quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

SESMARIA DOS BURGOS - Dona Maria Pereira Gonçalves, viúva de Manoel da Cruz Vilela, sempre assistida pelo seu filho José Pereira da Cruz Vilela, prosseguiu com o imenso latifúndio deixado pelo seu esposo, em comum com os filhos, até que faleceu nos  finais do ano de 1773, depois de, naquele ano, aos 27 de outubro,  em conjunto com os seus filhos: o Alferes João Pereira Vilela, o Tenente João Pereira da Cruz Vilela e dona Francisca da Cruz Vilela e seu marido o Capitão Manoel Pinto Teixeira, desmembrar do patrimônio comum, meia légua em quadra de terras no Brejo da Cafurna e delas fazer doação ao padre Frei Domingos de São José, para nelas erigir uma capela sob a invocação do Bom Jesus da Boa Morte.

No inventário, por falecimento de dona Maria Pereira Gonçalves, foi o patrimônio da família partilhado entre os seus quatro herdeiros e cada um assumiu a administração do quinhão que lhe tocou.

O território da Fazenda Papacaça ficou quase todo no  quinhão de Antônio Anselmo da Cruz Vilela, que, falecendo em 1778, e ficando a metade do dito território na meação de sua viúva, dona Cipriana Dantas da Costa, a outra metade foi partilhada entre os seus filhos, três dos quais: Manoel Bernardo da Cruz Vilela, Antônio Anselmo da Cruz Vilela e o comandante Matias da Costa Vilela, compraram ao seu tio Alferes João Pereira Vilela, um trecho de terras que tinha sido incluído no território da mencionada fazenda, em 20 de setembro de 1805.

Nesse mesmo tempo, Luiz Pinto Teixeira, filho do Capitão Manoel Pinto Teixeira e de sua mulher dona Francisca Xavier da  Cruz  Vilela, e casado com a sua prima dona Ana Cecília do Amparo Vilela, filha e herdeira do falecido Antônio Anselmo da Cruz Vilela, para evitar demandas, vendeu a parte de terras que tocou a sua mulher, no valor de vinte e oito mil réis, pela importância de cinquenta mil réis aos seus cunhados: Comandante Matias da Costa Vilela, Alexandre Soares Vilela, Antônio Anselmo da Cruz Vilela, Marcos da Costa Vilela e Joaquim Peixoto Vilela, por escritura particular que, em 21 de maio de 1816, foi registrada no livro de notas do 2º Cartório.

Em 12 de janeiro de 1782, "o juiz ordinário e de órfãos deste julgado, o Capitão Mathias da Costa Soares e sua mulher Florência Maria Ribeiro fizeram doação para o patrimônio da Capela que se quer erigir por invocação de Jesus Maria e José no Sítio Papacaça deste mesmo termo que fazem Joaquim Antonio da Costa e outros o serviço de Deus e do Bem Espiritual, do Sítio Pau Amarelo, cujo território pegará da cerca da Rosa da Vargem Redonda para cima até o Riacho da Porteira, e da parte do  Buraco em meio do Taboleiro.

A posse judicial desse patrimônio foi dada pelo tabelião João de Barros Correia Júnior a Francisco Xavier de Mendonça, como procurador do "Reverendo padre da cura da freguesia  dita de Santo Antônio dos Garanhuns e vigário da vara Manoel do Espírito Santo Saraiva", 23 de janeiro de 1782.

Uma parte das terras, que ainda compõem os territórios do  Município das Correntes, desde a sua criação definitiva em 1879, tocou por herança do casal Manoel da Cruz Vilela e Maria Pereira Gonçalves e sua filha dona Francisca Xavier Gonçalves, casada com o Capitão Manoel Pinto Teixeira, e a outra parte que se completa, pelo mesmo motivo, tocou as Alferes João Pereira Vilela.

