domingo, 30 de janeiro de 2022

Antônio Galindo e Arthur Maia

José Rodrigues da Silva* 

Nas vizinhanças da Vila de Cimbres, na pequena de cidade de Alagoinha, pedaço seco de Pernambuco, nasceu o poeta Antônio Galindo. A seca peculiar à região obrigou o afastamento definitivo do mavioso vate. Nos idos  de 1920 chegou à Terra das Sete Colinas aquele que iria cantar e decantar em  versos maviosos a beleza impar do rincão pernambucano que se chama Garanhuns.

Galindo foi o poeta da  tristeza. Deixou transparecer através de magníficos sonetos a dor que lhe  esmagava o coração. Era um  homem triste, não sabemos a razão. Nunca contou, nem aos mais confidentes amigos, o motivo de sua  tristeza. Preferiu descrever em versos maravilhosos como os que vemos abaixo, a dimensão da chaga que lhe corroía o peito.

Peço guardar com carinho

Estes meus versos sem cor...

São da minha alma o rebento,

Flores do meu pensamento, 

Reflexos da minha dor.

São flores do pensamento,

Das sementes do passado;

De um oculto sentimento,

De um pesar dissimulado,

Fingindo contentamento.

Com estas duas estrofes, Galindo dava início ao livro de sua autoria, intitulado "A Justiça do Tempo e Outros Poemas". Fervoroso admirador do também poeta Arthur Brasiliense Maia, Galindo, a exemplo do Mestre na arte de fazer versos, criava para suas composições uma sublime maneira de chorar cantando. Vejamos como os vates se assemelhavam -: Arthur Maia, no célebre soneto "O Sapo", fez esta composição: O Sapo  irmão gêmeo do poeta aspira sem poder ir à eternidade. Antônio Galindo, nos tercetos do soneto Somos Iguais, assim se pronuncia:

Deste-nos frutos sempre a vida inteira,

Resistindo ao furor dos vendavais.

Somos em tudo irmão, velha mangueira!

Eu, como tu, recebo a ingratidão

De tudo quanto fiz... e vejo então

Nossos destinos puramente iguais.

Ai, está, portanto a semelhança entre os dois  gênios da poesia. Dois grandes mestres na arte de fazer versos, ambos quase esquecidos. Embora, tanto Antônio Galindo, quanto Arthur Maia tenham erguido um grande monumento no mundo das letras de Garanhuns, quase ninguém se lembra deles, especialmente do primeiro. Infelizmente, são sempre lembrados e agraciados aqueles que  pouco ou nada fizeram. Pouca gente tem se lembrado de quem somente pensou na grandeza do torrão natal.

Aos grandes Mestres do Parnasianismo, Arthur Maia e Antônio Torres Galindo no ano do Centenário de Garanhuns, dedico este humilde trabalho, que por certo lembrará estes dois grandes poetas.

*Jornalista, historiador e professor | Garanhuns, 10 de Fevereiro de 1979. Foto: José Rodrigues da Silva.

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