quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

História de Garanhuns


*Por Ígor Cardoso - Revista RUBER - Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns / 2018

Alfredo Leite Cavalcanti - Inscreveu seu nome, em bela caligrafia de época, no "Livro de Ouro" do "Panteão da Memória de Garanhuns" ao trazer a público, entre outubro de 1968 a fevereiro de 1973, os dois volumes de sua "História de Garanhuns" a "Bíblia" de nosso passado - monumental obra que já nasceu clássica, fruto de décadas de árdua e  diligente pesquisa em arquivos cartoriais e paroquiais.

Em 1979, nosso tio-avô, Humberto de Moraes, autor da melhor biografia a respeito do valoroso "historiador de Garanhuns", já enfatizava que, com seu par de tomos, impressos "só Deus sabe a custo de que sacrifícios", Alfredo prestara, sem dúvida, "a maior contribuição para a memória local e regional neste século XX".

Da mesma opinião, e com a autoridade própria a um intelectual de sua envergadura, partilhava Costa Porto, para quem o apaixonado garanhuense produzira, com um trabalho "sério, penoso e modelar de  pesquisa conscienciosa", "a mais completa e fidedigna fonte em que se  podem abeberar quantos desejem conhecer o passado mais remoto daqueles recantos".

Há exatos 50 anos, portanto, é dado aos historiadores e  pesquisadores de Garanhuns e de todo o Estado fruírem desse incontornável e seguro roteiro, legado por um abnegado e heroico pesquisador quase autodidata, imbuído apenas do amor por seu rincão, o qual, ainda no dizer de Costa Porto, generosamente "abriu as clareiras para a elaboração, pelos analistas de amanhã, da história das muitas comunidades" que estudou.

O Cinquentenário (1968-2018) da "História de Garanhuns" constituiria apenas um reforço adicional para que o primeiro "Preito de  Saudade" desta inaugural Revista homenageasse o baluarte-mor que foi Alfredo Leite Cavalcanti. O mesmo se poderia dizer do negligenciado transcurso dos 40 anos de seu falecimento, passado, sem homenagens oficiais, no dia 26 de dezembro de 2016 - lamentável reedição das cenas de 1976, que, a propósito, a presente publicação tenciona mitigar.

O fato é que Alfredo não necessita de pretextos para ser reverenciado. Trata-se, afinal, do patrono por excelência de nossa memória, e, portanto, de um dos lumiares máximos do Instituto Histórico, geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG).

Um monumento - qual sua obra - de garanhuense adotivo, conquanto dos mais modestos, cuja consagração facultaria à posteridade, porém que, ainda em vida, e desde a juventude, já lograva ser recordado como "o homem dos entusiasmos delirantes por tudo o que interessa a Garanhuns".

Sobre o "historiador de Garanhuns", além das excelentes fontes já citadas - Costa Porto e Humberto de Moraes -, escreveram, entre outros, Alberto Rêgo, Alfredo Vieira, Davi Lima, Ildefonso Lopes, João de Deus de Oliveira Dias, José Coelho Rodrigues, José Francisco de Souza, José Luiz Delgado, Luiz Delgado, Nelson barbalho, Orlando Cavalcanti, Raimundo de  Moraes, Souto Dourado, Ulisses Pinto e Waldimir Maia Leite.

Consta que nasceu na povoação de Glicério (atual Paquevira), futuro distrito do município de Canhotinho, em 12 de março de 1892. Era filho do capitão Manoel Leite de Araújo Cavalcanti e de dona Josefa Teixeira de Albuquerque Cavalcanti, provenientes da povoação de santa Clara (atual sede municipal de Tupanatinga), no então município de Buíque.

Segundo o genealogista Orlando Cavalcanti, com cujas pesquisas o "querido primo" colaborou decisivamente, Alfredo fazia parte da sétima geração do português de Guimarães, de ascendência francesa, Bento Leite de Oliveira, o qual, ao desposar uma descendente dos "Holandas e Cavalcantis de Pernambuco" - Inocência, também referida por Ascença -, daria origem a um dos ramos mais tradicionais da linhagem no interior nordestino.

ASCENDÊNCIA (PARCIAL) DE ALFREDO LEITE CAVALCANTI

Bento Leite de Oliveira + Inocência da Silva Cavalcanti
1.  Manoel Leite da Silva (I) + Maria Cavalcanti de Albuquerque
2.  Manoel Leite da Silva (II) + Maria Felipa Cavalcanti
3. Sebastião Paes Barreto Cavalcanti + Catarina de Albuquerque Cavalcanti
4.  Luiza Cavalcanti de Albuquerque + João de Deus Cavalcanti
5.  Manoel Leite Cavalcanti + Camila de Araújo Cavalcanti
6. Manoel Leite de Araújo Cavalcanti + Josefa Teixeira de Albuquerque Cavalcanti
7.  Alfredo Leite Cavalcanti + Alice Lemoiny Cavalcanti

Alfredo Leite também era pentaneto do capitão Manoel Leite da Silva, o fundador de Conceição da Pedra (atual município de Pedra), que foi capitão-mor e comandante-regente do Ararobá, ademais de  vereador da recém-criada Vila de Cimbres (1762). Fica patente, portanto, que, para além da curiosidade, o pesquisador jazia ligado por vínculos familiares àqueles fatos e personagens do antigo - e imenso - município de Garanhuns que procuraria resgatar.

Radicou-se na inspiradora "Terra de Simôa Gomes" aos  precoces seis anos de idade, em setembro de 1898, dando-se, logo, ao  trabalho de contar as ruas (17) e os prédios (500) de diminuta cidade que tanto maravilhava, e da qual jamais consentiria ausentar-se em definitivo. Repetiria o expediente, com notável critério, em 1908, 1916 e 1922 - época, esta última, em, que o número de edificações já quase que quintuplicara, saltando para 2.247.

A humilde e numerosa família - entre os irmãos, contam-se Apolônio, João, José, Quitéria, Esteliana e Adolfo - estabeleceu-se no nascente bairro da Boa Vista, que, naqueles estertores do Oitocentos, contava cerca de 60 casas, "todas de ruim construção e muitas meias-águas", distribuídas entre as antigas ruas da Boa Vista (atual Praça D. Pedro II), do Corrente (de São Miguel) e do Mundaú (Av. José Leitão).

Do popular arrabalde garanhuense, que se originara "da construção de modestas casinhas, em alinhamento com a residência em estilo rural, do Joaquim Acelino de Melo", Alfredo não mais arredaria pé, nem mesmo após a morte. E tamanha atenção dedicaria, por toda a vida, ao bairro, que se pode afirmar, sem receio de incidir em erro, que sua paixão pela Boa Vista só não era maior que seu amor por Garanhuns.

Por tal razão, protestou veementemente, na tribuna da Câmara de Vereadores, quando o prefeito Luiz Guerra (1948-1951), ao qual fazia oposição, transferiu, para a Av. Santo Antônio, a tradicional feira livre que vira nascer em 1905, e para cuja consolidação concorrera, decisivamente, o irmão capitão João Leite Cavalcanti.

Baldados os esforços em dissuadir o gestor, encontramo-lo à frente de um bem fundamentado abaixo-assinado, datado de 15 de janeiro de 1952, e dirigido ao novo titular do Executivo, o reconduzido Celso Galvão (1952-1955), no qual "o laborioso povo livre do próspero bairro" demandava a devolução da feira a seu lugar de origem, fiando-se "no espírito de justiça que sempre lhe norteara as atitudes", e por ser justa a aspiração.