Nos inventários, pelo falecimento desse mencionado casal, as terras que possuía, nas Correntes, foram divididas entre os quatro dos seus filhos: dona Ana Pinto Teixeira, casada com Antônio dos Santos Gomes, Manoel Pinto Teixeira, dona Maria Pinto Teixeira e o padre João Pinto Teixeira.

Entre os sítios, já então organizados nas terras deste herdeiros, era o São João, que o padre João Pinto Teixeira e o casal  de sua irmã dona Ana Pinto Teixeira e Antônio dos Santos Gomes o venderam, em 22 de dezembro de 1804, a José Feliz dos Anjos, com as seguintes confrontações: "partindo para a parte do nascente no meio da distância que tem com o Sítio da Palmeira para a parte do poente no meio da distância que tem com o Sítio da Conceição para a parte do norte no meio da distância que vem com o Sítio da Barriguda e para a parte do sul no meio da distância que tem com o Sítio Olho de Água onde mora Antonio Ferreira".

Outro Sítio foi o denominado Corrente, que entrou no quinhão em conjunto dos irmãos Manoel Pinto Teixeira e dona Maria Pinto Teixeira e estes o venderam, em 4 de dezembro de 1866,  ao seu irmão padre João Pinto Teixeira, pela quantia de seiscentos mil réis com as confrontações seguintes: "partindo com as terras de Antônio Vaz da Costa e Andrade, por outro lado com o Sítio do Tigre no meio da distância que houver de um sítio ao outro, por outro lado com o Olho de Água de Antônio Ferreira no meio da distância que houver de um sítio ao outro, por outro lado com o Sítio Conceição no meio da distância que houver de um sítio ao outro e com o Sítio do Cavaleiro no lugar onde for de razão e direito".

O referido padre desmembrou do Sítio Corrente o trecho de terras que, "pegara no mesmo Riacho Corrente pela parte do Norte no lugar onde mora meu compadre Bernardo Teixeira de Melo e descera pelo mesmo Riacho abaixo e a barra do Riacho Pacavira, e daí correra rumo direto para a parte do Norte dividindo-se pela parte do nascente com terras de Antônio Vaz de Andrade e medir no meio da distância que houver do Riacho Corrente ao Riacho das Inhumas e daí rumo direto para a parte do Poente dividindo-se no meio da dita distância com o Sítio do Tigre e confrontar com  a Barra do Riacho Salgado no Riacho Mundaú  daí cortara rumo direito a barra do mesmo Riacho Salgado dividindo-se com o Sítio do Olho da Água de Antônio Ferreira e subira pelo mesmo Riacho Salgado acima dividindo-se com o Sítio da Conceição e Olho da Água de Antônio Soares e confrontar no mesmo lugar onde mora o dito meu compadre Bernardo Ferreira de Melo e daí correra rumo direito ao lugar onde principiou o primeiro rumo" e, pelo preço de quatrocentos mil réis, o vendeu a José Correia de Araújo Sampaio, em 18 de agosto de 1807.

A outra parte do Sítio do Corrente se compunha das terras que: "pegara no Riacho Salgado no lugar onde fica defronte de um Riacho Seco que tem da parte da casa de morada de meu compadre Bernardo Ferreira e subira pelo dito Riacho do Salgado acima até confrontar com o Brejo onde Luiz Gomes e daí seguira o mesmo riacho acima e confrontar com a chã da Serra Grande por ela acima correra rumo direito pelo meio da  dita chã até topar no Rio Corrente e aquele mesmo que atualmente corre e não o outro que faz barra nele e seca, e daí correra pelo mesmo Rio Corrente abaixo até topar onde principiou o primeiro rumo que é na casa do dito Bernardo Ferreira", e o padre João Pinto Teixeira, pela quantia de duzentos e cinquenta mil réis, a vendeu, em 7 de setembro de 1808, a Francisco de Godoi Vasconcelos.

