sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

O Sítio Lages, que deveria ter sido mencionado no capítulo precedente, e que se dividia pelo sul com o dos Fojos, até  o riacho Seco, pelo leste se dividia com o Sítio do Garcia até o rio Canhoto e por ele até às suas cabeceiras, e daí às cabeceiras do riacho Seco, coube por herança de sua avó dona Clara Aranha Pacheco, a Cosme de Brito de Abreu e Lima, que, em 29 de agosto de 1748, o vendeu a Manoel da Costa Leal.

Outro sítio, que também deveria ter sido mencionado, é o Mororó, que pertencia ao sesmeiro Ambrósio Aranha de Farias, que ao falecer deixou um testamento, o seu testamenteiro, Paulo Ferreira Pacheco, passou procuração a Manoel Ferreira Pacheco, para o vender a fim de, com o produto da venda, pagar dívidas conforme disposição do testamento.

O referido procurador vendeu o mencionado sítio, em 30 de dezembro de 1748, ao Sargento-mór João Leite de Oliveira.

Antes de 27 de março de 1753, tinha falecido Nicácio Pereira Falcão, irmão e sócio do Capitão Felix de Azevedo, na propriedade da Fazenda da Lagoa por eles comprada, como vimos no capítulo IV, e este tinha feito entrega à sua cunhada e aos seus sobrinhos a parte da fazenda a eles pertencente. Também tinha falecido a sua esposa dona Ana da Rocha, que com ele se casou no estado de viúva e com filhos, e a estes tinha sido entregue a metade da sua parte na fazenda, e do que lhe ficou, fez, na supra dita carta, doação da metade ao casal Julião de Matos Garcês, Francisca dos Prazeres, ambos seus sobrinhos, com a recomendação do desmembrarem quinhentas braças de terras para patrimônio da capela que ia ser erigida sob a invocação de São Felix.

Aos 27 de junho de 1754, já estava sendo construída a referida capela, e Gonçalo Pereira de Moraes, então proprietário da metade da Fazenda Mocó, reforçou o patrimônio, doando para isto, (seis mil réis) das terras da sua propriedade.

Os sítios e fazendas organizadas em todas as sesmarias integrantes da Capitania do Ararobá, citados na capítulo II, compunham-se de tão grandes territórios que, depois, à medida que a população ia aumentando, no território de cada um deles se organizaram dezenas e até centenas de outros sítios, conforme a fertilidade do solo.

O Tenente-coronel Manoel Ferreira de Azevedo que, como já vimos no capítulo precedente, adquiriu por compra a Fazenda do Garcia, já denominada Tapera do Garcia, em 1705, e que também comprou o Sítio do Flamengo em 1718, faleceu em 1729. Infelizmente, nas nossas pesquisas não encontramos nenhum documento referente ao inventário do falecido Manoel Ferreira de Azevedo, como também nada encontramos nos arquivos públicos sobre o inventário da sua viúva Simôa Gomes de Azevedo, que faleceu em 1763.

Todavia, tudo indica que, depois de 1729, os bens de imóveis do casal ficaram em comum entre os herdeiros e a referida viúva, visto que depois daquela data, esta vendeu, no Sítio do Flamengo, em cujo território já tinha sido organizado o Sítio do Tigre, aos padres da Congregação de São Felipe Neri.

Tempos depois os referidos padres desmembraram do território do Flamengo e venderam em conjunto o Sítio do Tigre e o da Sapucaia, este organizado depois que compraram o Flamengo, a José Teixeira Lisboa, casado com dona Porcina Paes de Jesus, e este casal, por sua vez, conservou-se no Sítio Tigre, e vendeu o Sítio Sapucaia a José Ferreira de Melo, em 18 de março de 1778, assim demarcado:

"pega acorrer da estrada que vai da povoação para o Saco do Tapúia  emté sahir fora adonde está huma sucupira marcada de huma e outra parte e dahi o outeyro da Boa Vista agoas pendentes para a parte do mesmo sitio e do dito outeyro decerá pella estrada que vay do saco para o flamengo emté a cabiceyra do Brejo chamado goyabeiras e decerá por ele abacho demarcando pello sítio do flamengo emté a sua Barra e dahi decerá pello riacho Castanhinho abacho com terras do Padre João Morato Roza emté intestar com o mesmo rumo donde principiou".

