quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

História de Brejão, PE - Parte I


Na sesmaria concedida ao Mestre de Campo Nicolau Aranha Pacheco e outros, em 22 de dezembro de 1658, entre os sítios organizados, foi o da Sambaiba, comprado pelo Coronel Manoel da Cruz Vilela, por escritura pública lavrada na vila de "São Francisco da Barra do Sergipe do Conde", em 20 de novembro de 1704, a dona Madalena Clara Pereira, Curadora do seu marido o Alferes Nicolau Aranha Pacheco e Albuquerque, herdeiro do sesmeiro, pela quantia de trezentos mil réis, conforme se lê no livro número 11, folha 44, do 2º Cartório de Garanhuns.

O território do referido Sítio, ao tempo da sua compra, começava onde o Repartição faz barra no Rio Mundaú e pelo Riacho acima, se dividia com o Sítio do Buraco até o confronto da barra do Riacho Araçá, de onde prosseguiu pelo Riacho Repartição até a sua nascente principal e dai até o Riacho Seco, dividindo-se com o Sítio do Saco, indo pelo Rio Mundaú abaixo até encontrar a Confraria dos Burgos, já então de propriedade do mesmo comprador e limitando, pelo leste e pelo sul com o Riacho Seco. Esse território é, quase todo o que compõe o Município de Brejão.

Posteriormente à compra do Sítio Sambaiba, no seu território, foram se organizando outros sítios entre os quais foi o de Brejão cujo proprietário que ignoramos, na sua sede, fincou uma cruz e, tempos depois, em frente a ela, foi erigida uma capela sob o orago da Santa Cruz, já existente em 1852, na qual o seu capelão, Padre Francisco do Rego Baldaia, em 25 de fevereiro daquele ano, efetuou o primeiro casamento cujos nubentes foram: Severino Gomes da Silva e sua prima dona Teodora Maria da Conceição; ele filho do casal José Felix Barreto e Josefa Gomes da Silva e ela filha do casal Pedro Francisco de Vasconcelos e Maria do Rosário. Dai por diante muitos outros casamentos foram realizados na Capela da Santa Cruz, pelo Capelão, como, por exemplo, foi o de José de Barros de Araújo, filho do casal Antônio Dias da  Silva e Senhorinha Maria das Virgens, com dona Josefa Maria de Jesus, filha do casal Antônio de Amorim Souto e Elena Maria de Jesus, aos 22 de novembro de 1857. Nesta mesma data realizou-se o casamento de Antonio Valentim de Barros, filho do casal João José de Araújo e Izidória Francisca de Barros, com sua prima Izabel Ferreira de Barros, filha do casal José de Barros Silva e Úrsula Maria das Virgens, e assim por diante.

Quando em 1883, a povoação do Corrente, sede do segundo distrito de Garanhuns, dele se desmembrando para tornar-se o seu próprio Município, instalado naquele ano, a povoação da Palmeira (Palmeirina) sede do Terceiro Distrito, a substituiu na categoria, e a do Brejão de Santa Cruz, formada em torno da respectiva capela, passou a sede do terceiro Distrito criado naquele mesmo ano.

Brejão foi criado em dezembro de 1908 com a denominação de Brejão de Santa Cruz, integrando o território do município de Garanhuns.

Distrito criado com a denominação de Brejão de Santa Cruz, pela lei municipal nº 42, de 22 de dezembro de 1908, subordinado ao município de Garanhuns.  Alteração toponímica do distrito de Brejão de Santa Cruz para Brejão entre 1936 e 1937. 

No distrito composto de um território fertilíssimo para a agricultura, principalmente o café, verificado nas primeiras colheitas deste produto a sua  superior qualidade, foram se fundando fazendas que se multiplicaram, o que  mais contribuiu para o crescimento da sua população e sua riqueza, assim como para o progresso da sua sede, o que muito facilitou a sua emancipação.

Pela Leu número 3.337, de 31 de dezembro de 1958, o Distrito foi desmembrado de Garanhuns, transformando-se em Município Autônomo em 1º de março de 1962, com o seu prefeito provisório, o cidadão José Custódio das Neves, que o governou até 15 de novembro do mesmo ano, quando passou  o governo ao primeiro prefeito eleito, Luiz Ferreira de Barros. Administrativamente, Brejão é formado pelo distrito sede e pelo povoado de Santa Rita. 