Da parte do Sítio Corrente que, como já vimos, foi por José Correia de Araújo Sampaio, comprada ao padre João Pinto Teixeira, em 19 de agosto de 1807, este comprador e sua mulher dona Joana Felícia Freire de Mendonça desmembraram o trecho de terras "pegando na margem do Riacho do Corrente na barra do riacho mais próximo  casa onde morou o Alferes Bernardo Ferreira de Melo e descerá pelo Riacho Corrente abaixo de onde faz barra no Mundaú e subira pelo Mundaú acima até as barra do Riacho Salgado e subira pelo Salgado acima até confrontar com o  primeiro rumo, e daí cortará direito ao dito primeiro rumo onde principiou", e a venderam a Antônio Francisco de Albuquerque, em 7 de julho de 1811.

Não obstante os esforços empregador, não nos foi possível saber por que meios a parte do Sítio do Corrente, que continuou possuída pelo casal de José Correia de Araújo Sampaio, depois que vendeu a outra parte a Francisco Antônio de Albuquerque, passou a propriedade do Sargento-mór Antônio Machado Dias, casado que era com dona Leandra Francisca de Almeida. Entretanto, de qualquer modo, assim aconteceu, e não somente o referido Sargento-mór se tornou proprietário da mencionada parte, como também do Sítio do Mendes, que tinha sido organizado em terras que não integrava a Sesmaria dos Burgos e sim, provavelmente, as de Antônio Vaz de Andrade. Oportunamente ao Sítio denominado Corrente.

Ao Tenente José Pereira da Cruz Vilela, coube, por herança dos seus pais, Coronel Manoel da Cruz Vilela e dona Maria Pereira Gonçalves, a antiga Fazenda do Burgo com imenso território no qual, além de muitos outros, se organizaram os Sítios: Inhaúmas, São Gonçalo, Saco do Tigre, Capim e, principalmente, São João.

Falecendo este mencionado herdeiro no estado de solteiro que, como dissemos no capítulo IV, assim viveu para não deixar a companhia de sua mãe, com exceção do Sítio Inhaúmas, que por ele tinha doado à mulher Ana Maria de Jesus, com quem convivera, os demais  foram partilhados entre os seus irmãos ainda vivos e herdeiros dos que faleceram anteriormente.

No que coube ao seu irmão Alferes João Pereira Vilela, casado com dona Elena Ferreira de Melo entraram, além do Burgo, os sítios Saco do Tigre, Capim, São Gonçalo e São João.

Das terras, que integram os sítios São João e Burgo, o casal de João Pereira Vilela separou o trecho que, "pegando do riacho do Inhaúmas na extrema que finda em terras do comprador da água do Salobre  pertencente ao mesmo e daí subirá pelo dito riacho acima e a Lagoa do Tamboril que e a sua nascente e daí cortará rumo direito a topar com terras de João de Deus do Sítio Saco do Tigre que eles vendedores haviam vendido ao dito João de Deus e irá demarcando-se com o dito Sítio Tigre e daí cortará rumo direito em procura das extremas do Sítio Santa Rita extremando com ele a Serra das Inhaúmas onde de cima da Serra penderem as águas para a Palmeira e seguirá com o rumo pelo lombo da Serra em diante divisam que faram eles vendedores com sua irmã e a cunhada Francisca Xavier da Cruz Vilela e indo sempre por cima da Serra e o rio Canhoto e onde não aparecerá a Serra ou se acaba irá no mesmo rumo da Serra e o mesmo Rio Canhoto e subirá por ele acima até topar com terras do comprador" e, pelo preço de seiscentos e cinquenta mil réis, a vendera, em 17 de março de 1800, ao Padre João da Silva Fonsêca.

Os Sítios Brejinho e Mucambo foram, nos inventários do  Coronel Manoel da Cruz Vilela e sua mulher dona Maria Pereira Gonçalves, incluídos no quinhão da sua filha dona Francisca Xavier da Cruz Vilela, casada com o Capitão Manoel Pinto Teixeira, e nos inventários deste casal, foram os referidos sítios incluídos ao  do seu filho padre João Pinto Teixeira.