A outra parte do Sítio Flamengo foi comprada aos supraditos padres por Manoel Dias Moreira, casado com dona Ana Maria da Conceição. Nesta parte, durante o domínio do casal, se organizaram os Sítios Queimadas e Tiririca. O primeiro começava no Pau Cortado, na estrada de São José e se dividia com o Sítio Paulista pelo oeste até meia légua  antes do rio Canhoto, e conservando essa distância ia pelo rio abaixo até encontrar o Sítio Tiririca com o qual se dividia pelo leste até um pau-ferro que existia na estrada acima mencionada, e por ela até onde começava, se dividia com o Flamengo, e foi, pelo referido casal, vendido em 19 de julho de 1797, a José Antônio da Silva, casado com dona Tereza de Jesus Lira.

O casal mencionado vendeu o mesmo Sítio das Queimadas, com as mesmas confrontações, a João Felipe da Silva em 1801.

O Sítio Tiririca começa nas cabeceiras do riacho Brejo Grande, e pelo brejo, ia ao riacho das Frexeiras, de onde em rumo para o sul ia encontrar terras do Capitão Leonardo Bezerra Cavalcanti (Sítio do Tapúia) e com elas se dividia pelo sul até o Sítio Mocambo (mocambo da Negra Maria, mencionado no capítulo III),  com o qual se dividia pelo leste até o rio Canhoto, e por ele acima até confrontar com o Sítio das Queimadas, com o qual se dividia pelo oeste o pau-ferro já mencionado, e daí cruzando a estrada de São João, continuava se dividindo pelo leste com o Sítio do Flamengo até onde começava, e foi, em 27 de março de 1802, vendido por dona Ana Maria da Conceição, já então viúva de Manoel Dias Moreira, a Francisco da Silva Costa.

Dona Simôa Gomes, viúva do Tenente-coronel Manoel Ferreira de Azevedo desde 1729, em 15 de maio de 1756, ratificou por escritura pública a doação que, por escritura particular, havia feito em benefício da Confraria das Almas, que existiu na Matriz da Freguesia de Santo Antônio de Garanhuns, então do Ararobá, cuja doação consistiu em uma quadra de terras que desmembrou do Sítio do Garcia, a qual servindo à Matriz de Pião, até a baixa da Cruz das Almas com a mesma distância para os outros quadrantes, a que tinha até a cruz ali existente, (cujo pedaço de terra assim em quadra, disse ela Simôa Gomes de Azevedo, doava à Confraria das Almas da dita Matriz deste Sertão do Ararobá). Com o falecimento de dona Simôa Gomes, teve fim a denominação do Sítio do Garcia, em cujo território tinham sido organizados os sítios denominados Olho d'Água, Brejo, Várzea, Cego, Quilombo (Quilombo do Magano) , Guaribas (depois São Vicente) Paulista e Columin, que foram partilhados entre os seus herdeiros..

Conforme já foi dito, não encontramos durante as pesquisas os documentos referentes ao inventário de dona Simôa Gomes, e que passaremos a historiar se baseia em declarações dos seus herdeiros nas vendas que faziam dos seus quinhões de terras, levando-se em conta que, conforme escritura de venda do Sítio Várzea efetuado por Antônio Gonçalves de Souza, ao seu genro José Arcangelo, em 31 de maio de 1791, na qual declarou o ter comprado a Bertolesa Ferreira de Azevedo, isto nos levou a concluir de que esta tinha herdado do seu pai e o vendeu antes de casar.