Alfredo, aliás, sempre se pôs à testa, inclusive em sua contumaz atuação política, das iniciativas tendentes a resgatar e preservar a memória da "Terra de Simôa", a despeito de - consoante afirmaria, já em 1935, o "Diário de Garanhuns" -, "mesmo sem ser filho desta terra, figurar entre os que mais querem e desejam-na, sinceramente, grande". Em igual sentido, Souto Dourado afirmava que ele, com seu "amor que constrói, faz alguma coisa, homem feito de trabalho", tomou parte em todas as iniciativas que visavam ao progresso da  cidade".

Alberto Rêgo sintetiza tal engajamento: tocou trombone na Novo Século, no período de 1905 a 1910, e na 02 de Março; com outros,  entre os quais Augusto Calheiros, organizou, em 1918, a Banda Musical Independente; em 1919, ei-lo no quadro de fundadores do Sport Club Garanhuns; representou nas duas épocas do Grêmio Polimático (1922-1925 e 1938-1940), chegando a diretor musical; em 1930, participava do quadro social da Associação Garanhuense de Atletismo (AGA), da qual seria alçado, em 1965, a sócio benemérito; na Sociedade de Cultura, em 1935, era o vice-presidente da diretoria de honra; maçom da Mensageiros do Bem, ocupou cargos de diretoria e atingiu o  grau 30 na escala maçônica, legando à loja a organização da Biblioteca Manoel Arão.


Precursor do que, na contemporaneidade, designaríamos de  "desenvolvimento sustentável", para o "historiador de Garanhuns", o progresso não deveria cobrar o desolador preço da negação de nosso passado, de nossas raízes e tradições; pelo contrário: em sendo decorrente deles, teria de ser-lhes reconhecido, tributando-lhes o devido respeito. Parafraseando o ensaísta Benjamim Moser, para ele, acreditar no futuro de Garanhuns nunca significou negar a cidade antiga, senão se fiar de que muita coisa boa poderia advir da própria história local.

Evidência disso, e de que sua defesa da memória não resvalava em uma cega intransigência reacionária, é o bem-humorado comentário que fez ao jornalista Ildefonso Lopes, em 1940, a propósito do calçamento das ruas da Boa Vista, na primeira gestão Celso Galvão (1937-1945):

- Já viu a Boa Vista, Ildefonso, como está catita? Aqueles sapatinhos novos com que está calçada lhe dão um ar tão simpático que até dá vontade de a gente voltar ao tempo antigo, quando era costume andar, para cima e para baixo, namorando as pequenas e quebrando as calçadas das ruas... E o calçamento vai continuar! Em breve teremos tudo bem nivelado, brilhante! E, por falar em calçados, você sabe que Garanhuns continua a produzir os melhores calçados do Estado?

As lembranças partilhadas com Ildefonso aludem à juventude de Alfredo, mais precisamente àquela que declararia - permitindo-se um raro confessional em sua objetiva "História" - haver sido "a fase mais feliz" de sua vida: os tempos das serenatas ao luar, quando os céus da cidade jaziam indenes à feérica iluminação elétrica.

Vocacionado para a música, iniciara-se naquela arte ainda menino, aos treze anos, na escolinha da Novo Século, do célebre João "Fogueteiro", que, em 1963, ainda considerava "a melhor banda de  música que Garanhuns já conheceu". Dali por diante, tocou trombone em praticamente todas as sociedades musicais que organizou na  cidade, e, por toda a vida, cultivaria o hábito de dedilhar o violão, dominando com relativa destreza, segundo o amigo José Francisco, a  técnica "Tárrega".

Já à "prática de serestas", aderiu em 1909, época em que, na modesta autorreferência, já arranhava bem um violão e balbuciava algumas canções". Pouco tempo depois, com o advento do fulgurante cantor Augusto Calheiros a Garanhuns, de quem se tornaria devotado e fiel amigo, contentar-se em acompanhá-lo com o instrumento. "Nas raras vezes que acontecia de cantar, entoava, de preferência, a  canção 'Ao Luar', de Catulo da Paixão Cearense".


O compositor e poeta maranhense fora um dos principais ídolos de sua geração, e, por muito tempo, Alfredo acalentaria o "sonho de conhecê-lo". Realizá-lo-ia em meados de 1939, quando visitou o Rio - tinha parentes em Niterói - com esse intuito principal. Assim descreveria o encontro:

- Preferia não ver a Guanabara, desconhecer o Pão de Açúcar, do que vir ao Rio sem apertar aquela mão que escrevera poemas maravilhosos, a "Bíblia" e o "Corão" de minha mocidade. Vi-o num entardecer. recebeu-me como abismado num sonho, enlevado, alheio, de lápis em punho, iluminado pelo estro, traduzindo, em versos encantados, um poema primoroso: "O Caboclo". Esperei, paciente, que se  apagasse a chama da  inspiração. Atendeu-me, então, com o ar bonachão. Acolheu com simpatia meu devotamento de prosélito. Sorriu como um santo ante o fiel genuflexo. Contei-lhe que fora um seresteiro, enamorado do luar. Recitei o "Maroeiro", rimas opulentas que trago no imo, acrisoladas. Mostrou-me, depois, a casa modesta, o jardim e as aves. Explicou-me passagens de seus poemas para mim incompreensíveis. Falou do Calheiros. Honrou-me, mais, o  poeta, posando a meu lado em grata fotografia.

É provável que, em um daqueles percursos, a altas horas das  noites de sábado, pelas ruas desertas, iluminadas apenas pelo luar crescente ou minguante, tenha se enamorado da futura esposa, Alice Lemoyne Cavalcanti, a beldade predileta, à frente de cuja residência, demorando-se propositalmente, o jovem instrumentista, quiçá, derretia-se em maviosas modinhas, suplicando amor...

Alfredo e Alice já estavam casados em 1917, estabelecidos na Av. José Leitão, 112, imediações onde residiram por toda a vida - a casinha, de simpática fachada eclética, ainda existia ao tempo da elaboração deste trabalho (março de 2018), encimada pelo monograma "ALC". Homem de escassos estudos, por vezes referido como autodidata, ao  "historiador de Garanhuns" coube iniciar sua carreira profissional empregando-se no comércio local.

Encontrava-se, aliás, "às 7h30 da manhã" do dia 15 de janeiro de  1917, "cumprindo o dever de empregado" na A Bola Vermelha - casa comercial, armazém de sal e açúcar e depósito de aguardente do major Sátiro Ivo, sita à Rua Santos Dumont -, quando, de sobressalto, ao som de descargas de armas de fogo, foi informado, por um passante, do  recente assassinato, no Recife, do deputado Júlio Brasileiro, prefeito eleito de Garanhuns em controverso pleito, bem como das desforras que se anunciavam contra seus opositores políticos, tidos, injustamente, por mentores do "Crime do Café Chile".


"Realmente, só tivemos tempos suficiente para fechar, apressadamente, as portas do estabelecimento, fugindo os demais  empregados pelas portas dos fundos". O fiel funcionário ficou, porém, com o cunhado Lindolfo, o major Sátiro Ivo - que viria a ser uma das vítimas da Hecatombe iminente - e o filho deste, "então criança de  poucos anos, hoje doutor Ivo Júnior (pai de Fernanda Ivo, do IAHGP), que ali havia chegado por acaso, poucos momentos antes".