Em documentos particulares assinados em 22 de setembro  de 1802 e 4 de julho de 1803 e registrados no cartório em 1º de julho de 1805, o Alferes João Pereira, então, último filho sobrevivente do casal do Coronel Manoel da Cruz Vilela, demarcou as confrontações dos seus sítios: São Gonçalo, São João e Burgo com os Sítios Mucambo e Brejinho, pela maneira seguinte: "Parte e Sítio do Mucambo com o meu Sítio do Burgos na baixa chamada Pescoço daí correra o rumo para o sul em até chegar e igualar com a Lagoa do Mucambo e correr para a lagoa e o Riacho do Mucambo ficando a dita lagoa para o dito Sítio e dá Baixa Pescoço correrá rumo para o Alto de San Gonçalo até subir o Alto detrás da casa e daí correra rumo para o fim da Várzea Grande do Mucambo em cima de onde passa águas das  Freixeiras e Brejo Grande e nesta forma entrara este último rumo em encontrar com o Sítio do Flamengo. O Sítio Brejinho do Reverendo João Pinto Teixeira, parte com o meu Sítio de San Gonçalo na Baixa da Lama e daí com rumo para o Olho d'Água de onde o padre Francisco de Sá esteve situado ficando a metade do Olho d'Água para Brejinho e a outra metade para o meu Sítio de Sam João correndo o rumo pela baixa até a estrada a daí correra o rumo para a Baixa da Jurema na estrada e o último rumo corre para a Baixa da Lama onde principiou a demarcação".

Com as confrontações acima transcritas, o padre João Pinto Teixeira vendeu o Sítio Mucambo ao Alferes Pedro Correia da Rocha, em 1º de julho de 1805.

O Sítio Inhaúmas, doado, como já foi dito, a Ana Maria de Jesus pelo Tenente José Pereira da Cruz Vilela, este doada o vendeu, pela quantia de quatrocentos mil réis, em 3 de fevereiro de 1804, ao sobrinho do seu doador Capitão Antônio da Cruz Vilela, confrontado do seguinte modo: "Pegara das nascentes do Brejo Santa Rita e Pacavira e descera pelo Rio abaixo até a Cachoeira Grande com meia légua para cada lado".

Este comprador e sua mulher dona Maria Tereza de Jesus separaram das terras do Sítio Inhaúmas as que ficaram, comprando o Sítio Santa Rita, os quais "pega das nascentes do Brejo denominado Pacavira e descerá pelo Rio da Inhaúmas abaixo atá a saída da Várzea dos Cavalos onde tem uma porteira e um pé de Sapucaieira que servirá de marco com meia légua para cada banda do Rio dito Inhaúmas", e as venderam, em 30 de dezembro de 1805, a João Pereira do Nascimento.

Do território que ficou compondo o Sítio Inhaúmas, depois dele foram desmembradas as terras para compor o de Santa Rita, o casal do capitão Antônio da Cruz Vilela separou o trecho que, "pegando da Cachoeira Grande subindo pelo Riacho das Inhaúmas acima até a estrada que vai para a casa de Cipriano da Rocha e onde der meia légua e daí seguirá pela estrada que vem da Palmeira para a Povoação de Garanhuns até onde se acha um  marco infincado que completou meia légua e do dito marco cortará rumo direito ao Riacho do Mucambo", e o vendeu as Capitão José Nolasco de Andrade, em 29 de fevereiro de 1808.

Frutuoso Teixeira do Nascimento, nesta mesma data, comprou o que restava do território do Sítio Inhaúmas, que, "pegará na Várzea dos Cavalos do pé da Sapucaieira que serve de marco tanto do comprador como de João Pereira do Nascimento e descerá pelo Rio Inhaúmas abaixo até a estrada que vai para a casa de Cipriano da Rocha a topar com terras do Capitão José Nolasco de Andrade, ficando meia légua para cada banda do Rio Inhaúmas".

