quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

A continuação do povoamento e cultivo das terras, depois do ano de 1700 até 1750, prosseguiu com intensidade.

A instalação da Capitania do Ararobá, assim como da freguesia de Santo Antônio do Ararobá, em 1700, exatamente no território da fazenda do Garcia que, como a do Burgo, sofreu as devastações praticadas pelos negros rebeldes, ao ponto de passar a se chamar Tapera do Garcia, serviu de ânimo aos pretendentes à continuação do povoamento e, assim, os herdeiros dos então já falecidos sesmeiros foram encontrando compradores dos seus quinhões de terras, ou mesmo quem os quisesse arrendar. 

Na região do Panema - sesmaria dos Aranhas - que poucas consequências sofreu por parte dos negros dos Palmares, depois da fundação da Lagoa, foram fundadas várias outras fazendas e sítios, entre os quais: Puxinanã, Fazenda Grande, Serrinha, Mocó, Catimbau, Maniçoba, Mororó, Cachoeira e Panelas.

Os dois últimos sítios, "um por nome as Panelas e o outro a Cachoeira que partem um com outro, e pelo rio Panema abaixo com o sítio chamado Maniçobas e para cima com o sítio do Puxinanã, e para a parte do nascente com o sítio do Campo Grande, e para a parte do poente com o sítio chamado Mororó", dona Clara Aranha Pacheco, viúva de Cosme de Brito Cação, e que os houve por herança de seu irmão Pedro Aranha Pacheco, os vendeu por escritura pública, lavrada pelo tabelião Manoel Rodrigues Crasto, no sítio São Gonçalo, junto à cidade de São Cristovam, Capitania de Sergipe do Rei, em 9 de janeiro de 1702, a Bento Leite de  Oliveira, " por preço e quantia de seiscentos e quarenta mil réis".

Em 23 de junho de 1705, o então sargento-mór depois tenente-coronel Manoel Ferreira de Azevedo, casado com dona Simôa Gomes, foi judicialmente empossado no sítio Tapera do Garcia, que o havia comprado a João da Rocha Vieira, na então Vila do Penedo, por escritura pública, lavrada pelo tabelião daquela Vila, João Ribeiro Tinoco.

Este sítio, que foi fundado com a denominação de Fazenda do Garcia, tinha o seu território, começando da barra do riacho Cajueiro, no rio Mundaú, e por este riacho acima até o córrego do Culumin e, daí em direção ao norte, até o rio Canhoto e, do mesmo ponto que começava, ia pelo rio acima até a sua principal cabeceira, e desse ponto, para o norte, até encontrar no rio Canhoto.

O sítio dos Fojos, que se dividia, pelo norte, com o sítio Lages, pelo leste se dividia com o sítio do Garcia, até a cabeceira principal do rio Mundaú, e desse ponto, dividindo-se pelo sul, primeiro com o sítio do Buraco até as águas pendentes do riacho do Araçá, e em seguida com o sítio do Saco, até o riacho Seco, foi  por Lopo Gomes de Azevedo, que houve por herança de sua  avó dona Clara Aranha Pacheco, viúva do capitão Cosme de Brito Cação, vendido a Manoel Correia de Barros, em 6 de setembro de 1710.

O sítio do Buraco começava da barra do riacho repartição, no rio Mundaú, e pelo riacho acima, dividindo-se pela sua margem direita com o sítio Sambaíba, até onde, nele faz barra o riacho do Araçá, e por este acima, dividindo-se com o sítio Saco, até encontrar o sítio dos Fojos, e com este se delimitando, pelo norte, até encontrar o sítio do Garcia, com o qual se dividia pelo rio Mundaú, até a barra do riacho Repartição, onde começava.


Este sítio foi doado pelos sesmeiros a Gabriel de Brito Cação e seus companheiros, por descobrirem os Garanhuns, e este doador vendeu o seu quinhão, sem o demarcar, a Domingos Pereira de Moraes, em 6 de outubro de 1710, pelo preço de cinquenta mil réis.

Poucos anos depois, foi o referido sítio arrematado, em hasta pública, na Vila do Recife, pelo português Antônio Vaz da Costa, casado com dona Luiza Dantas Soares, no qual se instalaram e criaram a sua numerosa prole, onde também faleceram,  ele em 2 de novembro de 1754 e ela em 4 de junho de 1776.

A fazenda da Lagoa, tocou por herança dos seus pais, a Pedro Aranha Pacheco, casado com  dona Maria de Matos da Costa, e, após o falecimento deste herdeiro, a sua viúva vendeu a referida fazenda, em 19 de novembro de 1716, aos dois irmãos, que para isto se associaram, o capitão comandante Felix Paes de Azevedo e Nicácio Pereira Falcão, pela quantia de quatrocentos mil réis.

As terras desta Fazenda limitavam-se de um lado com a Fazenda de Francisco de Abreu, chamada Curral do Meio, e da outra parte com o sítio chamado o Cabo do Campo pertencente a Lionel de Abreu e Lima.