Em sua "História de Garanhuns", a testemunha ocular dos fatos narra, em detalhes, e algo precursoramente, o clima de apreensão e de  terror que se apoderou da cidade, a dramática movimentação dos  atores e o trágico desenrolar dos fatos, que culminaram com o  ardiloso, frio e dantesco extermínio de três ex-prefeitos do município, do candidato derrotado a vice-prefeito e de diversos outros inocentes, perfidamente confinados na cadeia, sob a falsa promessa de que ali estariam garantidos.

Por sua narrativa, sabemos das investidas violentas contra o  major Sátiro, da disposição de seus empregados em defendê-lo e das estratégias pensadas, no interior da loja, para a resistência. Alfredo também dá a conhecer haver sido incumbido, pelo patrão, de passar telegramas ao chefe de Polícia, no Recife, e ao coronel José Lourenço, líder político de Águas Belas e sogro de Ivo, bem como de portar um  cartão pedindo garantias, dirigido ao delegado, tenente Meira Lima - o qual, após alegar a impossibilidade de satisfazer à pretensão, teria sugerido ao comerciante e líder político esconder-se em local seguro ou fugir.

O narrador alude, ainda à estupefação com que recebeu a  notícia de que, no intervalo em que fora fazer uma breve refeição em  casa, prontamente regressando ao estabelecimento, a fim de render um  companheiro de vigília, o major Sátiro, premido pela contraditória insistência do delegado de que, na cadeia, seria fácil de proteger a todos, ali se recolhera; bem como da visita que, horas mais tarde, far-lhe-ia, tal qual às demais vítimas confinadas naquele recinto - que  Argemiro Miranda, profeticamente, alcunharia de "matadouro humano" -, escapando, por pouco, de ser enredado no massacre.

Virada essa fúnebre página de nossa História, Alfredo se viu compelido a procurar novo emprego, logrando o cargo de auxiliar de escrita no escritório local da fábrica Trajano de Medeiros. Em 1927, por  sua vez, encontramo-lo, no "O Clarim", a cogitar da organização de um serviço regular de transporte de mercadorias em caminhões, entre Garanhuns e o Recife, face às elevadíssimas tarifas então cobradas pela "Great Western" e à morosidade de seu serviço, alvo de constantes reclamações por parte dos capitalistas da região.

Humberto de Moraes informa que, amigo do empreendedor João Tude - o qual, na mesma época, iniciava suas pioneiras atividades com o transporte coletivo de passageiros -, recebeu convite para se  associar na formação de uma empresa, porém não o aceitou, alegando que preferia ficar mesmo em Garanhuns, pois a linha era para o Recife".  Souto Dourado, escrevendo em 1943, endossa tal percepção, ao afirmar:

O amor que Alfredo Leite tem por Garanhuns é mais sensível do que místico. Místico é o amor dos filhos da terra que, mesmo distantes, interessam-se por ela; o de um conterrâneo, por  exemplo, que acaba de escrever-me de Minas, pedindo fotografias da cidade. Mas o de Alfredo Leite é um amor sensível, agarrado, desses que não permitem separação. Ele só sabe viver em  Garanhuns; não lhe tentam situações vantajosas fora daqui. Se oferecessem à sua empresa de ônibus a linha "Praça Joaquim Nabuco-Boa Viagem", por mais positivos que fossem os  resultados, ele recusaria. Mais grato ao seu coração é o itinerário "Praça João Pessoa-Arraial". O seus sonhos não têm outros cenários, senão os nossos; os seus projetos não se solucionam, senão com os nossos problemas; os seus ideais não têm causas longínquas. O seu mundo é isto aqui.

Em todo caso, era mesmo para esse ramo de atividade que se  direcionava sua carreira profissional. A modéstia, aliás, impediu-o de  fazer referência expressa ao fato em sua "História", porém não deve o  leitor enganar-se: foi o "patrono da memória de Garanhuns" o "outro proprietário" que, em 1930, adquiriu a Empresa Autoviação de Garanhuns, passando a realizar o serviço, que muito concorreu para o desenvolvimento do bairro de Heliópolis", até o final do ano de 1956,  isto é, por longo 26 anos.

A Autoviação fora estabelecida, em março de 1930, pelo empresário potiguar Enrique Torres, que se estabelecera em Garanhuns a convite do prefeito Euclides Dourado, trazendo consigo "seis micro-ônibus, com capacidade de transportar dezenove passageiros cada um" - já com o nome de fantasia "gravado na parte traseira de cada unidade". No entanto, o ousado empreendimento, que  tencionava estimular a ocupação do "Arraial", perduraria por apenas quatro meses em mãos daquele capitalista.

No mesmo ano, Alfredo comprou as primeiras "sopas" que  realizavam os percursos urbanos, arrostando, desde o início, mil dificuldades - custos altos, passageiros escassos, depredação dos  veículos, vias esburacadas -, hábeis a desanimar qualquer microempresário. Mas, possuidor de uma tenacidade invejável, e  incansável propugnador pela grandeza de sua terra, jamais consentiria que as instituições de Garanhuns, seus melhoramentos urbanos, seus  patrimônios, enfim, materiais e imateriais, fenecessem.

O diálogo entabulado no ponto da Praça João Pessoa, em 1934, com o jornalista J. Coelho Rodrigues, acerca do recente desaparecimento do "Diário de Garanhuns", sobre o qual andava a  cismar, revela-se bastante exemplificativo disso:

- Em que pensa, amigo? Na Alemanha de Hitler, na Itália de  Mussolini, na Rússia de Stalin ou no Brasil de Getúlio Vargas?
- Em nada disso.
- Onde anda, então, esse pensamento que divaga?
- Aqui mesmo. Eu pensava numa cousa em que, talvez, você pudesse dar um jeito.
- Se só depender de mim...
- Não. Não depende somente de você. Mas depende muito de sua  pessoa.
- Então diga!
- Eu pensava na restauração do "Diarinho". Acho que a  suspensão dele foi um crime monstruoso que se praticou contra a minha terra.
- Mas você sabe, melhor do que ninguém, que eu fiz quanto me foi possível para que ele não baqueasse. Quando o via a querer soçobrar, sacrificando os meus interesses e a minha saúde, voltava à sua direção até reanimá-lo. E isso aconteceu várias vezes...
- Sim, mas o "Diarinho" era e é um patrimônio de Garanhuns, e  não deveria nem deve morrer. Deve continuar a viver, custe o que custar. Os garanhuenses, ou não, que aqui vivem devem tudo  fazer para que ele volte a circular.
- Mas meu amigo, com que roupa?
- Com que roupa? Com a roupa da boa vontade! Devemos nos esforçar e adquirir uma pequena tipografia, e isso se faz com pouco dinheiro - 6:000$000 (seis contos de réis), no máximo.
- E que lembra você para conseguir esse montante?
- Lembro a organização de uma sociedade anônima, em 120 ações de 50$000 (cinquenta mil réis). Eu mesmo, que sou um homem pobre, para esse nobre fim, ficaria com duas ações. E penso que, como eu, nenhum filho de Garanhuns se negaria a subscrever uma ou duas ações, máxime quando é certo que há aqui vários capitalistas que podem, muito bem, subscrever 10 ações sem o  menor sacrifício mesmo, até de boa vontade.


Alfredo redobrou os esforços: enquanto se revezava, ele  próprio, nas funções de motorista, cobrador e mecânico, dava tempo a  que a população se acostumasse com o serviço, passando a reconhecer-lhe a utilidade. Surtiu efeito, e o negócio engrenou a ponto de  proporcionar-lhe relativo conforto material - o único que  experimentaria em sua octogenária vida.