A Comarca de Brejão, também criada pela citada Lei, foi instalada, solenemente, pelo seu primeiro Juiz de Direito, o Dr. Jáder Jordão de Vasconcelos, e, 8 de junho de 1962, abrilhantada com a presença de muitos cidadãos de grande relevo social, de fora foram: o Exmo. Revmo. Dom José Adelino Dantas, Bispo da Diocese; Pedro de Souza Lima, Prefeito do Município de São João; Dr. Edgar Bezerra Leite, Deputado Federal; Dr. Uzzae Canuto, e muitos outros; e do novo Município os cidadãos: José Custódio das Neves - Prefeito; Dr. Jairo Rocha Ferreira - Promotor Público; Boanerges Cerqueira, Delegado de Polícia; Mário da Silva Souto, Abelardo Ramos da Costa, e muitos outros.

O referido Juiz de Direito, já no dia 4 do mês, havia empossado os serventuários seguintes: Francisco Ferreira Lopes - Tabelião; Sebastião Leite Cavalcanti - Oficial do Registro Civil; José Dias da Silva - Avaliador Judicial; Marcelo Teixeira de Araújo - Partidor e Contador e Pedro Viana de Carvalho - Oficial de Justiça e Porteiro dos auditórios.

Para formar o primeiro governo constitucional do Município, nas eleições que se realizaram em 7 de outubro de 1962, inscreveram-se como candidatos ao Poder Executivo, os cidadãos: Luiz Ferreira de Barros e José Dias da Silva, e para o Legislativo os cidadãos: José Osório de Barros, Agilberto Bento de Moraes, Mário da Silva Souto, Antônio Lopes Ferreira, Horácio Eulálio Rodrigues. Teotônio Ferreira dos Santos, Joaquim Fausto Sobrinho, Joaquim Alexandre da Silva, Hélio Leite de Araújo, José Rodrigues Alves. Manoel Barbosa Calado, Maria do Espírito Santo, Valdomiro Siqueira Pinto, Lindelberto Monteiro de Vasconcelos, Abel Pinto de Barros, João Raimundo da Silva, Hermínio Trajano de Gois e Epifânio Bispo Monteiro. Realizada as eleições saíram eleitos os candidatos seguintes: Para Prefeito Luiz Ferreira de Barros, com a maioria de 03 (três) votos sob o competidor, José Dias da Silva. Para vereadores: José Osório de Barros, Horácio Eulálio Rodrigues, Antônio Lopes Ferreira, Mário da Silva Souto, Agilberto Bento de Moraes, Manoel Barbosa Calado, Maria do Espírito Santo, Valdomiro Siqueira Pinto e Joaquim Fausto Sobrinho. 

A posse dos eleitos foi realizada em 15 de novembro do mesmo ano e a Câmara dos Vereadores foi assim organizada: Presidente - Mário da Silva Souto; vice-presidente - José Osório de Barros. Primeiro e segundo  secretários - Agilberto  Bento de Moraes e Antônio Lopes Ferreira, respectivamente. Pouco tempo depois, para assumir  um cargo na Superintendência da SUDENE, o primeiro secretário renunciou à sua cadeira sendo substituído pelo suplente Teotônio Ferreira dos Santos.

Primeiros Prefeitos que governaram o Município de Brejão:

1º - José Custódio das Neves (Nomeado)

2º - Luís Ferreira de Barros (1962-1966) - 1º Prefeito eleito.

3º - José Dias da Silva (1967-1970)

4º - Manoel Barbosa calado (1969-1972)

5º - João Cabral da Silva Filho (1973-1976)

6º - José Lopes Ferreira (1977-1982) - substituído pelo seu irmão e secretário executivo, Nivaldo Lopes Ferreira

7º - André Luís Pinto Cabral (1983-1988)

8º - José Cadengue de Lira (1989-1992).

9º - Miguel Carlos Calado Torres (1993-1996)

Fonte: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/pernambuco/brejao.pdf

Alfredo Leite Cavalcanti / História de Garanhuns / Volume II / Garanhuns, Fevereiro de 1973

Fotos: (1) - José Dias da Silva - Segundo prefeito eleito de Brejão (1967-1970). (2) - José Osório de Barros. (3) - Maria do Espírito Santo.

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