As terras que "pegará da Barra do Riacho Mucambo pelo Rio das Inhaúmas acima até a estrada que vai para a casa de Cipriano da Rocha e seguira pela estrada que vem da Palmeira até onde completar meia légua e daí seguira rumo direito ao  Riacho do Mucambo, e descerá por ele abaixo até a dita barra donde principiou, e daí para a parte da Serra rumo direito até completar meia légua", foram, pelo Capitão José Nolasco de Andrade e sua mulher dona Ana Josefa de Jesus, vendidas a Fidelis Teixeira Vilela, em 4 de junho de 1836.

As terras, que ficaram compondo o Sítio São João, depois do desmembramento das que foram vendidas ao Padre João da Silva da Fonsêca, como dissemos atrás, foram, por falecimento de dona Elena Ferreira de Melo, partilhadas entre os filhos seus e seu marido Alferes João Pereira Vilela. A parte que tocou ao seu filho Geraldo Teixeira de Melo, casado com dona Izabel Maria da Trindade, este casal a vendeu, sem demarcar, a Manoel Vieira de Araújo, em 3 de outubro de 1815.

Aos 16 de janeiro de 1816, já sendo também falecido o Alferes João Pereira Vilela, o seu filho, acima mencionado, Geraldo Ferreira de Melo, na qualidade de testamenteiro do seu pai, vendeu, naquela data, a José Inácio Bezerra, casado com dona Maria Tereza da Piedade, outra parte de terras do Sítio São João, por demarcar.

No quinhão que, nos inventários do casal do Coronel Manoel da Cruz Vilela e Maria Pereira Gonçalves, tocou ao casal de sua filha dona Francisca Xavier da Cruz Vilela e o Capitão Manoel Pinto Teixeira, além do Sítio do Corrente, como já dissemos, foi também incluído o da Palmeira "Palmeirina", e nos inventários deste último casal, veio o Sítio da Palmeira entrar nos quinhões das suas filhas, dona Maria Pinto Teixeira, que nunca se casou, e dona Tereza de Jesus de Oliveira, casada com João Luiz Pereira.

Dona Maria Pinto Teixeira, das terras da sua herança, vendeu as que constituem o Sítio Cana Braba a Cipriano da Rocha Vieira, em 15 de junho de 1808, assim demarcado: "o qual Sítio divide com o Sítio Ana no lugar que está demarcado amigavelmente com uma cruz pelo braço desta para a parte do Norte e confrontar com a ponta da Serra Anhumas e pelo mesmo braço para a parte do sul a mediar com terras que vem do Riacho Mundaú, da parte do Poente no lugar onde se fincou outra cruz com testemunhas a partir com terras da Palmeira e de lugar para a parte do Norte acima da Serra Anhumas entre meio de duas árvores copadas que se divisa em cima da mesma Serra, e da parte do Sul a mediar com terras que vem do Riacho Mundaú".

Outra parte que: "para a parte do Poente parte com terras de Lourenço da Costa em um pau de Baraúna onde ele procurador e vendedor fez uma cruz correndo rumo do braço da parte do Norte até em cima da chã da Serra das Inhaúmas e voltando outra vez a cruz corre o rumo do braço para a parte do sul a medir com terras do Rio Mundaú e para a parte do Nascente parte com terras do falecido Cipriano da Rocha Vieira onde fez outra cruz correndo o rumo do braço da parte do sul a mediar com terras do dito Rio Mundaú e voltando outra vez a cruz correrá o rumo para o Norte acima da mesma Serra Inhaúmas a árvore solteira", dona Maria Pinto Teixeira, por intermédio do seu procurador, o seu irmão José Pinto Teixeira da Cruz Vilela, a vendeu, em 8 de julho de 1811, a José de Souza Silva. Nesta parte veio a se formar a povoação que hoje é a cidade de Palmeirina.

