sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

POVOAMENTO E CULTIVO DAS TERRAS DA SESMARIA DOS BURGOS DE 1700 ATÉ 1750 - A sesmaria dos Burgos, com a fundação da fazenda Burgo, cujo local ainda hoje assim se chama, passou toda ela a denominação de "Nossa Senhora do Desterro".

Mais tarde, foi fundada a fazenda "Queimada dos Porcos", cujo encarregado da sua fundação invocou para ela a proteção de Nossa Senhora da Conceição, e como era localizada nas imediações das nascentes de um riacho, este foi daí por diante denominado, como ainda hoje se chama, riacho da Conceição, o mesmo acontecendo com a denominação da fazenda, cujo local continua se chamando "Sítio da Conceição".

Estas fazendas sofreram, por parte dos negros rebeldes dos Palmares, as mesmas depredações que a do Garcia e a do Jupi, e ainda ficaram ocupadas por muitos anos pelos negros que, nas terras da primeira formaram o "Mocambo da Negra Maria" (atualmente , Sítio Muniz) e nas terras da segunda fazenda, o de "Pedro Capacaça" (atualmente, a cidade de Bom Conselho).

Com o aniquilamento da República dos Palmares, em 1696, foi reiniciado o desenvolvimento da sesmaria, reorganizando-se as fazendas destruídas, e, em seguida, a fundação da fazenda do Capacaça".

Com o falecimento do Dr. Cristóvam de Burgos, volta a sesmaria ao estado de inatividade, sendo adquirida por compra pelo português de Braga, Manoel da Cruz Vilela (depois coronel), em 1712, como veremos a seguir:

"Aos 26 de julho de 1712, compareceram nesta cidade de Salvador Bahia de Todos os Santos, em pousadas de mim tabelião, (Antonio de Oliveira de Barbude) o capitão Jeronimo de Burgos de Souza e Essa procurador da sua mulher dona Elena de Oliva e Melo, e Manoel da Cruz Vilela, Francisco Nunes e Alexandre Pereira Peixoto, o primeiro como vendedor, o segundo como comprador e os outros como testemunhas, e logo pelo dito vendedor o dito Capitão Jeronimo de Burgos e Essa, me foi dito em presença das testemunhas ao diante nomeadas e assinadas que entre os mais bens que tem e possuem seu casal e dita sua mulher  bem assim como na verdade um sítio de terras de Nossa Senhora do Desterro pertencente a sesmaria dos Campos do rio Mundaú capitania de Pernambuco o qual sítio confronta pela parte do norte com o riacho chamado Canhoto e da parte do  sul com as terras de Braz Soares Passos e pela parte do nascente com as matas dos Palmares e pelo poente com as terras do Padre Pedro Fernandes Aranha e dos Padres Recolhetos aonde chamam o mocambo da Negra Maria e confrontado e demarcado com quem mais diretamente deva e haja de partir confronte e demarcar e assim da maneira que o possuem e possuirão seus antecessores disse ele vendedor o dito capitão Jeronimo de Burgos de Souza e Essa e por si como procurador da dita sua mulher vendia como com efeito logo vendeu deste dia para sempre ao dito comprador o dito Manoel da Cruz Vilela por preço e quantia de duzentos e vinte mil réis..."

O comprador foi judicialmente empossado: da fazenda do Capacaça, em 20 de outubro de 1712, da fazenda Queimada dos Porcos, em 27 de outubro, também de 1712, e da fazenda do Burgo no dia 31 de outubro do mesmo ano de 1712.

Uma vez assim empossado nesse imenso latifúndio, fixou a sua residência na Fazenda do Burgo e iniciou o desenvolvimento de sua propriedade com a organização de outros sítios, tanto por sua própria iniciativa, como por meio de arrendamento de trechos de terras a outras pessoas.

Por cerca do ano de 1717, casou-se com dona Maria Pereira Gonçalves, natural da Vila do Penedo, e quando, em 1724, comprou o sítio da Sambaíba, como já foi dito atrás, para ele transferiu a sua residência, talvez para ficar mais no centro dos seus domínios.

Era franca a propriedade do seu latifúndio, quando em 1729, foi assassinado o já de há muito, coronel Manoel da Cruz Vilela, ficando a sua viúva com quatro filhos, ainda crianças, dos quais foi nomeado curador, o seu cunhado, o comissário geral João Peixoto Vilela, que muito o ajudou com a sua boa orientação.

As referidas crianças chamavam-se: Francisca Xavier da Cruz Vilela, que veio a casar-se com o capitão Manoel Pinto Teixeira; José Pereira da Cruz Vilela, que não se casou; Antônio Anselmo da Cruz Vilela, que esposou dona Cipriana Dantas da Costa, filha do português Antônio Vaz da Costa e de sua esposa dona Luiza Dantas Soares; João Pereira Vilela, que veio a se casar com dona Elena Ferreira de Melo.

José Pereira da Cruz Vilela, provavelmente, não se quis casar para nunca deixar a companhia de sua mãe, como realmente assim aconteceu, o que, tanto para ela, como para os seus irmãos, foi de muita utilidade, assumindo ele, logo que se fez homem, a administração do patrimônio deixado por seu pai, e que foi conservado em comum até que faleceu sua mãe, nos finais do ano de 1773.

Durante a sua longa administração, este dedicado membro da família sempre obteve ganho de causa nas várias demandas em defesa do patrimônio comum contra tentativas de usurpadores. (Fonte: História de Garanhuns - Alfredo Leite Cavalcanti (foto) - Volume I - Outubro de 1968 / Foi mantida a grafia da época). Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

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