sábado, 1 de janeiro de 2022

Frio da Serra


Luzinette Laporte de Carvalho*

O poeta cantou: "Frio de Serra, no mês do frio/envolto em  ondas de névoa, o luar"...

O frio queima a alma e a pele. Quem não pode tomar um chocolate vai de café com um pouco de conhaque. Luvas, mantôs, sapatos fechados, meias de lã. Mas também é bom (ótimo) ler, e ouvir Chopin (noturnos e estudos, prelúdios e valsas. Tudo vale em Chopin sem bem executado).  Bache e Paganini. Beethoven. Canto Gregoriano. Músicas que relaxam e aquecem o coração, a mente, a alma.

Tardes de sol. Vale a pena mergulhar nas tardes azuis e douradas. As flores transidas. Os eucaliptos e pinheiros assim como as casuarinas e os bruxos altivos, dizendo para todos: "Não sou dos trópicos, sou de áreas frias, sinto-me bem aqui, nesta terra do Nordeste". O violão dedilhado, tocando Villa-Lobos. Ou as Serenatas Imortais. Tudo fala melhor, no silêncio que o frio impõe. Afinal, a não ser durante o FIG quem é maluco de sair? As ruas estão desertas. (Como as ruas da Finlândia, quase em inverno, à tarde, à tarde. Raras pessoas e um guarda-de-trânsito, na rua sem trânsito, tomando, com delicadeza, o braço de uma brasileira, fazendo-a respeitar a faixa de  pedestres).

A música leva-nos a todas as áreas do mundo. (No coração e na mente, o espanto de ver lado-a-lado dois grandes (em cinismo e prepotência) chefes de estado querendo fazer crer que a mentira é a verdade. Cristãos. No entanto, Jesus disse: "O demônio é o pai de mentira." Cristãos. De quem são filhos?) Esgotaram-se os discos. Miscelânea. É hora de retornar as atividades.

*Escritora e professora / Jornal O Século.

Foto: Parque Euclides Dourado em Garanhuns / Guia Garanhuns.

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