Foram herdeiros, portanto, de Simôa Gomes as suas duas netas, dona Antônia do Nascimento, casada com José Felix de Amorim, e dona Maria Tereza de Jesus, casada com João de Araújo de Oliveira, ambas filhas da sua filha Bertolesa Ferreira de Azevedo e de seu marido Leandro da Cruz Meireles, anteriormente falecidos. Miguel Coelho era irmão de Simôa Gomes e neto do Mestre de Campo Domingos Jorge Velho, grande bandeirante paulista do Século XVIII.

Os sítios Olho d'Água, Paulista e Guaribas, tocaram ao casal dona Antonia do Nascimento e José Felix de Amorim, e os sítios Brejo, Cego, Quilombo e Columin tocaram ao casal dona Maria Tereza de Jesus e João de Araújo de Oliveira.

O Sítio do Paulista, que se dividia pelo sul com o Flamengo, pelo leste com o das Queimadas, pelo oeste com o das Guaribas (hoje São Vicente), a este que se dividia pelo sul com o Columin, pelo oeste com o Quilombo, e ambos terminavam pelo norte do rio Canhoto, foram englobadamente vendidos pelo casal a que tocaram, por herança, a José Ferreira de Melo, em 13 de setembro de 1764.

José Ferreira de Melo, era casado com dona Francisca Dantas da Costa, e este casal vendeu o Sítio do Paulista, a Francisco José Coutinho, sendo posteriormente o mesmo Sítio arrematado em  hasta pública, por José Gomes Botelho, casado com dona Vicência Ferreira de Melo que, em 8 de março de 1791, dele foi desmembrado um trecho de terras, que se limitava pelo lado do sul, pelo riacho dos Bezerros, ao norte pelo rio Canhoto, pelo oeste com outro trecho desmembrado anteriormente e vendido a Inácio Vieira Monte Alegre e pelo oeste com o Sítio das Queimadas, e o venderam a Antônio Marques de Barros.

O Sítio das Guaribas (São Vicente) foi, em 19 de setembro de 1772, pelo casal José Ferreira de Melo, vendido a Felix Vieira da Costa.

Este comprador, que era casado com dona Ana Francisca da Rocha, o vendeu, em 30 de outubro de 1793, a Bento Calado Freire, casado com dona Josefa Maria de Jesus, que por sua vez o venderam, em 4 de outubro de 1797, a João Pereira do Nascimento, casado com dona Maria Barreto Rêgo.

O território que compunha o Sítio do Olho d'Água começou na barra do riacho Cajueiro, ou Castainho, no rio Mundaú,  e pelo mesmo riacho acima se dividia pelo leste com os sítios Tigre, Sapucaia e Flamengo, assim como pelo norte se dividia com o Sítio do Columin, pelo oeste se dividia com o patrimônio da Confraria das Almas e o Sítio do Brejo, e pelo sul com o Sítio do Buraco pelo rio Mundaú.

Este mencionado Sítio foi por José Felix de Amorim e sua mulher dona Antônia do Nascimento vendido, em data que não nos foi possível saber, ao Capitão Joaquim Ferreira de Sá, casado com dona Inácia Quitéria Xavier. Convém saber que no território deste sítio acima confrontado ficava a antiga sede da Fazenda do Garcia, que ainda conserva a denominação de Tapera.

O Capitão desmembrou uma parte das terras do Olho d'Água e dividiu em três partes e as vendeu: a primeira que pelo riacho do Cajueiro se dividia, a partir da confrontação da barra que nele faz o Brejo do Columin, com os sítios do Flamengo e Sapucaia, ao Padre João Morato Rosa, em 3 de maio de 1776. A segunda, que, pelo dito riacho, se dividia com partes dos Sítios Sapucaia e Tigre e pelo norte ficava se dividindo com a primeira parte, foi comprada em 18 de fevereiro de 1777,  por José Pereira da Rocha. A terceira e última, que pelo norte se dividia com a segunda, pelo riacho até a sua barra no rio Mundaú, dividia-se com o Sítio do Tigre, e pelo dito rio dividia-se com o Sítio do Buraco, foi pelo então proprietário deste Sítio, Capitão Francisco Rodrigues de Melo, comprado em 1 de setembro de 1781. Estes três referidos trechos de terra, se dividiam pelo oeste com o território que ficou compondo o Sítio do Olho d'Água.