Com o falecimento de dona Tereza de Jesus da Cruz Oliveira que, como dissemos, era casada com João Luis Pereira,  a parte de sua herança no Sítio da Palmeirina tocou aos seus filhos: padre João Luis Pereira, dona Cipriana de Jesus da Cruz, casada com Luis dos Santos Lisboa, José Correia Franco e dona Maria Francisca Pereira, casada com José Gregório da Silva Albuquerque. Este último casal vendeu a parte que lhe tocou a Manoel Inácio de Vasconcelos, em 1º de janeiro de 1808, sem declarar as confrontações, e os outros herdeiros, também sem declarações de limites, venderam englobadamente as suas partes a João Rodrigues da Paixão, em 4 de fevereiro de 1812. Este comprador era casado com dona Francisca Botelho e, por sua vez, sem declarar os respectivos limites, separou e vendeu dois terços das terras compradas a Antônio Machado Dias, em 9 de fevereiro de 1812.

Tendo falecido Cipriano da Rocha Vieira, proprietário do Sítio Cana Braba, em terras no qual tinha organizado o Sítio Tear, a sua viúva, dona Antônia Maria Gomes, conservando em sua propriedade este sítio, vendeu o Cana Braba a José Renovato da Silva, em 27 de dezembro de 1810, demarcado pelo modo seguinte: "da parte do Nascente em um pau Tatajuba que ao pé da volta do Riacho Inhaúmas ponteiro com a casa de Amaro José se acha subindo de Riacho acima até onde da parte do Poente passar a divisão do mesmo Sítio Palmeira pertencente a dita Maria Pinto Teixeira de onde voltara com ambas os rumos para o sul com igual e conforme largura até onde fizer meio entre o Riacho Inhaúmas e o Riacho Mundaú".

Com a venda do Sítio Cana Braba, ficou o Sítio do Tear se compondo do território que, "pegara na barra do Riacho dos Cavalos e subir pelo Riacho acima até a Lagoa do Junco para a parte do Poente até topar e demarcar com João Pereira voltando para traz dará as costas ao dito Riacho cortará para a parte do nascente rumo direito e confrontar com o rumo que vem do braço da cruz que está assentada em Santa Ana aonde fez posse das ditas terras a mesma Maria Pinto por seu procurador José Pinto Teixeira e voltara atrás para o primeiro rumo e correra demarcada pela chapada da Serra com o dito João Pereira adiante topara com terras do reverendo Vigário desta freguesia correra demarcando o dito Vigário correra pela chapada da Serra que corre para o Nascente até confrontar com o rumo que vem da cruz de Santa Ana direito de Norte e Norte a Sul" e assim demarcado, dona Antônia Maria Gomes o vendeu em 15 de julho de 1811 a João Luis da Cunha.

O proprietário do Sítio da Palmeira, José de Souza, casado com dona Ana Francisca de Vasconcelos, já era falecido em 1826 e, provavelmente, para pagamentos de dívidas do casal assim como de despesas com o inventário, foi a hasta pública uma parte do referido sítio, sendo arrematado por três dos seus herdeiros: Francisco Souza Silva, Pedro da Silva Vasconcelos e José Caetano de Moraes, sendo os dois primeiros, filhos do casal, e  o outro, seu genro, por ser casado com a sua filha dona Maria Esmera de Souza.

A outra parte do mencionado sítio foi partilhado amigavelmente, com a provação judicial, mediante julgamento por sentença de 10 de outubro de 1826, entre a viúva dona Ana Francisca de Vasconcelos, na qualidade de meieira e seus filhos: Francisco de Souza Silva, Pedro da Silva Vasconcelos, Maria Esmera de Souza, casada com José Caetano de Moraes e os seus netos, filhos da sua falecida filha dona Josefa Maria de Souza, casada que tinha sido com João Salgado Acioly Teixeira. (Fonte: História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcanti (foto) - Volume I / Outubro de 1968 / Foi mantida a grafia da época. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto).

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Adelmo Arcoverde lança o livro “Viola do Nordeste – Da Cantoria A Viola Progressista”

O professor pernambucano Adelmo Arcoverde lança, quinta-feira (26), às 16h, o livro “Viola do Nordeste – Da Cantoria A Viola Progressista”, ...