Partindo da Praça João Pessoa, a Autoaviação tinha, em 1932, as linhas nº 01, para Heliópolis; nº 02, para a Rua da Areia (Av. Barão do Rio Branco) e Magano; e nº 03, para a Rua do Corrente (de São Miguel) e Boa  Vista; ao preço de $200 (duzentos réis) o percurso. Aos domingos, havia um ônibus especial para o distrito de Brejão, com partida às 8h e regresso às 15h, ao preço de 2$000 (dois mil réis) o trecho.

Em meados de 1933, o empresário agregou ao serviço um carro de passeio, chapa 4.320, "para fazer corridas a qualquer parte da cidade, por 1$000 (mil réis), e transportar passageiros para o bairro do Arraial, a $200". Alfredo Vieira se recordava desse pioneiro "carro de praça", ou de aluguel:

Era um Ford de cor preta e de quatro portas, apelidado de "banheira" e de "pé-duro". Mais tarde, foi substituído por um Ford "de bigode". O automóvel de Alfredo Leite não chegava para as encomendas, e tinha dias em que se tornava difícil alugá-lo para serviços ou passeios, pois o seu proprietário era quem dirigia o  veículo com cuidado e presteza. Naquele tempo, apesar de estradas somente carroçáveis e de ruas empedradas, constituía-se alta recreação um passeio em automóvel aos domingos, pelas ruas de Garanhuns. O nosso boníssimo Alfredo Leite a todos atendia, e se desdobrava em atenções quando servia aos seus  inúmeros amigos.




Ainda em fins de 1933, Alfredo reformou os três ônibus de sua  frota. Os negócios iam tão bem que, em 1935, adquiriu uma "sopa" da  marca Chevrolet para 29 passageiros, e, no segundo meado de 1936, mandou buscar e pôs em circulação, ao assombroso custo de 31 contos de réis, "um carro de linhas elegantes, todo aberto e com assentos estufadamente confortáveis", já tendo em cogitação  a aquisição dos  próximos, todos no mesmo padrão.

Naqueles tempos de prosperidade, fazia jus a efusivos e  recorrentes encômios por parte da imprensa. Exultante, o "Diarinho", já restaurado, cumprimentava-o: "O nosso querido Alfredo é o que se  poderá dizer, sem hipérbole, um obsedado por Garanhuns", que  "embriaga a todos com seu entusiasmo contagiante, digno do mais bairrista dos netos de Simôa Gomes".

Nessa mesma época, seria nomeado 1º suplente de comissário de polícia do 2º distrito de Garanhuns, sua amada Boa Vista, cargo no qual permaneceria de abril de 1937 a agosto de 1947. Em 1939, permitir-se-ia visitar os amigos e parentes no Rio de Janeiro, entre os quais Augusto Calheiros, aproveitando para conhecer o ídolo da juventude de ambos.

Alfredo chegou deslumbrado da então Capital Federal - "verboso, numa pletora de palavras e expressões". Indagado, em uma banca do Café Glória, sobre a viagem, respondeu: "Ótima! Mar de rosas! Deslumbrante o cenário majestoso da Guanabara!" E completou: "Emocionado de me sentir pequeno à sombra dos arranha-céus;  boquiaberto ante a majestade das penedias e a opulência tropical do  matagal virente; orgulhoso, enfim, de ser brasileiro!"


No entanto, na "Cidade Maravilhosa", mas que a paisagem, interessavam-lhe os progressos da "colônia de Garanhuns". Tomou nota dos triunfos de Euclides Caldas, "ás do jornalismo"; de Luís Jardim, "nome feito na arte e no livro"; de Paulo Filho, "um homem de ciência". De Arlindo Ramalho, redator de "O Estado" de Niterói, que conhecera moleque, ressaltaria que, "bairrista como eu, vive a provocar a chance para bem falar de sua terra, numa descrição gongórica, chauvinista do torrão privilegiado em que nasceu".

Independentemente de onde estivesse ou de para onde fosse, o "historiador de Garanhuns", portava a terra adotiva consigo, na cabeça e no coração. Para os lados de cá, porém, os negócios já não iam tão bem quanto antes.

Se, em março de 1945, o "Garanhuns Diário" ainda media as  palavras ao questionar a regularidade do horário ou ao demandar que  as linhas, cujo ponto de embarque e desembarque fora transferido para a Av. Santo Antônio, continuassem a fazer parada na Praça João Pessoa; em março de 1946, o tom já era outro: "A primeira impressão do  visitante que aqui chega e vê o ônibus de Heliópolis é que o senhor Alfredo Leite nos quer presentear com uma lembrança do bombardeio de Hiroshima".

Segundo o jornal, o estado do veículo - que, curiosamente, havia sido substituído, a duras penas, em 1943 - já era tão precário que, dada a quantidade de buracos existentes, "os passageiros ficavam com os pés de fora, quando não arriscados a caírem no percurso". E arrematava, com ironia: "Fomos, mesmo, indagados por um visitante, que viera passar os três dias de Momo nesta cidade, se aquilo era uma brincadeira de carnaval..."

O jornalista Waldimir Maia Leite, futuro imortal da Academia Pernambucana de Letras (APL), chegou a encaminhar ao empresário do redesignado Serviço Urbano de Transporte de Passageiros (SUTP) uma "carta aberta", datada de 1º de março de 1948, na qual participava os apuros que enfrentara ao tomar, em visita à sua terra, a "sopa" em demanda do Arraial, confessando-se estupefato com como justamente ele, "um dos poucos que, sinceramente, envidavam esforços pelo progresso" do município, e, mormente, em se tratando, então, de "um representante do povo", permitia que os ônibus permanecessem daquele jeito, "sem reparos, sem conforto".

Waldimir, ainda assomado de revolta, até rabiscara algumas linhas virulentas, afirmando-se, inclusive, disposto a, na primeira oportunidade, reclamar contra o proprietário, não fosse haver sido informado que o vereador Alfredo já havia providenciado a compra de  um moderno veículo para a linha - iniciativa que, afirmava, "diz muito bem de sua dedicação para com os problemas locais", fazendo jus ao "mandato que lhe confiou o povo desta grande e pobre cidade".

O empresário do SUTP ainda trataria da aquisição de novo ônibus em 1950, mesma época em que, acatando, de bom-grado, sugestão da imprensa, introduziria o uso da "senha" nos serviços da  empresa. Sem embargo, àquela altura, as atenções do "patrono da  memória de Garanhuns" já se haviam direcionado, em caráter prioritário, para fiel cumprimento de seu recém-conquistado mandato legislativo.

Alfredo se elegeu vereador, pela União Democrática Nacional (UDN), no pleito de 1947, para a legislatura de 1948 a 1951. Embora aquele se revelasse um cometimento único em sua vida, a ele se  entregaria com total e responsabilidade, levando, seguindo José Francisco, "muito a sério o partido do brigadeiro Eduardo Gomes".

A despeito de gozar de maioria na Câmara - a bancada da UDN contava com o dobro dos representantes eleitos pelo Partido Social Democrático (PSD) -, a legenda se viu, repentinamente, alçada à oposição ao Executivo, quando, após dois meses de mandato, o prefeito udenista, Francisco Figueira, foi por decisão da Justiça Eleitoral, destituído de seu cargo, sendo substituído pelo pessedista Luiz Guerra.

A leitura dos livros de atas da "Casa Raimundo de Moraes" revela tanto a assiduidade quanto a diligência de Alfredo em, ao fazer recorrente uso da palavra, admoestar e exprobar o clínico por seus deslizes, excessos e omissões. Considerava-o um "médico humanitário e de grande capacidade, porém  desprovido de qualquer alcance em  compreensão administrativa".