O Sítio Brejo que, como já dissemos, foi um dos que tocaram, por herança de dona Simôa Gomes à sua neta dona Maria Tereza de Jesus, casada com João de Araújo Oliveira, e que se dividia pelo leste com o Sítio do Olho d'Água, pelo sul, pelo rio Mundaú acima até onde nele fez barra o brejo que nasce na  atual Vila Maria, com o Sítio do Buraco, e pelo mencionado brejo acima se dividindo com o Sítio da Várzea, na Serra das Antas até encontrar o Patrimônio das Almas, com o qual se dividia, até encontrar o Sítio Olho d'Água, foi pelo referido casal vendido a Leandro da Cruz Meireles, casado com dona Bertoleza Ferreira de Meireles, que por sua vez, o venderam a Antônio José de Vasconcelos, em 6 de dezembro de 1778.

Com o falecimento de dona Maria Tereza de Jesus, foi incluída na meiação do seu viúvo a metade do Sítio do Cego e a outra metade a sua filha dona Catarina Ferreira da Luz, casada com Miguel Teles de Carvalho. O do Columin a sua filha dona Porcina Maria de Araújo e o Quilombo ao seu filho Manoel Ferreira de Azevedo.

Dona Porcina Maria de Araújo, ainda no estado de solteira, vendeu o Sítio Columin, que se dividia pelo norte com o Sítio São Vicente (antes Guaribas), pelo sul com o Sítio Olho d'Água, pelo riacho Cajueiro, pelo leste com o Sítio Flamengo e pelo oeste com o Patrimônio das Almas, a Manoel Viégas de Oliveira, no dia  8 de janeiro de 1773.

Pouco tempo depois, casou-se dona Porcina, com Domingos Ferreira dos Santos, e anulou judicialmente a venda feita, sob a alegação de a ter feito no estado de menoridade, prejudicando assim o dito comprador, não somente na importância da compra, mas também nas despesas que fez se defendendo na demanda judicial, e o seu casal o vendeu pela segunda vez, a Alexandre Muniz de Melo, casado, com dona Roza Benta Joaquina.

Durante o domínio do casal Alexandre Muniz de Melo, organizou-se no território do Columin, o Sítio Pau Amarelo, que o casal separou, vendendo o Columin, em 8 de abril de 1801, a Bento Calado Freire. Igualmente, vendeu o Sítio Pau Amarelo, em 21 de Abril de 1802, a João Rodrigues da Paixão.

O Sítio do Quilombo, assim chamado por quem o organizou, tempos depois da instalação da Capitania do Ararobá, por saber ter a sua sede servido para a construção de uma fortaleza pelos negros rebeldes dos Palmares, dividia-se, pelo leste com o São Vicente, pelo sul com Patrimônio das Almas, pelo oeste com o Sítio Cego e pelo norte terminava no rio Canhoto, tocou por herança a Manoel Ferreira de Azevedo que, ainda no estado de solteiro, o vendeu, em 26 de abril de 1773, a Felix Vieira da Costa, casado com dona Ana Francisca da Rocha, e com falecimento deste casal, a metade do Sítio tocou por herança, na parte sul, ao seu filho João Damasceno da Rocha, casado com dona Francisca Ferreira de Azevedo, que a vendeu ao então Vigário da Freguesia, Padre João da Silva Fonsêca, em 23 de abril de 1814.

