sábado, 1 de janeiro de 2022

Francisco Grossi "Chicó"


O homem conquista o respeito pelos seus atos. A capacidade de criar é uma filosofia de trabalho. O aperfeiçoamento na execução de lucros e perdas. Suas atividades se integram com o pioneirismo de suas ideias. A visão panorâmica das coisas induz o seu comportamento psicológico. Coloca-se acima das mediocridades e por essa circunstância, nem sempre é apreciado. Restrições sempre aparecem. É forma indispensável aos que se  acomodam. Na medida de suas possibilidades, supera o meio. Os incapazes muito se limitam aos elogios fáceis. Os motivos que determinam as rações dos valores morais, são bases sólidas do bem estar da comunidade. Só esse  estado é digno de respeito. Os que  observam os efeitos das causas sociais, sabem disso. A vida é um estado de aprimoramento. O moral e intelectual importam muito, nesse sentido. Nesse processo e transformação é radical. Amor por princípio e a ordem por base, o progresso por fim. Viver para outrem.

Pátria, humanidade e família como ponto central. O mundo espiritual não ignora as nossas pretensões. O nosso mundo interior é sempre presente. A sua fórmula sem sempre permanece oculta. Ela se revela pelos seus atos. Poucos são os que não vacilam. Que se podem considerar como realmente indispensável à humanidade.

Não é fácil por intermédio de um culto se representar todas as religiões. Há muitas maneiras de fugas e variados meios de proclamá-las. O mundo intelectual, para muitos, representa a projeção do eu. Por isso não se renovam. Não passam de um mecanismo de repetição. Os que mentalmente acompanham os nossos vultos, já alcançaram que o nosso fim, é convocar a atenção, no sentido de constatar valores humanos. Não basta ser velho, ter nascido em Garanhuns, ter sido vereador. Ter pronunciado discursos na Praça Pública, para ser considerado vulto da nossa cidade. Esse pedestal pertence por direito, aos que se comportaram no sentido de revelar o seu esforço, olhando sempre para o alto. O magano é ponto de referência.

Francisco Grossi conhecido por  "Chico", filho de Raquel sua mãe e mestra. Italianos de origem, em tempos idos escolheram a nossa terra para viver com dignidade. A velha Raquel Grossi foi proprietária do antigo Hotel Familiar, perto da Catedral. Foi  por seu intermédio, adquirido o mencionado prédio, onde nasceu o Colégio Diocesano de hoje. Ele fundou e construiu o "Cinema Grossi", que  funcionou por muitos anos, onde hoje é uma  das casas de José Araújo. Era muito frequentado. Importante casa de diversão na época. Logo na entrada ao lado da bilheteria funcionava a segunda classe.

Dona Raquel comandava o movimento. A projeção começava e ela recebia os ingressos de quem podia pagar. Os que não podiam ficavam esperando uma oportunidade. Naquele tempo existiam tipos populares muito respeitados pelas façanhas. Amarelinho, Sarará, Joaquim de Madalena e muitos outros que dominavam o submundo da malandragem. A máquina rodava a fita e a ânsia dos miseráveis começavam a dominar, os que não podiam comprar bilhete ficavam olhando por baixo do pano. Momento em que  a Velha Raquel obedecendo a liberalidade de seu coração dizia para os  pobres: "entre me fí, entra, não paga nada". E tocando com a mão nas costas de cada um repetia carinhosamente, entra me fí. E assim todos assistiam ao Cinema Grossi graças a boa vontade e compreensão da Velha Raquel. Seu filho "Chicó", era um homem voltado para o progresso de  seu cinema. Gostava da arte e era um grande fotógrafo.

A arte para ele era uma das formas de educar o homem. No seu santuário doméstico a sua profissão era venerada. As comemorações mais importantes da vida pública da cidade. Acontecimentos e desfile cívico, festas populares eram registradas para história.

Falava-se que estava filmando os recantos da nossa cidade. Não o conhecemos de perto. Contudo, o seu porte e as suas atitudes eram dignas. Participou ativamente da vida política de Garanhuns. Foi secretário do Deliberativo Municipal, cujo presidente era o coronel Joaquim Barreto Coelho. Esteve sempre presente a  todos os acontecimentos políticos e sociais de alto porte. O palco do "Cinema Grossi" era o ponto culminante de reuniões e festas literárias da terra de Simôa Gomes.

Simpático, gostava do diálogo e não se afastava do círculo de suas relações. Não sabemos se era casado. Talvez tenha sido um ser ímpar. 

Francisco Grossi, italiano, filho de Dona Raquel, foi um dos amigos da terra das sete colinas. Foi quase pioneiro do Cinema e da arte de filmar aqui na gleba que escolheu para viver. Os pêsames da sociedade e as lágrimas da família juntaram-se como orçamento de saudade de uma vida que  terminou. Seus restos mortais foram sepultados na terra que ele amou. É portanto, um dos vultos da nossa cidade.

*José Francisco de Souza / Grandes Vultos de Garanhuns / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 4 de abril de 1981.

Foto: Chicó Grossi no casamento de sua sobrinha Albina Blazio. Chicó está à esquerda do noivo.

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