Os lances da tumultuada administração Luiz Guerra, permeada por truculências, foram ganhando as manchetes dos meios de  comunicação da Capital, sobretudo quando o prefeito foi acusado de  majorar os próprios vencimentos de quatro para cinco contos de réis, usurpando, para tanto, a competência da Câmara. Em junho de 1951, o presidente do Legislativo Municipal chegaria a autorizar uma  Comissão Executiva a representar judicialmente contra o facultativo, pelas irregularidades apuradas nas contas do ano de 1950 - fato que, aliás, precipitaria sua renúncia a um semestre do término do mandato.

O "historiador de Garanhuns" também fez, por diversas vezes, uso da tribuna para demandar do chefe do Executivo ações positivas em prol da cultura, da memória e do desenvolvimento do município. Entre as leis/resoluções promulgadas durante seu mandato, a  desfrutarem de seu decisivo concurso, contam-se:


No que tange à Resolução nº  144/50, a inclusão do dia 10 de março foi uma obra direta da providencial intervenção do vereador, que, no dia 28 de agosto, apresentou uma Emenda específica a esse respeito, a ser acrescida ao Substitutivo, de autoria de Raimundo de Oliveira Cavalcanti, ao Projeto nº 3-III-1950, proposto por Jonas Dantas de Barros. Em sua justificativa em plenário, Alfredo aduziu, em  pormenorizado discurso:

Esta Câmara não deve decretar feriados nem dias santos. O que é preciso é que o prefeito não insista no abuso de mandar fechar o comércio por qualquer "datinha" à toa, como tem feito ultimamente. Se esta Casa insistir, porém, em decretá-los, deve, necessariamente, incluir o dia da Carta Régia de 1811, que convém ser chamado de "Dia de Garanhuns". A Carta Régia de 10 de março daquele ano, firmada pelo então Príncipe Regente D. João -  que, apenas com o falecimento de sua mãe, D. Maria II, e após a coroação, viria a ser conhecido por D. João VI, "Rei de Portugal, Brasil e Algarves" -, criou a Vila de Garanhuns e, inclusive, esta Câmara, fazendo jus, portanto, ao reconhecimento oficial de sua  relevância.

Pouco antes do término do mandato, Alfredo obteve, para o  SUTP - pela via da Resolução nº 174/51, sancionada pelo vice-prefeito em exercício, Abdias Branco -, a concessão da exclusividade, por dez anos renováveis, para o transporte entre o Centro e o bairro de  Heliópolis, considerado pela lei como "a parte da cidade a leste da  avenida que passa atrás da sede do Sport Club de Garanhuns".

A bem da verdade, a 174/51 atendia, muito mais, aos justos reclamos da população em favor do disciplinamento e da qualidade do  transporte público urbano de passageiros que aos interesses particulares do empresário. Tanto assim que, pelo diploma legal, o concessionário se obrigava a prestar o serviço em ônibus asseados, confortáveis, eficientes e seguros, "mantendo bom aspecto interno e externo", e com funcionários, necessariamente, trajados de farda, sob pena de multa; e a fazer circular carros especiais, se necessário, para as  pessoas que, por circunstâncias específicas, não pudessem viajar nos veículos comuns.

A par disso, previa a nomeação de um fiscal específico da Prefeitura para o serviço de ônibus, e a elaboração posterior de um regulamento, que desceria aos detalhes de determinar os pontos de  parada, horários e itinerários; a lotação dos carros; os preços das passagens; as normas para o comportamento dos funcionários; e o  valor das multas pelas faltas. Relativamente às tarifas, dispunha que, por ora, seriam reguladas pelo Executivo em acordo com o  concessionário, devendo os eventuais aumentos ser aprovados pelo Legislativo.

Já em meados de 1952, o ex-vereador via rejeitada sua  proposta para subir o valor das senhas para Cr$ 1,00 (um cruzeiro). O incremento dos custos, as pesadas obrigações e o engessamento dos ingressos forçariam o sexagenário ancião a, em 1956, recorrer à alínea "f" da  extensa Resolução, que lhe permitia transferir a empresa a terceiros, com os bônus e os ônus do negócio. Por informações da familiares, passíveis de verificação, consta que o SUTP teria sido transmitido ao  próspero João Tude, amigo que Alfredo sabia ter condições e interesse de preservar o serviço.

Em todo caso, desde os estertores da década de 1940 que ele já tencionava poder dedicar-se, em tempo integral, às demoradas pesquisas com os documentos cartoriais e paroquiais do município, as  quais o eternizariam como o "historiador de Garanhuns". Felizmente, a concessão que lhe seria feita pela Câmara, a partir de setembro de 1959, de uma pensão mensal na importância de Cr$ 2.000,00 (dois mil cruzeiros), nos termos Lei nº 286, propiciar-lhe-ia a realização  de tal desiderato.

Não nos é dado precisar quando o "patrono da memória de  Garanhuns" deflagrou suas pesquisas. Não parece haver sido antes de  1943, porquanto Souto Dourado - que era amigo de Alfredo e, na  mesma época, escreveu sobre ele -, ao referir-se aos baluartes que, à  época, personificavam o "Instituto Arqueológico" local, ainda não o  incluía no rol.

Para fazer, por sua vez, o uso que pretendia de seu mandato, pondo-o também a serviço da causa da preservação da memória local, impunha-se que se debruçasse sobre o passado garanhuense; sendo  certo, por referência própria, que já em 1950, procedia a investigações, bem como que, em janeiro do ano seguinte, era dado, pelo primo Orlando Cavalcanti, como um "autêntico pesquisador de genealogia e história",  o qual muito havia concorrido, "com suas valiosas buscas em  cartórios e igrejas", para a coordenação das pesquisas em comum de  ambos, relativas à ascendência da família.

Se o momento exato é nebuloso, afigurando-se-nos legítimo reportar à transição entre as décadas de 1940 e 1950, as razões, por  outro lado, são sobejas, e nos-las-dá a conhecer o próprio pesquisador:

"Investigávamos, em 1950, os arquivos existentes nesta cidade, com a pretensão de compor um trabalho genealógico relativo à  principal família garanhuense, chamada "mochileiro"; porém,  enquanto assim procedíamos, deparavam-se-nos documentos discordantes de alguns historiadores que escreveram sobre a história local, o que motivou a suspendemos o antigo plano, afoitando-nos a compor esta "História de Garanhuns".

As pesquisas, todavia, arrastar-se-iam até o segundo meado da  década de 1960, a demandarem dele uma abnegação verdadeiramente heroica, a fim de, atuando em ambiente acanhado, e compensando, em  boa vontade e inteligência, o que lhe faltava em formação especializada, desvendar " os segredos dos arquivos empoeirados e  semidestruídos", revirando as fontes e realizando, sozinho, tarefa dificilmente levada a cabo por equipes treinadas.

Luiz Delgado - confessando-se um admirador do garanhuense adotivo, cujo nome ressoava e, logo, impor-se-ia a seu "acatamento mais sincero" - dizia imaginar "o trabalho que lhe há de ter dado o  descobrimento e a leitura de seculares papeis, nos quais se registravam concessões de sesmarias, vendas de sítios, divisões de espólio etc." E lamentava-se por não haver podido prestar-lhe nenhum auxílio em tão nobre faina.