O Sítio do Cego, que se limitava pelo norte pelo rio Canhoto, dividia-se, pelo sul, com o Sítio da Várzea e com o Patrimônio das Almas, pelo leste dividia-se com o Sítio do Quilombo e pelo oeste com o dos Fojos, como foi dito atrás, tocou uma metade na meiação de João de Araújo de Oliveira, viúvo de dona Maria Tereza de Jesus e a outra metade à sua filha Catarina Ferreira da Luz, casada com Miguel Teles de Carvalho, a quem o  dito viúvo vendeu a sua metade, em 14 de maio de 1773.

O casal de Miguel Teles de Carvalho, dois anos depois, vendeu todo o Sítio a Francisco Teles de Carvalho, casado com dona Quitéria Maria do Espírito Santo, genitores do cabeça do casal vendedor e este casal comprador, no mesmo ano, o vendeu a Damião Cabral de Melo, casado com dona Ana Maria Soares, Amaro Francisco Soares, casado com dona Adriana Maria de Jesus e Tomás Pereira da Silva, que para isso se associaram, em 18 de outubro de 1775.

O casal de Damião Cabral de Melo desmembrou da sua parte a metade e sem a demarcar vendeu-a, em 8 de outubro de  1811, ao capitão Joaquim Machado Dias.

No território do Sítio do Buraco, que foi arrematado em hasta pública na Vila do Recife, por Antônio Vaz da Costa, casado com dona Luíza Dantas Soares, durante a vida deste casal, foram organizados os Sítios denominados: Cágados, Borges, Araçá e Brejo das Flores. E com falecimento de ambos os cônjuges, tocou por herança às suas filhas: dona Maria do Rosário Dantas, solteira; dona Inácia Quitéria Xavier, casada com o Capitão Joaquim Ferreira de Sá e dona Maria da Costa Soares, casada com o Capitão Veríssimo Caetano de Amorim, o Sítio do Buraco com o território que lhe ficou com o das demais, cujos herdeiros o venderam, em 14 de abril de 1781, ao Capitão Francisco Rodrigues de Melo, casado com dona Ana Maria dos Prazeres, o "morador que disse ser na  Passagem do Juazeiro no rio São Francisco".

Conforme o seu testamento no Primeiro Cartório de Garanhuns, o Capitão Francisco Rodrigues de Melo era natural do Recife, filho de João Rodrigues dos Santos e de sua mulher dona Ana da Silva e Melo.

O que vai a seguir bem demonstrará que o Capitão Francisco Rodrigues de Melo, pretendeu fixar a sua residência na Vila em Garanhuns. Comprou, como já vimos, o Sítio do Buraco em 14 de abril de 1781, e o trecho de terras do Sítio Olho d'Água, em 1º de setembro do mesmo ano, e posteriormente comprou ao casal de José Ferreira de Melo o Sítio da Sapucaia. Não obstante haver comprado aos herdeiros de Antônio Vieira de Melo, em  22 de janeiro de 1783, a Fazenda das Canelas, de que oportunamente trataremos com mais detalhes. Em primeiro de junho de 1791, fez doação de todo o Sítio da Sapucaia para patrimônio de uma Capela que ia construir sob o orago do Bom Jesus. Entretanto, uma desavença que surgiu entre ele e membros das  famílias Vaz da Costa e Vilela o desgostou ocasionando a sua retirada, para a Fazenda das Panelas, onde se instalou definitivamente e aí construiu a Capela que pretendeu aqui edificar.

Ao se retirar, o Capitão Francisco Rodrigues de Melo, encarregou o seu genro o Capitão Luiz Tenório de Albuquerque, da direção das suas propriedades e, em 22 de fevereiro de 1805, a ele vendeu o Sítio do Buraco, inclusive a parte do Olho d'Água a este anexada.

O Sítio Borges foi, em 8 de setembro de 1784, vendido pelo casal do Capitão Veríssimo Caetano de Amorim e dona Ana do Rosário Dantas a Inácio da Rocha, e o Sítio dos Cágados foi comprado por José Coutinho dos Santos, a dona Maria da Costa, já no estado de viúva do Capitão Veríssimo Caetano de Amorim, em 27 de abril de 1800.

