quarta-feira, 5 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

JURISDIÇÃO DA VILA DE SANTO ANTÔNIO DE GARANHUNS - O governo  que se compunha de um Comandante (antes Capitão-Mór) e um Juiz Ordinário que ao judiciário acumulava o Poder Executivo, foi completado o Poder legislativo, por intermédio da Câmara dos Vereadores, que era presidida pelo Juiz  Ordinário que, ao mesmo tempo, acumulava o Poder Executivo.

No mesmo ano em que o Julgado de Garanhuns foi transformado em Município, instalado em 13 de Dezembro de 1813,  também, conforme se lê na Revista do Instituto Histórico de Vitória de Santo Antão, ano de 1959, Vol. II pág. 53,  a esta categoria, foi elevada a antiga Freguesia de Santo Antão, por Alvará Régio de 27 de julho de 1811, e instalado em 28 de Maio de 1812, e este acontecimento causou à jurisdição de Garanhuns a perda de grande parte da região onde se formou a povoação do Bonito, que foi incorporada ao território desse Município.

Quando em 1836, a povoação de Pesqueira passou, em definitivo, a sediar o Município de Cimbres, sem que nos fosse possível constatar o motivo, não obstante o grande esforço que para tanto empregamos, todo o território que, atualmente, compõe os  dos Municípios de Inajá, Buíque, Pedra, Sertânia e parte de Custódia, voltou à jurisdição do já Município de Garanhuns que, por isto, passou a sua jurisdição a se compor de cerca de vinte mil quilômetros quadrados em território.

Com a instalação, em 1837, da Comarca de Garanhuns, criada no ano anterior, foram abolidos os cargos de Comandante e Juiz Ordinário, e a Câmara passou a se compor de sete vereadores que elegiam um dos seus membros para o cargo de presidente pelo período de um ano, durante o qual acumulava e exercia o Poder Executivo Municipal.


Quando, em 12 de abril de 1839, foi criado o Município do Bonito, que se desmembrou do de Santo Antão, o território de Garanhuns sofreu o desmembramento de toda a área de terra que, atualmente, compõe os territórios de Altinho, Panelas, Lagoa dos Gatos, Maraial, Cupira, Agrestina e parte dos de São Caetano, Caruaru, São Joaquim do Monte e Catende, para completar a composição do território daquele Município, ficando o de Garanhuns se compondo de cerca de dezessete mil quilômetros quadrados.

Com a criação do Município de Caruaru, em 16 de agosto de 1848, com exceção do atual território do Município de São Joaquim do Monte, todo que foi desmembrado do de Garanhuns, fora novamente desmembrado do Município de Bonito, e mais os  dos Municípios de Quipapá e Jurema, desmembrados do de Garanhuns, para fazer parte daquele Município.

Em 12 de agosto de 1854, foi criado o Município do Buíque e para a composição do seu território, não apenas o seu atual, mas também dos atuais territórios dos Municípios da Pedra e Águas Belas, assim como a maior parte do de Inajá e, se é que depois de 1842, o território do atual Município de Sertânia, onde àquele tempo já existiu a povoação da Lagoa de Baixo, sobre a qual nos referimos oportunamente, assim como parte do de Custódia, tenham voltado a fazer do Município de Cimbres, o que não nós consta, foram desmembrados do território de Garanhuns que, com tamanha perda, ficou reduzido a pouco mais de cinco mil quilômetros quadrados.

Foi criado o Município de São Bento do Una em 30 de abril de 1860 e instalado em 6 de fevereiro do ano seguinte, dando lugar ao desmembramento, não somente do seu atual território, como do atual território do Município de Lajedo, a maior parte do atual Município de Canhotinho e grande parte de Angelim, do território de Garanhuns.

Também em 1861, aos 30 de abril, foi instalado o Município de Bom Conselho que se compõe do seu atual território, desmembrado do de Garanhuns, e o atual território de Águas Belas, desmembrado de Buíque.