É de crer-se que os trabalhos tenham tomado fôlego decisivo entre os anos de 1952 e 1954, por ocasião da prolífica convivência, convertida em amizade, que manteve com o professor João de Deus de Oliveira Dias, "decorrido em atraentes buscas nos arquivos". João de Deus, que viria a ser o prefaciador da "História de Garanhuns", mantinha, então, idêntica investigação no "rico filão de documentos históricos existentes nas velhas estantes do 1º e 2º Cartórios de  Garanhuns", da qual resultaria seu precursor "A Terra dos Garanhuns",  dedicado à memória de Ruber van der Linden.

A tais idos, também remontam os contatos com o pesquisador Nelson Barbalho, que, de Alfredo, guardaria a seguinte impressão:

Vezes e vezes, fui a Garanhuns apenas para conversar e debater temas históricos com Alfredo Leite Cavalcanti, que, na época, vivia mergulhado entre papéis diversos, arquivados no cartório de Calado. Fazia minhas visitas a ele sem alarde algum, com a  modéstia que me é habitual. Quem me aproximou dele foi meu amigo e colega Renan de Freitas Pinto, residente na "Cidade das Sete Colinas". Renan sabe de minhas entrevistas com Alfredo, um homem bom, mas demasiadamente cabeçudo. Acerca da  história do interior pernambucano, considerava-se o "dono da verdade". Quando dizia uma coisa, não admitia contestação. Certa vez, a título de colaboração com sua "História de Garanhuns", levei-lhe os três volumes publicados pela Biblioteca Pública do Estado - na gestão do grande Olympio Costa Júnior -, intitulados "Documentação Histórica Pernambucana: Sesmarias". Disse-lhe que ali estavam fontes nas quais ele poderia abeberar-se, sem perigo de erro futuro, acerca da  formação territorial do interior pernambucano, inclusive dos  "Campos dos Garanhuns". Mês seguinte, tornei à sua presença e  indaguei-lhe se a "Documentação" lhe havia servido para alguma  coisa. Alfredo me respondeu que a obra - que é impessoal, copiada de manuscritos originais - continha muitos erros. E, na sua "História", não  a cita uma só vez; de seu valioso texto, nada quis aproveitar. Tudo por simples emperro. Dei-lhe os três volumes quando ele ainda andava em fase de pesquisas. Alfredo não admitia interferência em seu  trabalho, como não tolerava a crítica de quem quer que fosse, por mais construtiva que esta se apresentasse. Em tais condições, sozinho e emperrado, na sua "verdade", fez a "História" de Garanhuns.

Alfredo era, de fato, um cultor das fontes primárias, pouco contemporizando com as secundárias. José Francisco dizia que ele não procurou iluminar seus livros em bibliotecas. Havia, contudo, exceções, a exemplo dos "Anais Pernambucanos", de Pereira da Costa. E Luiz Delgado ressaltava que sua obra alternava anotações documentárias com lembranças pessoais e o recolhimento das  tradições orais. A fidelidade ao documento, por outro lado, a compensar-lhe qualquer demérito acadêmico ou estilístico, seria louvada por, entre outros, Costa Porto.

Para este último - que, além de entusiasta, seria o reordenador e revisor da segunda edição da "História" (1983) -, o que vale destacar no autor e na obra é "o seu aspecto que mais conta": aquela fidelidade ao manuscrito; "a colheita, penosa e sacrificada, do elemento factual; a safra, esta fartíssima, de dados esquecidos em velhos arquivos; o  roteiro, enfim, seguro e sólido aos analistas de amanhã".

Já Delgado reforçava este último aspecto, ao afirmar que  Alfredo reavivou, "pondo sob os nosso olhos", "o drama silencioso do povoamento da hinterlândia, com os indivíduos a somarem-se, e as  famílias a crescerem", numa jornada "de que não tinham, provavelmente, consciência clara, mas que era o nosso destino comum".

É interessante porque, mesmo vindo a construir um dos principais críticos aos métodos de trabalho e à propriedade das interpretações de Alfredo - algumas das quais, aliás, não estão, realmente, isentas de revisão -, Nelson ergueu sua colossal "Cronologia Pernambucana" - prenhe de ironias e sarcasmos destilados contra o já falecido "historiador de Garanhuns" - em grande parte, lastreando-se  nas descobertas do garanhuense.

A par disso, na dedicatória do vol. I da referida "Documentação Histórica Pernambucana: Sesmarias", datada de 1965, hoje integrante do acervo do Centro de Estudos de História Municipal (CEHM), fez consignar: "A Alfredo Leite Cavalcanti, maior historiador interiorano de Pernambuco em todos os tempos, o abraço fraterno do amigo e admirador".

O caruaruense seria, também, o primeiro a clamar, nas páginas do "Diário de Pernambuco", em 1978, pela necessidade de uma reedição da "História", reordenada e revisada pelo CEHM, por ocasião das iminentes comemorações do Centenário da elevação de Garanhuns à categoria de Cidade - proposta, de pronto, acolhida pelo prefeito Ivo Amaral.

Em 1976, escrevendo, para o público universitário, sobre o ofício do historiador, o professor Mário Márcio de Almeida Santos afirmava:

Bons livros de História não resultam apenas de uma boa metodologia de trabalho, mas de um labor paciente de longos meses, de uma faina beneditina nos arquivos, nas bibliotecas, sacrificando horas de folga, copiando centenas de documentos, expurgando, depois, as peças inúteis e as repetições, para ater-se ao essencial, ao característico, à singularidade de cada aspecto fundamental. Somente quem já passou pela mesma experiência, respirando o ar rarefeito dos arquivos, manuseando velhos manuscritos quase ilegíveis, quebradiços e amarelecidos pela pátina do tempo, pode aquilatar da disciplina intelectual de que  se deve revestir o historiador que não se limita, unicamente, às fontes secundárias. Esse tipo de analista tem de possuir várias qualidades intrínsecas - a constância, a firmeza e a  perseverança, para perder dias inteiros no exame de documentos que, muitas vezes, nada têm a ver com o objeto da pesquisa; a atenção sempre alerta e o espírito crítico, para saber identificar o que há de importante e significativo em páginas aparentemente inócuas e despidas de qualquer significação. Sua virtude básica é  a capacidade de vencer a fadiga e o desânimo, além de uma certa humildade intelectual, todas as vezes que novas descobertas desmentem seus esquemas iniciais de trabalho.

Embora sem qualquer formação acadêmica, Alfredo personificara, com seu dedicado e incansável labor, a descrição do  conterrâneo, produzindo uma obra que, na avaliação de José Luiz Delgado, "mais do que um livro, é um monumento; também uma lição de amor à própria terra, e um exemplo magnífico de pesquisa persistente, rigorosa, honestíssima".

No prelo desde 1964, época em que já era "ansiosamente aguardado" por Costa Pinto, o primeiro volume da "História de Garanhuns" só viria à lume em outubro de 1968, editado pela Gráfica Ipanema, do garanhuense Wilson Lyra, sob os generosos auspícios do  Grêmio Cultural Ruber van der Linden - à frente, Raimundo e Humberto de Moraes -, e mercê do apoio prestado pelo Governo do Estado.