Os Sítios Brejo das Flores e Araçá tocaram por herança ao casal de Antônio Vaz da Costa e aos seus demais herdeiros, porém, por motivos que não encontramos explicação em nossas pesquisas, tornaram-se posteriormente de propriedade exclusiva do herdeiro Capitão Matias da Costa Soares, casado com dona Florência Maria Ribeiro, que desmembraram a metade para a  parte Norte e Sítio Brejo das Flores, a qual venderam a João Francisco de Oliveira, em 5 de dezembro de 1790.

Com o falecimento do Capitão Matias da Costa Soares, e  da sua esposa, foram os dois Sítios partilhados com os seus herdeiros, entre os quais foi dona Ana José da Costa, casada com Francisco de Godoi Vasconcelos, que havendo comprado os quinhões dos outros herdeiros, vendeu o Brejo das Flores em 6 de dezembro de 1798, a Manoel Correia.

Voltamos a nos referir aos Sítios Sapucaia e Buraco afim de, sobre os mesmos, darmos alguns esclarecimentos. O primeiro conforme já foi dito, que fora doado para patrimônio da Capela que o Capitão

Francisco Rodrigues de Melo, pretendeu erigir, depois da sua retirada para a Fazenda das Panelas, o Capitão revogou a doação e o vendeu ao Capitão Leandro Bezerra Cavalcanti, que já era possuidor do Sítio do Tapuia, em 20 de setembro de 1804.

O segundo, foi comprado em 1805 pelo Capitão Luiz Tenório de Albuquerque, ao seu sogro Capitão Francisco Rodrigues de Melo, durante o domínio deste proprietário, nele se organizaram outros sítios, entre os quais foi o do Mundaú, e com o falecimento do Capitão e o de sua mulher dona Rita Felipe de Santiago, foi o Sítio do Buraco e os que no seu território foram organizados, partilhados entre seus herdeiros, estes os vendendo os seus quinhões por escritura particular ou sendo substituídos por seus herdeiros, nos impossibilitou a organização da sequência dos proprietários deste tradicional Sítio do Buraco, como era da nossa intenção.

Entretanto, anos depois, passou o Sítio à propriedade do Dr. José da Costa Dourado e deste então teve a sua antiga denominação substituída pela de "Laranjeira".

Com o falecimento do Dr. Dourado, foi pelos seus herdeiros  entregue o Sítio ao Banco do Recife, como pagamento de dívida deixada pelo falecido, e tempos depois foi adquirida por compra pelo italiano Afonso Notaro que como mestre de cultura agrícola que é, depois de substituir e denominação "Laranjeira" pela de Imaculada Conceição, o transformou em primorosa fazenda, o que valeu ser hoje um ponto de atração muito visitado por turistas.

Aproveitando a oportunidade, passaremos também a nos referir ao Sítio Olho d'Água, a fim de prestarmos maiores esclarecimentos, além do que a seu respeito já foi dito atrás.

Devido ao falecimento do Capitão Joaquim Ferreira de Sá e o de sua mulher dona Inácia Quitéria Xavier, foi o referido partilhado entre os seus herdeiros, e o seu neto João Lourenço de Melo, além da parte que tocou a sua mãe dona Justina Ferreira de Sá, casada com o seu pai Manoel Velho  Pereira, antes falecidos, teve mais outra parte que lhe doou a sua tia dona Mariana Teixeira Cabral, em 6 de setembro de 1825.

João Lourenço de Melo, que se casou com dona Ana do Rosário Dantas, comprou, em 30 de setembro de 1883, a José Correia Paes, viúvo de dona Ana Catarina, também neta do casal do Capitão e prosseguindo na compra das partes dos outros herdeiros, tornou-se proprietário de todo o sítio.

Falecendo ambos os cônjuges do casal proprietário, ele em  1864, e ela em 8 de abril de 1866, foi o Sítio partilhado entre os herdeiros, um dos quais foi dona Luíza Lourenço de Melo, casada com Antônio Vaz da Costa que, a exemplo do seu sogro, comprou as partes dos outros herdeiros, ficando proprietário de todo ele.

