prata (Iatecá). Estudou no Colégio Diocesano de Garanhuns do Admissão ao Científico onde concluiu em 1968. Reside em São Paulo desde 1970. É Licenciado e Bacharel em Química Industrial pela Universidade de Guarulhos e Químico Industrial Superior pelas faculdades Osvaldo Cruz - SP.

Foto: Fazenda Brejo na década de 1960 - Sr. Odon Pinto, Clovis de Barros e João Machado. Créditos da Foto: Clovis de Barros Filho.

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