Davi Lima compareceu ao evento de lançamento, ocorrido em dezembro, nos salões da antiga Associação Comercial de Garanhuns, na Av. Santo Antônio, dele legando o seguinte registro:

O autor do livro estava realmente emocionado. As lágrimas desciam-lhe, mansamente, pela face enrugada de homem que já atingira, àquela altura, a casa invejável dos 70 e muitos anos. Em seu discurso de agradecimento aos que ali compareceram, disse Alfredo Leite: "(...) sinto-me muito feliz nesta oportunidade, quando vejo o título deste livro encimado pelo modesto nome. Fiz o que pude para retratar, com a máxima fidelidade e riqueza de  dados, esta minha mui querida Garanhuns, terra que eu tanto amo". Com as mãos bastante trêmulas, começou a autografar alguns exemplares de sua obra-prima, adquirida com muito interesse pelos seus admiradores.

A consagração do tomo, centrado na formação humana e  territorial da Garanhuns colonial, foi imediata, e a repercussão entre os  intelectuais ainda tardaria a cessar. O autor foi homenageado por  diversos grupos culturais da cidade, e as preocupações logo se voltaram para a viabilização do segundo volume, focado na evolução cultural e  político-social garanhuense.

Entrevistado, em dezembro de 1978, pelo "Diário de Pernambuco", Ivo Amaral, um de nossos raros "prefeitos da cultura", afirmou que Alfredo, "exemplo de amor e dedicação a Garanhuns", envelhecera "amparado por uma ajuda que a Prefeitura lhe deu no fim de sua vida, quando já se achava despojado de seu respeitável patrimônio - fortuna, toda ela, consumida no trabalho que resultou em  sua obra".

Com efeito, o "historiador de Garanhuns" não se precaveu para enfrentar a senilidade. O amigo Humberto de Moraes justificaria que, "não sendo ambicioso ou financista, levado apenas pelo ideal de ver Garanhuns crescer e evoluir", descuidara-se de si mesmo, de seus  interesses particulares, "o que lhe custaria dias difíceis no pôr do sol da  existência". Já Davi Lima lhe traçaria o melancólico retrato que segue:

Homem pobre, paupérrimo mesmo, viveu seus últimos dias no ostracismo, no anonimato. Vestido em seu "tradicional" uniforme preto, bastante desbotado pelo contínuo lavar e vestir; sapatos de lona na cor azul-marinho; usando um pequeno chapéu e os óculos de grau na ponta do nariz; assim era o Alfredo Leite que eu conheci. Andando, vagarosamente, pelas ruas de Garanhuns, com sua estatura baixa e já curvada pelos anos, não transparecia, realmente, o seu valor intelectual. Era uma espécie de aposentado sem vencimentos; era como o homem do campo antes do Funrural. E, não tendo mais o que fazer, como todo cidadão de idade avançada, adquiriu um hábito: apanhar as notas de compras que encontrava pelo chão, a fim de concorrer aos sorteio do então existente "Talão da Fortuna". E, num desses sorteios, ele foi premiado. Ganhou mil cruzeiros. Esse fato veio a  aumentar ainda mais o seu interesse pelos tais documentos. Tanto assim que, ao tomar conhecimento de que a Secretaria da  fazenda havia considerado extinta aquela promoção, ele ainda guardava grande quantidade daqueles numeradas notas.

O episódio do "Talão da Fortuna" se deu em outubro de 1970, por ser Alfredo o portador da nota de balcão nº 16.927, da firma Armazém Vitória, de Bom Conselho. A premiação alcançou-o em um bom momento, somando-se a outras alegrias: para além da própria repercussão avassaladora da "História", desde o ano anterior que  ocupavam a titularidade do Executivo, pelo Movimento Democrático Brasileiro (MDB), seus amigos Souto Dourado (prefeito) e Humberto (vice), homens extremamente sensíveis às questões culturais e  históricas de Garanhuns.

Souto Dourado, em particular, interessou-se pela publicação do segundo volume: já em julho de 1969, instado pela recém-criada Comissão de História Local do Conselho Estadual de Cultura, coordenada por Luiz Delgado, nomeou Alfredo diretor de um grupo de estudos orientado para a preservação da memória municipal, arcando, no mês seguinte, com as despesas de ida do autor ao Recife, a fim de tentar novo apoio do Governo do Estado, bem como de manter contato com o prefaciador e com a Gráfica Ipanema.

Nesse ínterim, concedeu uma verba especial de Cr$ 1.000,00 (mil cruzeiros) para auxiliar na edição do tomo, que pretendia lançar quando da inauguração do Centro Cultural, em março de 1971, mas o atraso na liberação do montante, ocorrida apenas em outubro, somado a outras dificuldades de ordem financeira e técnica inviabilizariam o desiderato.

Nesse contexto, em janeiro de 1972, Admário Gama, diretor de  "O Monitor", encetava uma campanha com a finalidade específica de angariar os recursos faltantes. A estratégia consistia em mobilizar toda a imprensa local a promover a conscientização da população para a  importância do trabalho, organizando, em seguida, uma comissão para  proceder as visitas ao comércio, à indústria e às demais instituições de  Garanhuns.

Em fins do ano, o próprio "O Monitor" assumiria a impressão, em suas oficinas gráficas, do segundo volume, que, todavia, só viria a  público em fevereiro de 1973, sendo finalmente lançado em abril, no  Centro Cultural, em uma bela cerimônia, na qual o "historiador de Garanhuns" foi bastante prestigiado pela intelectualidade e pela sociedade local.

Em seus últimos anos, Alfredo recebeu, como seria de esperar, diversas homenagens. Em reconhecimento por sua contribuição à  memória de Garanhuns, o Grêmio Cultural Ruber van der Linden concedeu-lhe o diploma de sócio-honorário. Em 1975, seria a vez de, por proposição do vereador Oswaldo Ferreira da Silva, passar a  emprestar seu nome ao Centro Cultural que, por pouco, não inaugurara.

Esta era, em realidade, a segunda deferência que o Poder Público Municipal lhe prestava em vida, porquanto, ainda em maio de  1958, a Lei nº 242 concedera-lhe o título de "cidadão honorário" de Garanhuns, "pelos relevantes serviços prestados ao município".

Foi também naqueles idos derradeiros que Alfredo fez sua  incursão no ambiente universitário, e pela "porta da frente", instado a  palestrar sobre a "História de Garanhuns" na nascente Faculdade de  Formação de Professores de Garanhuns (FFPG), então dirigida pelo professor Erasmo Vilela. A convite dos docentes Ivonita Guerra e Uzzae Canuto, foi apresentado pelo amigo José Francisco, desincumbindo-se da missão com a desenvoltura digna de um humilde "doutor honoris causa".

A despeito do reconhecimento que sua amada terra insistia em tributar-lhe, o ancião quase não se detinha em Garanhuns. É que, desde o falecimento da esposa, em não suportando sua ausência no lar e na própria ambiência urbana, passara a levar uma existência de acentuado isolamento, tendo uma única distração viajar, diariamente, nos  coletivos da Autoviação Progresso, onde tinha "passe livre" por, justamente, haver sugerido ao amigo João Tude a designação de sua  próspera empresa.

Saía pela manhã e regressava à tardinha, viajando a Arcoverde, Caruaru, Palmares e a outros lugares onde a Progresso fazia paradas. Conquanto de existência errante, não concebia sair da cidade em  definitivo. A esse respeito, Humberto de Moraes narra que, certa vez, em visita aos parentes de Niterói, chegara a receber convite de um sobrinho para deixar o pouco que tinha e seguir para o Rio, onde "casa, comida, nada lhe faltaria". Tem tudo isso", ele respondeu, "mas não tem Garanhuns", arrumando as malas e regressando, dias após, a seu torrão.