Além disto, a ele anexou grande parte das terras do Sítio Brejo, sem que nos fosse possível saber por quais meios, visto que,  nas nossas pesquisas, não encontramos qualquer documento referente a este sítio, desde que foi comprado por Antônio José de Vasconcelos, em 6 de dezembro de 1778, a Leandro da Cruz Meireles, como já foi mencionado: adquiriu ainda o Sítio Mundaú, talvez por compra a herdeiros do Capitão Luiz Tenório de Albuquerque, ficando assim também a ele anexada a referida parte do Sítio Brejo.

Durante a vida de Antônio Vaz da Costa, foram organizados mais dois sítios nas terras do Brejo, que tinham sido anexados ao do Zumbi e outro organizado por Joaquim Targino de Azevedo, casado com dona Francisca Xavier da Costa, filha do casal proprietário e que depois lhe tocou por herança.

Com o falecimento de Antônio Vaz da Costa, quase todo o Sítio do Olho d'Água tocou por herança ao filho Agostinho Jorge da Costa, casado com dona Felizarda Liberalina da Costa, e este casal reuniu a sua parte à de Elias Aureliano da Costa e ambos as venderam a Antônio José Dantas, assim confrontadas: "sendo todas as terras com todos os fundos e fonte na dita propriedade, existindo nas ditas partes de terras uma casa pequena de taipa e coberta de telhas e uma meiágua no alto acima do brejo coberta de telhas cujas partes de terras casa e meiágua dividia-se pela forma seguinte: que se limita em terras de dona Luíza Lourenço de Melo e um dos seus vendedores onde existe uma porteira com todos os fundos e fonte da dita propriedade, sendo parte do norte dividida com terras do patrimônio das almas e com terras do mesmo comprador, sendo ainda para o sul até a porteira, digo até a posse do Dr. Dourado". Esta venda foi efetuada em 12 de dezembro de 1888.

Antônio José Dantas, curioso em medicina, durante o tempo que foi proprietário do Olho d'Água, manteve em sua residência uma pequena drogaria, onde manipulava remédios que vendia aos vizinhos e até aos habitantes da cidade.

Tempos depois, foi o Sítio comprado por José Ferreira de Luna que, falecendo, passou à posse em comum da viúva dona Júlia de Oliveira Luna e seus filhos, como assim continua sendo, sob a administração de um deles, José de Luna Filho.

Todos os sítios que, com o Patrimônio das Almas confinavam, inclusive o de Olho d'Água, tiveram nos finais do século  passado (XIX), os seus territórios acrescidos com as terras daquele patrimônio, sem que pudéssemos saber por que meios, não obstante os esforços que para isto empregamos.

Entre os vários sítios que foram organizados nas terras da Fazenda Puxinanã, foi o principal o da Pedra, cuja metade do seu território foi adquirida por compra ao Sargento-mór José Cavalcanti de Albuquerque e sua mulher dona Joana Leite, pelo Capitão Manoel Leite da Silva, já então viúvo de dona Maria Cavalcanti de Araújo, e este comprado, em 22 de julho de 1760, fez de toda ela doação para Patrimônio da Capela sob o orago de Nossa Senhora da Conceição, que então estava sendo construída, sendo testemunhas, que assinaram na respectiva escritura, José Fernandes Tenório de Albuquerque e o Coronel Teotônio Monteiro da Rocha.

Aquele Sítio, tornou-se propriedade do Capitão Rafael de Araújo. Tempos depois, também, passou à sua propriedade a Fazenda Grande. Aconteceu, porém, que tendo falecido este proprietário, sem deixar herdeiros legítimos, anos depois do seu falecimento, foram as referidas fazendas com todos os sítios, nos seus territórios já organizados, sequestrados e, em 26 de março de 1829, arrematados em praça pública sob a presidência do Provedor Geral e Corregedor da Comarca do Sertão, Dr. Antônio de Araújo Ferreira e Jacobina, na Vila de Flores, pela importância total de quinhentos e dez mil réis, pelo Capitão Antônio Cavalcanti de Albuquerque Melo, afiançado por Lourenço Bezerra Cavalcanti de Albuquerque.

