sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

História de Garanhuns


A tradição histórica diz que Miguel Coelho Gomes recebeu "uma légua de terra em quadro que ia do norte ao sul desde o "Quilombo" até o "Brejo" e de leste a oeste, do "Cedro" ao "Pau Cortado", herdada de seu pai, segundo consta das notas colhidas por Otávio Alves da Silva Rêgo (Bimbe) do sogro Antônio Cardeal de Azevedo, trineto de Simôa Gomes de Azevedo e pai de Cecília Cardeal de Azevedo, esposa de Bimbe e  mãe de Dario da Silva Rêgo.

A escritura de doação de 1756, transcrita na íntegra, ipsis litteris, entretanto, fala "de um Sítio de terras chamado o "Gracia" nos Campos de Garanhuns, o qual houvera por compra o defunto seu marido, o dito Manuel Ferreira de Azevedo, e lhe tocara este de meiação no inventário e partilha (dos bens) que se tinham feito com seus filhos (Valério e Bertoleza), por morte do dito seu marido, de que estava de mansa e pacífica posse..."

Explica-se que, das seis léguas de terra em quadra, recebidas de Sesmaria pelo Mestre de Campo paulista, doadas por El-Rei D. Pedro II, pelo Alvará de 12 de Março de 1695, em obediência ao 6º partido do seu contrato com o Governador de Pernambuco D. João da Cunha Sotto Mayor, uma delas fosse localizada nos campos dos Unhanhú, onde estabelecera de início o seu quartel general e que legara ao seu filho Cabo Miguel Coelho Gomes, havendo este mais tarde provavelmente por ter de retirar-se para o Quilombo dos Palmares, vendido ou traspassado a mesma data de terra ao seu genro, então Tenente Coronel Manuel Ferreira de Azevedo.

Este faleceu, provavelmente, em 1726, pois em 1725, passou uma procuração bastante, juntamente com sua mulher Simôa Gomes de Azevedo, descoberta no 2º Cartório da cidade por Alfredo Leite Cavalcanti, que transcrevo abaixo na íntegra, e naquele ano consta o alvará de libertação de um escravo, bem como parece ter sido feito o inventário de seus bens, ainda não descoberto.

"PROCURASAM BASTANTE QUE FAZEN O TENte. CORONEL MANOEL FERREIRA D' AZEVEDO E SUA MOLHER SIMÔA GOMES ÀS PEÇOAS NELLA CONTEUDAS".

"Saibam quantos este publico instromento de Procurasam bastante virem ou como enderesso melhor nome e lugar haja e dizer se posa, que sendo no anno de Nascimento de Nosso Senhor Jesus Christo de mil e setecentos e vinte e sinco annos nessa Capitania do Ararobá nos Campos dos Garanhuns em pouzadas do Tenente Coronel Manoel Ferreira d'Azevedo adonde eu escrivam fui vindo e sendo ahi parante mim apareseram o Tenente Coronel Manoel Ferreira d'Azevedo e sua molher Simôa Gomes,  peçoas de mim escrivam reconhecidas pelos proprios de que se tratam, e por ellas foi dito em minha presença e das testemunhas ao diante nomeadas no fim desse publico intromento assignadas que ellas por meio deste publico instromento no melhor modo de direito queser posa faziam ordenando clonstitusial por serviços e em todo o bastante Procuradores ao Muito Reverendo padre Fr. Antonio do Sacramento, religioso de S. Tereza, e aos Lensensiados Cosme Affonso Alorcas e Martins Ferreira de Carvalho, e ao Bacharel formado Antonio Ferreira Castor, e  ao Capitam Sanctos Gomes da Veiga, ademistradores que foram do preszente instromento, aos quais da forma que davam pediam e traspassava todo o fim de direito (que) se requer para que  os ditos Procuradores todos juntos e cada de per se adonde com esta Procurasam se acharem e necessário lhes for  en nome delles constituintes e como elles proprios en suas peçoas; e outrosim diserão que constituiam seus bastantes Procuradores nessa Capitania do Ararobá e Antonio Vieira de Mello e ao Muito Reverendo Padre Juam Ferreira da Congregasam e ao Coronel Manoel Monteiro da Rocha e ao Capitam Feliciano de Souza Caldas, e na cidade de Olinda e Villa de Sancto Antonio do Recife aos atrás nomeados e na Villa das Alagoas ao Alferes Juliam Guiterres e ao Lensenseado Antonio da Silva Duram, digo Pedro da Silva Dourado, o Capitam Juan de Araujo Lima; e na Cidade  da Bahia aos Doutores Francisco Ximenes Correa e Antonio Correa Ximenes, Antonio de Brito de Castor e Sampaio e Francisco de Albuquerque da Câmara, aos quais todos em geral e cada de  per se lhe dá todos os seus poderes, mandado geral e especial quam bastante de direito se requer para que adonde com esta Procurasam se acharem e nesesario lhes for, en nome delles constituintes posam cobrar e arrecadar, e as suas mãos poder, aver en toda a sua fazenda de qualquer genero e condisam que seja, devidas carregaçõens, principalmente poderão os ditos seus Procuradores tudo aquilo que seu for, digo tudo aquilo que lhe deverem quais quer peçoas, e tudo o mais que seu for e lhe pertenser por qualquer otro titulo ou rezam que seja, citar, demandar, levar a juizo por petiçõens, auçoens, razõens oferecer, dar e assignar, e das partes contrarias alegando, mostrando, defendendo todo o seu direito e justiça en todas as suas causas e demandas movidas e por mover asin nas en que lhes forem Autores ou tanben reos, nos  Auditorios Eclesiasticos ou Seculares nelles ouvir despacho, sentenças passadas en seu favor, conferir nellas vistas do proseso e fazellas dar a sua devida execusam, e das Confrarias apellar e agravar tudo seguir até a maior alsada e final sentença do Supremo Senado: fazer protestos, pidimentos, embargos, protestos, digo seuqestros, penhoras, rematar bens e pose, tomar de tudo aquilo que seu for, dar quitações como lhas pedirem, jurar nalma da ley Constituhinty qualquer juramento que com direito lhe for dado, deixalo no das partes da ley pareser por suspeições, tirar instromentos de agravos e cartas testemunhais, segundo en tudo seus aviso, e esta sub-stalebecer nos Procuradores que quizerem, ficando-lhe sempre firme e valioza para della uzarem com livre e geral administrasam; e reservando para sua peçoa toda a annual cisasam, o que tudo dito, feito, alegado, mostrado e defendido, resebibo e assignado pelos ditos seus procuradores e sub-stabelecidos o averá por ben firme e valiozo deste dia para sempre; en fé e testemunho de verdade asin o otorgaram e pediram fose feito este instromento nesta nota em que assignaram e pella otorgante não saber ler nem escrever rogou a Antonio Vieira de Mello que por ella assinace, sendo preznete por testimunhas o Alferes Manoel Santana da Silveira e Euzebio Borges da Fonseca e assignaram e eu Paulo Ferreira Pacheco Escrivam do publico judicial e notas nesta Capitania do Ararobá o escrevi.

a) Manoel Ferreira d'Azevedo

Asino a rogo da otorgante Simôa Gomes d'Azevedo.

a) A. Viera de Mello.

Fonte: A Terra dos Garanhuns / Prof. João de Deus de Oliveira Dias / Ano de 1954 / Foi mantida a grafia da época.

Foto: Antiga casa Colonial Portuguesa do Século XX.

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