domingo, 16 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Charutos da Terra do Senhor do Bonfim - Vamos relatar uma fácies do JCR. Corria o ano de 1930. A juventude integrante da "Coluna Louca", havia voltado de Salvador, Bahia, sem ter dado um tiro - nem para matar passarinho. Sãos e salvos regressaram os "pupilos" do capitão Mário Lira. Alguns, contando "lorotas", outros, como o Ivinho, exibindo as fumaradas dos excelentes charutos baianos - macios como pele de moça...

Dizia o futuro advogado do Banco do Brasil - Ivo: "Trouxe algumas caixas de charutos para o meu deleite"... E soltava a deliciosa "fumaça" em cima da turma da imprensa matuta, quando das reuniões, à noite, no Diário. Mas, não os ofertava a ninguém. Num desses encontros, JCR, que tinha uma belíssima caligrafia, começou a escrever o seu autógrafo, em folhas soltas, gabando-se de não haver similar em estética, perfeição no traço das letras, harmonia no conjunto, firmeza, etc. Enfim, uma ótima conversa para algo que estava a planejar. Ali, presentes, o "Joca" e o "Dario": caligrafias próprias para hieróglifos, Morse, Ivo e outras pessoas.

Joca e Dario entraram na disputa mas foram logo eliminados - "hieróglifos" não valiam. Morse tentou porém não conseguiu nada. Ivo entrou no páreo. Foi na conversa de JCR. Deixou algumas assinaturas em folhas soltas que foram cuidadosamente escamoteadas pelo autor da ideia.

No dia seguinte JCR põe em execução o seu plano. Escreveu, à máquina, um bilhete a Regina (esposa de Sátiro Ivo Júnior), no papel tinha a assinatura do citado acima, e esperou que ele aparecesse no cartório para o bate-papo usual, tendo então, após, mandado um de seus "boys" entregar a missiva. Não demorou muito e o portador chegava com duas caixas de charutos que foram, devidamente distribuídos entre os componentes do "diarinho". Em seguida, programou uma reunião no "Restaurante Ítalo Brasileiro" para uma macarronada à italiana, entre os amigos. Todos compareceram ao ágape, tendo, cada um, exibido, ostensivamente, charuto baiano, fazendo os devidos elogios. Ivo já meio desconfiado, tendo descoberto o "logro", sem saber quem falsificaria a sua assinatura, disse ele, tão perfeita, que confundira um perito do Banco do Brasil que afirmou, não haver encontrado em sua vida profissional, de algumas dezenas de horas, nada tão igual. Começou a xingar todo mundo. Gastara tanto com os seus estimadíssimos charutos... Iria às barras da justiça a fim de descobrir o falsificador.

Pudera, ele mesmo...

Mande fazer um exame grafológico, por peritos oficiais, dizia, maldosamente, o JCR; e não vá você mesmo para  cadeia. (Fonte: Alberto da Silva Rêgo / Escritor, agrônomo e historiador / 1987).

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