Os sítios mencionados eram no território da Fazenda Grande: Gravatá, Pilões, Macaco, Cachoeirinha, Cafundó, Lagoa do Negro, Lameiro e Cruz do Aranha; e no da Serrinha: Batinga, Cabo do Campo, Riacho do Confim, Olho d'Água do Mato, Mina Grande, Serra Batista, Salina e Santa Clara.

Na sede deste último sítio foi, anos depois, erigida uma capela sob a invocação de Santa Clara, o que deu lugar a se formar uma povoação com a denominação de Tupanatinga, tornou-se a mais próspera Vila do Município de Buíque, hoje sendo Município de grandes possibilidades econômicas.

A Serra do Comunati é mais relevante e renomado local da região de Águas Belas, que se conservou como propriedade dos herdeiros dos Aranhas e assim passou a pertencer a Sóror Maria Madalena de Pazi, do Convento de Santa Clara, na cidade do Salvador, da Bahia de Todos os santos, que a houve por herança do seu pai Francisco de Albuquerque Câmara.

Por intermédio de seu procurador, Capitão Manoel da Silva Gueiros, Sóror Maria Madalena de Pazi vendeu os vários sítios organizados na Serra do Comunati e sobre alguns dos quais vamos nos referir.

O Brejo do Caitetu, que se limitava pelo leste e pelo norte com as águas pendentes para o mesmo sítio, e pelo oeste e sul se dividia com terras de Inácio Manoel, foi em 8 de agosto de 1777, comprado por Miguel Teles de Carvalho.

O Sítio Varginha dividia-se no riacho Fundo com o Sítio Salobro do Capitão Sebastião Bezerra. Para o lado da Serra do Comunati dividia-se com terras de Inácio Manoel e Miguel Teles de Carvalho. Para o lado da povoação de Águas Belas dividia-se com o Sítio Ribeiro do Alto e para o lado do Sítio Gravatá, com este se dividia. Ele foi comprado pelo Sargento-mór Francisco Xavier de Araújo, em 29 de novembro de 1777.

A Sítio Cabo do Campo, em cima da Serra do Comunati, foi, em 9 de novembro de 1778, comprado por Manoel Cardoso Pereira, sem que na respectiva escritura fossem dadas as suas confrontações.

Umas sobras de terras dos Sítios Genipapo e Gravatá, que começavam de onde terminavam as terras de José Pereira Gomes e pela Ribeira do Alto acima, até encontrar as terras da povoação de Águas Belas, foram compradas pelo Capitão Antônio Cavalcanti de Albuquerque Barreto, em 5 de fevereiro de 1780.

O Sítio Monjola, em cima da Serra do Comunati, dividia-se com as terras dos índios pelo riacho Monjola, até confrontar a casa de José Teles e em rumo direito pela serra acima até encontrar terras do Sítio Cabo do Campo, com todas as águas pendentes, confrontando mais com quem devia confrontar, foi comprado por Inácio Manoel de Matos, em 2 de abril de 1780.

Em 7 de agosto de 1780, foi o Sítio Passagem, assim chamado por ser o ponto em que o caminho que dos mesmos ia para a Povoação cruzava a ribeira do Alto, quem servia de pião para e maia légua em quadra de terras que o constituía, comprada por José Pereira Gomes.

E outros sítios foram, pelo mesmo mencionado procurador, vendidos. Cada um, como já temos dito, se compunha de imenso território, no qual se organizavam outros e, assim, era o crescimento embora lento porém contínuo da população. (Fonte: História de Garanhuns - Alfredo Leite Cavalcanti (foto) | Volume I | Outubro de 1968 | Foi mantida a grafia da época).

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