O Município, hoje chamado das Correntes, foi criado pela Lei Provincial número 1.423 de 27 de maio de 1879, que a seguir via transcrita na íntegra, o que consta de um dos livros de Atas, pertencente ao Arquivo da Câmara dos Vereadores de Garanhuns.

"Lei número 1.423 de 27 de maio de 1879. O Bacharel Adolfo de Barros Cavalcante de Lacerda, Presidente da Província de Pernambuco. Faço saber a todos os seus habitantes que a Assembleia Legislativa Provincial decretou e eu sancionei a resolução seguinte: Artigo 1º - Fica criado o termo de Correntes na Comarca de Garanhuns, o qual terá por sede o Povoado de Corrente que fica elevado a Vila com a denominação de Vila da Conceição. Artigo 2º - Fica criada uma Freguesia no mesmo lugar a qual terá o nome de Freguesia de Nossa Senhora da Conceição do Correntes e cuja sede será a mesma Vila. Artigo 3º - Os limites da nova Freguesia serão os seguintes: Principiando no lugar da Cruz de São Miguel no Rio Paraíba onde divide esta Província à das Alagoas, e por aquele Rio acima seguirá até a barra do Riacho Seco, e por este acima até confrontar com o Sítio Jacaré, dai rumo direito a Fazenda Bom-Será do capitão Andre Lopes, ficando esta para a nova Freguesia; e dai rumo direito ao Rio Mundaú  acima do Poço Comprido, na 2ª passagem do mesmo Rio, e dai rumo direito ao lugar denominado Capim Grosso; e dividindo  os Distritos da  Palmeira e Correntes seguirá no cume da Serra da Camaratuba à casa de Joaquim Peixoto e ficando esta para a nova Freguesia e pelo cume da dita Serra seguirá ao Engenho São Boaventura, ficando também este para a nova Freguesia; e dai pela mesma Serra seguirá ao Sítio Marcelo até os limites das águas na Freguesia de Imperatriz, e dali contornará para o Sul respeitando os limites já  conhecidos das duas Províncias limítrofes, cruzando o Rio Mundaú, seguirá até alcançar o Riacho Mundaú-Mirim e por este acima limitando-se com a estrema da Vila da Assembleia, e dai por diante até alcançar o 1º ponto da partida que divide com Quebrângulo e Papacaça. Artigo 4º - Ficam revogadas as disposições em contrário. Mando por tanto a todas autoridades a quem o conhecimento e execução pertencer que as cumpram e fação cumprir inteiramente como nela se contém. O Secretário da Presidência desta Província faça imprimir, publicar e correr. Palácio da Presidência de Pernambuco, 27 de maio de 1879. 58 de Independência do Império. Adolfo de Barros Cavalcante de Lacerda."

O Município de Canhotinho, foi criado em 2 de outubro de 1890, compondo-se de território desmembrado de São Bento do Una, mas como esse território limita-se pelo Rio Canhoto, e a povoação elevada à categoria de Vila para o sediar atingia o referido Rio na sua margem esquerda e assim o privava da expansão pelas fertilíssimas terras da outra margem o governo da nova Vila, obteve do governo estadual, a incorporação de todo o território que, então, compunha o distrito da Palmeira que, por decreto de 22 de fevereiro de 1891, o desmembrou do território de Garanhuns.

Com a criação do Município da Palmeira, (hoje Palmeirina), em 11 de setembro de 1928, com parte do seu território, quando distrito, desmembrado do de Canhotinho e a incorporação do território do distrito de Angelim, sofreu a jurisdição de Garanhuns, o último desfalque no seu território com a perda desse distrito, ficando como é atualmente reduzido aos mil e setenta quilômetros quadrados de que se compõe, ou seja cerca da trigésima parte do seu antigo território, quando Capitania do Ararobá. (Fonte: História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcanti (foto) / Volume I / Outubro de 1968 / Foi mantida a grafia da época. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto).

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