As terras que, pelo riacho do Araçá acima até as águas pendentes para as suas cabeceiras, se dividiam com o sítio do Buraco, e da barra desse riacho, no riacho da Repartição, e por este acima até às cabeceiras e daí até o riacho Seco se dividiam com o sítio da Sambaíba, e pelas águas pendentes para o sítio dos Fojos e com este se dividiam até o riacho Seco, constituíam o território do sítio do Saco, comprado de sociedade composta dos capitães Pedro Rodrigues de Pontes e Micael de Amorim, em 6 de outubro de 1717, a Lopo Gomes de Abreu, que o houve por herança de sua avó dona Clara Aranha Pacheco, viúva do Capitão Cosme de Brito Cação, cuja compra foi feita pela importância de duzentos mil réis.

A parte deste sítio escolhido pelo sócio Micael de Amorim Souto, foi por ele denominada "Mochila" para a distinguir da parte de terras do Saco, propriamente chamado.

Em 2 de dezembro de 1744, o capitão Pedro Rodrigues de Pontes recebeu a quantia de noventa mil réis, com a qual tinha entrado para a compra do sítio, pela venda que da sua parte fez ao sócio capitão Micael de Amorim Souto, porém a posse judicial somente foi dada, em 10 do mesmo mês e ano, a dona Maria Paes Cabral, por haver, neste tão curto espaço de tempo, falecido o capitão Micael de Amorim Souto, seu marido.

A fazenda Serrinha tocou, por herança de dona Francisca Correia Sande, viúva do mestre de campo Nicolau Aranha Pacheco, ao seu filho Pedro Fernandes Aranha, e este herdeiro a vendeu ao capitão Rafael de Araújo por escritura pública lavrada no cartório da, então, Vila de Penedo, em 2 de dezembro de 1711.

O tenente-coronel Manoel Ferreira de Azevedo, que, conforme já foi dito, comprou o sítio "Tapera do Garcia", em 1705, também comprou o do "Flamengo", por escritura pública, lavrada na Vila de São Francisco da Barra do Sergipe do Conde, em 20 de fevereiro de 1718.

Atribuímos o nome dado a este sítio, ao conhecimento que teria o encarregado da sua organização, de nele terem estacionado forças holandesas que também perseguiram os negros rebeldes dos Palmares, em 1645, conforme referência de Rocha Pombo em sua História do Brasil.

O território do sítio do Flamengo limitam-se, pelo leste e pelo sul, com a sesmaria dos Burgos, pelo oeste com o sítio Tapera do Garcia, e todos estes, pelo norte se dividiam com a sesmaria dos Vieira de Melo, pelo rio Canhoto.

A fazenda Grande tocou, por herança de seu pai, Antônio Fernandes Aranha, a dona Beatriz Fernandes, casada com Antônio da Mata Caldeira, e este casal, em 12 de fevereiro de 1724, dela desmembrou a metade do território para o pagamento de trezentos e tantos mil réis e sua filha dona Antônia da Mata Caldeira e aos seus netos, filhos do primeiro casamento desta com Manoel de Souza, um dos quais era o capitão Feliciano de Souza Caldas.

Dona Antônia da Mata Caldeira era então casada, em segundas núpcias, com Manoel Gomes de Sá, que foi o primeiro Juiz Ordinário da Capitania do Ararobá, da qual também veio a ser Juiz Ordinário, o seu enteado capitão Feliciano de Souza Caldas.

Por escritura pública lavrada na Vila de São Francisco da Barra de Sergipe do Conde, em 20 de novembro de 1724, o coronel Manoel da Cruz Vilela comprou a dona Madalena Clara Pereira, curadora do seu marido, Alferes Nicolau Aranha Pacheco e Albuquerque, o sítio Sambaíba, que havia sido organizado na sesmaria dos Aranhas, pela quantia de trezentos mil réis.

O sítio Sambaíba, acima mencionado, compunha-se das terras que, começando na barra do riacho da Repartição, no rio Mundaú, ia pelo riacho acima se dividindo, primeiro, com o sítio do Buraco até confrontar a barra do riacho do Araçá, e daí por diante com o sítio Saco, até às cabeceiras, de onde continuava com o mesmo se dividindo até o riacho Seco: da barra do riacho da Repartição, ia pelo rio Mundaú abaixo até encontrar a sesmaria dos Burgos, e com ela se dividia pelo sul, até o riacho Seco.

O sítio do Catimbau (o de Buíque), tornou-se propriedade do capitão Matias Ferreira Luiz, por o ter havido, por sentença judicial, de Francisco de Abreu e sua mulher, dona Maria Fernandes Barbosa, e este proprietário o vendeu, em 28 de agosto de 1726, a Gonçalo Pereira de Moraes, filho do proprietário da  Fazenda Mocó.

Muitos anos depois, o sítio "Catimbau" veio a ser propriedade de Leonardo Bezerra Cavalcanti, que faleceu em 1827, e como os seus herdeiros nunca demarcaram os seus quinhões, até bem pouco tempo, continuava o seu território em comum ocupado pelos seus descendentes. (Fonte: História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcanti (foto) / Volume I / Outubro de 1968 / Foi mantida a grafia da época / Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto). 

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