sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

Garanhuns Antiga


CAFÉ DE BREJÃO O MELHOR DO MUNDO NO MERCADO FRANCÊS - As fazendas dedicadas a pecuária, produziam gado de corte, que eram enviados para o abastecimento da capital e  seus embarques nos vagões dos trens, era motivo de festa  para a meninada assistir. O ensino mesclado de uma plêiade de estrangeiros, tornou-se da  melhor qualidade, sendo disputado pelas famílias abastadas de todo Nordeste. Primeiro os americanos do Colégio Quinze que aqui implantaram a doutrina Luterana com bastante competência. Depois Salesianos do Diocesano, as freiras francesas do Santa Sofia, as belgas das Mercedárias, os holandeses redentoristas, os espanhóis do Mosteiro de São Bento, como se não bastasse, escolas de línguas, como espanhol, francês, inglês, latim, música canto orfeônica,  balé, piano, boas maneiras e tantas outras.

As Mercedárias dedicaram-se a preparar as adolescentes, sem residência ou filhas de famílias pobres que eram internadas em seu Convento, sito ao final da rua São Miguel, para prepará-las em todos os seus afazeres domésticos, inclusive em outros idiomas, para servirem as famílias dos senhores de então. E em muitos casos, para seguirem para outros países, com os quais os produtores de café tinham transações comerciais.

'CAFÉ DE BREJÃO' O MELHOR DO MUNDO NO MERCADO FRANCÊS, COM OPOSIÇÃO DE PLACA COMEMORATIVA NO CENTRO DE PARIS

Tudo com a finalidade de sobrepujar o ensino americano no baseado tecnismo e imediato próprio daquela cultura. A cultura europeia, tornou-se exemplar na fundamentação do conhecimento humano como um todo. Tornando-se os seus seguidores capazes  de se relacionarem com inúmeras outras raças, culturas e com  tudo o que apresentava, àquela época, em forma de conhecimento e de desenvolvimento. Toda esta cultura farta, tinha o seu respaldo no produto básico, o café, que por si só, dava para sustentar todo este aparato chegando a conquistar o título de melhor café do mundo no mercado Francês, com oposição de placa comemorativa no centro de Paris, onde se lê: "Café de Brejon".

Por todo este desenvolvimento e principalmente pelo seu nível educacional. Garanhuns passou a ser  conhecida como "Suíça Pernambucana". Não foi simplesmente pelo seu frio com características europeias, mas pelo seu nível cultural. Naquela época os colégios ensinavam onze matérias no seu currículo e entre elas, cinco línguas. Estava então evidente que seu grau de ensino se encontrava ao nível dos melhores educandários do país e do exterior. Seus mestres como Professor Uzzae Canuto, Ageu Vieira, Ivonita Guerra, Spack, Bil, Luzinette, Dom Prior, Dom Jerônimo, Dom Gerardo Wanderley, Dom Acácio Alves, Manuel Lustosa, Maurilo Matos e tantos outros, que com  abnegação e sacerdócio, mantinha este alto nível de ensino. Não foi em vão, que grandes nomes da sociedade brasileira passaram pelos bancos dos nosso colégios, cujo, um deles, o lema é: "In Altere Semper".

Esta posição de privilégio teve uma duração de várias décadas com Garanhuns mantendo o padrão do seu ensino e do seu produto bem mais elevado do que de outras regiões do Nordeste, causando, as vezes, inveja de todos os municípios do Estado.

Na área de lazer, por força de uma arrecadação forte, tínhamos em funcionamento, três cinemas, o Eldorado, no bairro de Heliópolis, o Glória, e o Cine Jardim, no centro da cidade. E, um deles, com tela em Cinemascope e som de Alta Fidelidade (Hi-Fi), o Cine Jardim, com capacidade acima de quinhentas pessoas bem  acomodadas. Três grandes clubes sociais, AGA, Sport  Clube de Garanhuns e União Futebol Clube, cada qual com a  sua respectiva classe social. Equipes de futebol, além desses três, tínhamos o Sete de Setembro, o Arraial, O Salg (Serviço de Água e Luz de Garanhuns), com os quatro primeiros já profissionalizados. O Colégio Quinze que construiu a primeira quadra coberta do interior do Nordeste, a qual era palco da melhor equipe de Basquetebol formada por alunos de colégios, do Norte/Nordeste. Uma orquestra de primeira qualidade e vários conjuntos musicais. As irmãs Aciom e os Uirapuras. O Trio Nordeste, A Banda de Pífano do Castainho, o Mateu de Seu Duda Maleiro e outras troças carnavalescas, até como o Vassourinhas de Agenor Ford. A primeira emissora de rádio do interior do Estado, implantada pela organização Jornal do Comércio em cujo palco se apresentavam os  melhores artistas do cenário nacional e o nosso inesquecível  Augusto  Calheiros e todos estes artistas citados. Motivo de aglomeração às portas da Rádio Difusora, aos sábados à tarde, para os programas de auditório, animados por Erasmo Soares e Mauricio Acioly.

Fonte: Acervo Memorial Ulisses Viana de Barros Neto. Não foi possível identificar o autor do texto. 

Foto: Reportagem sobre Garanhuns nos anos 1950. Durante o mandato do prefeito Francisco Figueira (1955-1959). Garanhuns figurou entre os dez (10) municípios mais desenvolvidos do País.

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