A morte alcançou-lhe aos 84 anos e 10 meses, vitimado por uma  hemorragia digestiva decorrente de uma disenteria. Faleceu no dia 26 de dezembro de 1976, após vários dias internado na antiga Casa de  Saúde Santa Terezinha, para onde fora levado pelo doutor Ivaldo Dourado, que firmou seu atestado de óbito. Foi sepultado no dia  seguinte (27), no Cemitério de São Miguel, em sua diletíssima Boa Vista, saindo o féretro da Av. José Leitão, 120 - embora residisse à Praça de São Sebastião, nº 65. Do  consórcio com Alice, deixava a filha Regina, nascida em 1925 e falecida no recente ano de 2008.

Na oração fúnebre que proferiu ao pé do túmulo, o amigo Ulisses Pinto rogou que "seu espírito de luz e de bondade iluminasse nossas vidas com seu exemplo de homem simples e de conduta ilibada". Em minucioso necrológico para o "Jornal de Garanhuns", Humberto lamentou que o Poder Público não lhe houvesse dispensado homenagens oficiais. Já Costa Porto, escrevendo para o "Diário de  Pernambuco", registraria que "o quase total anonimato em que viveu e trabalhou benemeritamente seria, também, o coroamento de sua  morte", arrematando:

Enfrentando o clima tenebroso de "apagada e vil tristeza" com que, entre nós, encaram-se os estudos sobre o passado, Alfredo Leite, desajudado de tudo e de todos, viveu e morreu sem arruídos nem cartaz, de acreditar reunisse aquele mínimo de bens materiais para viver com decência e dignidade. Quando, porém, um dia, a história da formação territorial pernambucana for olhada com mais interesse e amor, seu nome avultará entre os  que mais se distinguiram nesse gênero de pesquisas, fazendo-lhe a posteridade a justiça que não encontrou em vida e na morte.

Após seu falecimento, noticiado no Recife sob a desoladora manchete "Garanhuns fica sem história", recairia sobre o nascente Centro de Estudos de História Municipal (CEHM) honrar-lhe a memória, preservar-lhe o legado e abrigar-lhe parte do acervo.

Em vista disso, Alfredo foi o segundo memorialista e pesquisador a ser homenageado com um retrato na tradicional "Galeria de Historiadores Municipais", ainda em 1977, antecedido apenas pelo patrono do CEHM e seu admirador, Luiz Delgado. Também lhe seria dedicado o espaço correspondente à Galeria no segundo número da  "Revista de História Municipal", veiculada em dezembro daquele ano.

Atendendo aos reclamos do sócio-fundador Nelson Barbalho e  de diversos outros pesquisadores, bem como ao interesse do prefeito Ivo Amaral, manifestado à FIAM (atual Agência CONDEPE-FIDEM) em 1978, o CEHM passou a mover os necessário esforços a fim de  reeditar a esgotadíssima "História de Garanhuns" - agora, em um único volume de 419 páginas, reordenado e revisado por Costa Porto, também responsável por uma "Nota Prévia à 2ª edição".

Todo o lento trabalho, que se arrastaria por quase um lustro, foi  realizado em cortejo com a primeira redação da obra, constante de velho calhamaço que passaria e integrar o acervo documental da instituição. Em 1983, vinha à lume a aguardada reedição, com orelha do coordenador José Luiz Delgado; reimpressa em 1997, com nova orelha da coordenadora Eleny Pinto da Silveira.

Infelizmente, não fora possível relançar a obra nas grandiosas festas do Centenário, em 1979, como tencionava Ivo Amaral, mas Garanhuns - que, em 1977, já alçara Alfredo a patrono da cadeira de nº 11 de sua recém-fundada Academia de Letras (ALG) -, jamais esqueceria do  patrono por excelência de sua memória. Com este "Preito de Saudade", o Instituto Histórico, Geográfico e Cultural de Garanhuns (IHGCG) se associa ao CEHM e à ALG no intuito de fazer-lhe a justiça devida pela posteridade.

*Igor Cardoso, escritor, pesquisador e historiador, autor da obra Fernand Jouteux: O Maestro de Chapéu de Couro e sua Bela Aliança, Igor Cardoso é um estudioso da nossa História, um dos destaques da nova geração de escritores de Garanhuns. 

Agradecimentos ao escritor e professor Cláudio Gonçalves de Lima.

FOTOS: (Foto: 1) - Alfredo Leite Cavalcanti (Foto: 2) - Alice Lemoiny Cavalcanti, esposa de Alfredo Leite (Foto: 3) - Regina Leite Cavalcanti, filha de Alfredo Leite e Alice. Créditos das fotos: Jaqueline Brasileiro (Foto: 4) - Alfredo Leite e  o poeta Catulo da Paixão Cearense, em 1939 no Rio de Janeiro (Foto: 5) - Alfredo Leite e o cantor Augusto Calheiros no Rio de Janeiro (Foto: 6) - A casa que foi de Alfredo Leite Cavalcanti, o patrono-mor de nossa História, uma das poucas que ainda resistiam em 2018, em sua amada Boa Vista. Na platibanda frontal, acima da porta, as iniciais ALC (em monograma, Créditos da foto de Ígor Cardoso, 2018 (Foto: 7) - Alfredo Leite Cavalcanti (Foto: 8) - Banda Musical Independente, fundada em junho de 1918, sob os auspícios de José Francisco da Silva (Zé Fogueteiro) e seu irmão Francisco Ribeiro da Silva (Xixi), contando com a colaboração de José Elesbão, Alfredo Leite Cavalcanti, Antônio Ramalho Neto, Antônio V. Lucas, Júlio C. de Souza e outros (Foto: 9) - Ano de 1931 - Na primeira fila de cócoras: Morse Lira, sentados: Arlinda Valença, Clarice Maria M. Godoy, Elvira Viana. Na segunda fila em pé: Dário Rêgo, Fausto Lemos, José C. Rodrigues, Juiz Dr. Edmundo Jordão, Mário Lira, Tomaz Maia, Antônio Brasileiro, Euclides Dourado, (?), Zé Pinto, Minervino A. Araújo, Antônio Reinaux, Heribaldo Acioly, Reinaldo Câmara, Antônio Pereira, Josafá Pereira. Na terceira fila: Pedro Cavalcanti, (?), (?), Jeremias Sena, Capitão (?), Arnóbio Pinto, Elias Matos, Mário Matos, José Mota, João Domingos da Fonseca, (?), Félix Pereira, Péricles Santos, Alfredo Leite Cavalcanti. Na quarta fila: (?), Augusto C. Pinto, Antônio Português, Antônio de Alcântara Leite, Dermeval Matos, Álvaro Tenório, Antônio Lira, Sargento Nunes e Antero Wanderley (Foto: 10) - Alfredo Leite Cavalcanti e o jornalista Humberto Alves de Moraes (Foto: 11) - Praça João Pessoa na década de 1930, na foto o ônibus "sopa" de Alfredo Leite descendo na Avenida 13 de Maio (Foto: 12) - Avenida Santo Antônio na década de 1930, detalhe  o usuários descendo do ônibus "Sopa" de Alfredo Leite (Foto: 13) -  Livro História de Garanhuns - Volume I - Outubro de 1968. (Foto: 14) - Livro História de Garanhuns - Volume II - Fevereiro de 1973 (Foto: 15) - Lei que concede o Título de Cidadão Honorário de Garanhuns à Alfredo Leite Cavalcanti (Foto: 16) - Lei que denomina de Centro de Cultura Alfredo Leite Cavalcanti o Centro de Cultura de Garanhuns (Foto: 17) - Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti na década de 1980.

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