sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

História de Canhotinho

Alexandre Muniz de Melo, perfilhado e herdeiro do capitão Antônio Vieira de Melo, casado com D. Rosa Benta Joaquina, cujo casal vendeu a José das Neves Camelo, casado com D. Ana Gomes das  Neves aquela porção de terras com os seus respectivos limites, em 26 de Maio de 1791, que posteriormente foram denominados Sítio do Canhoto.

Após as vendas de sítios que se organizavam nas referidas terras ficou a propriedade reduzida a uma pequena área, razão porque atribuímos a denominação de Canhotinho.

Com a população do Sítio Canhoto e dos da redondeza sempre crescente, nele realizavam-se casamentos, como foi o de José das Neves Camelo, filho do casal proprietário com D. Manuela Maria de Oliveira, filha do casal Gerônimo Mendes da Paz. Catarina Maria de Jesus efetuado em 16 de Janeiro de  1816, por Frei José de Santa Tereza.

No ano de 1819, já eram celebradas missas, batizados e casamentos no "Oratório pertencente a Antônio José de Azevedo no Sítio Canhoto" onde o mesmo frade, em 7 de Janeiro daquele ano, efetuou o casamento de Miguel Figuerôa Bezerra, filho do português João Caetano das Flores e de sua mulher D. Maria José, com D. Joana de Jesus, filha de João das Neves Camelo e de sua mulher D. Tereza.

"Ano do Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e quarenta e sete aos vinte e tres dias do mez de Janeiro do dito anno nesta fazenda do Canhoto termo da villa da Comarca de Garanhuns província de Pernambuco. Em caza de residência do dr. José Bernardo donde se achava o sub-delegado o cidadão Antônio de Paiva e Melo... Eu Lino Coelho da Silva Escrivão da Subdelegacia o escrevi".

Em 1852, já era iniciada a povoação que, pelo menos, até que foi instalado do município de São Bento (São Bento do Una), criado pela Lei nº 476 de 3 de Abril de 1860, desmembrado de garanhuns variávelmente chamado, tanto eclesiástica como oficialmente, Povoação da Volta, Povoação do Canhotinho, Povoação do Canhoto ou, ainda, Povoação do Canhoto, como demostraremos a seguir com a transcrição na íntegra de alguns tópicos de  documentos.

"Ilmo. Senr. Participo a VSa. q. nesta povoação no dia 16 de Abril pellas oras da noite o preto João escravo de Antº de viveris suaris e a mulher do dº preto parda forra de nome Maria madallena deram hua surra em Maria Luiza lhe fizeram várias contusões pelo rosto... Volta 17 de Abril de 1852 Ilmº Senrº José Bazilio de Freitas Peixoto Juiz M. Supte. Manoel Lucio de Lacerda e Azdº Inspetor da Povoação da Volta".

"Certifico que em virtude do Mandado Retro: do Snr. Juis Municipal fui a povoação do Canhoto e não achei a Manoel Caetano do Nascimento e nem a Manoel Severino dos Santos do que dou fé Canhoto 26 de 9bro de 1852. Em fé de verdade o official Hermenegildo Passos Américo".

"Mando a qualquer official de Justa, que ante mim serve, que vendo este meu mandado indo por mim assignado em seu cumprimento vá ao lugar do Canhotinho deste termo ahi faço notificar oito testemunhas que melhor deponham no  sumario ex-ofício... Assim o cumprão Garanhuns, 18 de julho de 1855. Eu Freº José Cordeiro dos Santos Escrivão o escreví".

Testemunhas

"José Vicente de Oliveira Lima casado natural da cidade de Maceió morador  no sítio do Riacho do Mel... pergutado se viu dois oficiais de justiça deste Juizo intimarem na Povoação de Canhotinho... Laurentino José de Freitas, natural da Villa "de Caruaru morador na Povoação da Volta vevi de negócio...  Francisco Rodrigues Porto natural da Villa de Caruaru morador na Povoação da Volta do Canhoto..."

"Aos vinte e oito do mez de Fevereiro do anno do nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil oitocentos e cinquenta e oito nesta Povoação de Canhotinho, presente o Juiz de Paz Antonio Lopes de Araujo comigo Escrivão do seu cargo abaixo assignados, os peritos notificados Paulino José da Silva e Antonio Taveira dos sentes, moradores nesta Povoação não sendo profissionais e as testemunhas presentes, Joam Roques Torres e Florêncio das Neves Camelo... Escrivão Joaquim Rodrigues que o escreví do que tudo dou fé - Araújo".

Os ofícios religiosos que eram celebrados em oratória particular passaram a ser "na capela do Canhotinho" que não obstante ser localizada no território da Freguesia de São Bento, criado pela Lei 309 de 10 de maio de 1853, permaneceu como filial da Matriz de Santo Antonio de Garanhuns, "até ser elevado à categoria de Matriz da sua própria Freguesia depois de 25 de Fevereiro de 1886, dirigida pelo seu capelão padre José de Lima e Silva. Nesta capela, às vezes chamada de "Canhotinho"" vezes de "Canhoto", o mencionado capelão efetuou quase todos os casamentos, em número de trezentos e onze a começar de 2 de Fevereiro de 1886, registrados em livros de assentos pertencentes aos arquivos pertencentes aos arquivos da Diocese de Garanhuns.

O distrito de Paz de Canhotinho, como parte integrante do distrito policial de São Bento, quando este, em 1860, se desmembrou do Município de Garanhuns, para formar o seu Município, com êle prosseguiu como um dos seus distritos, até que em 2 de Outubro de 1890 dêle se desmembrou para formar a seu próprio Município com a denominação definitiva de Canhotinho. (Foi mantida a grafia da época).

Alfredo Leite Cavalcanti (foto) / Historiador, pesquisador e escritor / História de Garanhuns / Volume II / Fevereiro de 1973. Foi mantida a grafia da época.

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