sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

História de Agrestina

Na descrição que fizemos sobre a partilha amigável da Fazenda Nossa Senhora do Ó, entre os herdeiros da falecida D. Josefa Maria do Ó, dissemos que uma parte das terras chamadas Agreste havia ficado na meação do  seu viúvo Coronel Cristóvão Pinto de Almeida, por então se achar em litígio. Dissemos mais que com o falecimento do referido Coronel, que havia contraído segundo matrimônio com D. Maria do Rosário de Almeida, a situada parte ficou na  meação de sua viúva que dela fez doação à sua filha D. Inácia Tereza do Nascimento, como dote do seu casamento com Antônio José Martins, cujo casal vendeu com a denominação aparente de "Bebedor das Queimadas", em 4 de Fevereiro de  1872, ao alferes João Pereira Bezerra, casado com D. Ana Joaquina de Jesus. Também dissemos que o casal deste comprador separou do "Bebedor das Queimadas" a metade do Brejo denominado terras vermelhas nestes termos, em 22 de Fevereiro de 1799, vendeu ao Capitão Luiz Carneiro dos  Santos e Miguel Gonçalves este moradores na Ribeira do Ipojuca no lugar Caruru do termo da cidade de Olinda. Em 27 de Setembro de 1788, o "Bebedor das Queimadas", já havia se transformado na "Fazenda do Bebedor" e, naquela data, nela se realizou o primeiro casamento, conforme assento que a seguir vai copiado na íntegra.

"Aos vinte e sete de Setembro de mil setecentos e oitenta e oito em desobriga na Fazenda do Bebedor depois de corridos os banhos e feitas as  diligências do estilo e dispensados no terceiro e quarto grau de sanguinidade, se receberam por palavras de presente em matrimônio Domingos José, filho de José Ferreira e Reinalda da Silva com Maria José do Rosário filha legitima de José Ferreira dos Santos e Maria Gomes da Silva na minha presença e das testemunhas José dos Santos e Manoel Ignácio dos Santos casados e moradores nesta freguesia. E logo receberam as bênçãos como dispõe a Santa Igreja Romana. De que para constar mandei fazer este termo que assigno Fabiano da Costa Pera. Cura dos Garanhuns".

Em 1812 já os atos religiosos se realizavam na "Casa de Oração do Bebedor" conforme assento que a seguir vai transcrito na íntegra:

"Aos vinte e seis de Novembro de mil oitocentos e douze na casa de oração do Bebedor desta Freguesia de Santo Antônio de Garanhuns depois de aver banhos corridos feitas as mais diligencias do costume sem que  rezultasse empedimento algum de minha licença em prezença do Reverendo Dom Felippe de Leo e das testemunhas o Alferes Jacinto Theodoro de Mello, João Baptista Pereira cazados, e mais pessoas todas minhas paroquianas se receberão em Matrimonio com palavras de presenta  Vicente Ferreira da Silva filho legítimo de Manoel Gonçalves e de Anna Maria ambos falecidos naturais da Villa de Goiana com Maria dos Prazeres filha legítima de José Correia de Vasconcelos e de Anna Maria já falecida, ambos os nubentes moradores neste Freguesia e logo lhes dei a bênção do estilo na forma do Sagrado Concilio Tridentino. E mais não continha na certidão do dito reverendo e nos banhos. Do que para constar mandei fazer este assento em que me assignei. O Vigº João da Silva Fonseca".

Quatro anos depois, como veremos no assentamento a seguir, já a referida casa de oração havia sido transformada na Capela do Bebedor.

"Aos tres de Novembro de mil e oitocentos e dezesseis na Capela do Bebedor, desta Freguesia de Santo Antonio de Garanhuns depois de haver  banhos corridos feitas as mais deligencias do costume sem que resultasse empedimento algum de minha licença do Reverendo Dom Felipe de Leo, e das testemunhas José Pedro de Mello, cazado e Francisco José casado e de várias pessoas todas minhas parochianas se receberão em matrimonio com palavras de presente Reinardo Gomes da Silva viuvo que ficou por falecimento de Anna Rosa da Silva com Antonia Maria filha de legitima de Bernardo Alvares da Silva já falecido e Maria José da Silva todos naturais e moradores desta Freguesia e lhe deu a bênção do estilo na forma do Sagrado Concílio Tridentino, e mais não continha na certidão do dito Reverendo e dos Banhos, do que para constar mandei fazer este acento e me assignei. O Vigº João da Silva Fonseca".

E para que não se venha supor que o citado "Bebedor" não tenha sido que depois foi "Bebedouro", que é hoje a florescente cidade de Agrestina, transcrevemos a seguir outro assento de casamento realizado em 1º de Fevereiro de 1818:

"Ao primeiro dia de Fevereiro de mil oitocentos e dezoito a hora de meio dia na Capela de Santo Antonio do Bebedouro desta Freguesia de Garanhuns depois de haver banhos corridos e terem-se dispensados os nubentes no impedimento em que se achavam ligados feitas as mais  diligencias de costume sem que resultasse em impedimento algum de minha licença em presença do Reverendo Fidelis da Rocha Preto e das testemunhas Antonio Ferreira Calado, solteiro e Theotonio Gomes da Silva, solteiro e de várias pessoas todas minhas parachianas se receberam em Matrimonio com palavras de presente Belchior Leite do Amaral viuvo que ficou por falecimento de Maria Madalena da Silva com Maria Cherobina da Fonseca Galvão viuva que ficou de José dos Santos ambos os nubentes naturais e moradores nesta Freguesia e mais não continha na certidão do ditto reverendo e dos banhos. Do que para constar mandei fazer este acento em que me assignei. O Vigº João da Silva Fonca".

Nesta "Capela de Santo Antonio do bebedor desta Freguesia de Santo Antonio de Garanhuns", foram realizados até o ano de  1820, e de 1829 até dois de Setembro de 1837, quando depois passou a ser filiada a Matriz de Nossa Senhora do Altinho, então criada e desmembrada da de Garanhuns, nada menos de 185 casamentos.

Durante esses dois períodos, a Capela foi dirigida pelos padres: Dom Felipe de Leo. A quem se pode atribuir a construção da mesma, Joaquim Pedro de Almeida, José Atanásio de Jesus e Francisco José Rosa Lagoa.

A povoação que em torno da Capela se formou, passou a ser chamada Bebedouro e como foi elevada à Categoria de Vila, com a criação do seu Município, em 1º de Junho de 1909, e é hoje a Florescente cidade de Agrestina. (Foi mantida a grafia da época).

*Alfredo Leite Cavalcanti (foto) / Escritor, pesquisador, músico e historiador / História de Garanhuns - Volume II / Garanhuns, Fevereiro de 1973. Mantida a grafia da época.

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