quinta-feira, 13 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

O PATRIARCA JULIÃO CAPITÓ - Pelo que sei sua vida terrena transcorreu fecundamente  na região correntina de Poço Comprido, limítrofe com Garanhuns, no antigo distrito de  Rua Nova, atual Iratama, onde o Agreste tem sido dadivoso à agricultura e pecuária não  extensiva, mas que, tanto o café como a produção de leite, no meu tempo pernambucano, se constituíam fontes de subsistência e prosperidade aos que nele davam amor e trabalho à  terra.

Ao iniciar o artigo, não sei se ser-me-á possível contraditar o Aurélio que, no verbete vaidade define-o como "qualidade do que é vão, ilusório, instável ou pouco duradouro", pois sabemos, nós nordestinos, que ai no Agreste tem sido lugar-comum as pessoas se envaidecer, vez por outra, quando recebem elogios.

No sentido de que o verbete, ocasionalmente, não possa ter o significado de coisa fútil ou insignificante, eu diria que estou possuído de extrema vaidade, pelas palavras do Padre Adelmar em recente cartão de 21 de fevereiro deste ano (1991).

Isso porque, sabem e conhecem de cor e salteado todos os  ex-alunos do Padre, que o nosso Diretor e ainda Guia, quando a nós se dirige, do seu retiro da Rua São Bento, suas palavras se revestem no vernáculo de uma conotação singela, porém ainda cheias de interesse e participação em nossas vidas. A meu ver, essa participação espiritual e esse interesse global, podem definir-se como elogio existencial a seus queridos ex-alunos, do mais bem situado na aspiral da vida ao mais  humilde. E todo elogio, se for o caso de assim entendermos a atenção do Padre, é caminho imediato ao sentimento de uma  pontinha de viva vaidade...

"Caro Rinaldo: Estou agradecendo suas palavras a meu respeito, publicadas no seu artigo sobre Ivo Júnior e Ronaldo Filho. Palavras que revelam sua generosidade para comigo. Deus lhe pague. Recordei seu irmão Ronaldo, meu afilhado; dele, tenho um retrato, de farda do Ginásio, menino de 5 anos... Quanta saudade! Um abraço agradecido".

Mestre Vila (o escritor Antonio Vilaça), que sei ser leitor assíduo deste jornal, pelo que em cartas me tem anunciado, muitas delas comentando o que tenho escrito, por certo que na próxima haverá de criticar-me a mistura de assuntos que faço num único artigo. Só que neste, Mestre Vila, você haverá de concluir que Julião Capitó tem muito a ver com o saudoso Abílio Valença, que está ligado ao Padre Adelmar que, por sua  vez, faz parte da vida de todos os ex-alunos...

Tenho do meu Diretor e Guia um ensino literário sobre a chegada do seu pai a Garanhuns, vindo de Pesqueira com dona Emília e a numerosa prole quando, inicialmente, nas terras da Pau Amarelo, apascentava as vacas leiteiras, das  quais tirava o sustento para a família, vendendo o leite ele próprio, como anos mais tarde, o "leiteiro" Amílcar viria fazer, seguindo a tradição pecuarista do pai.

Daí a lembrança, a ligação que faço entre Julião Capitó e Abílio Valença, varões ilustres a quem conheci superficialmente nos meus tempos de menino de Garanhuns. Sobre o perfilado, que é título do artigo, eu tenho que dizer que, dentre os filhos deixados, situa-se Edjenalva, a minha dileta amiga Nalva, primeira-dama do Município e, muito mais que isso, comadre do Cidadão de Cristo, Monsenhor da Igreja Católica, honraria que não usa, preferindo ser o Padre do Ginásio!

Julião Capitó, agricultor e pecuarista de Poço Comprido, um homem que tirou da terra todo o amor que a prosperidade do trabalho deu-lhe para, em dádivas multiplicá-lo à família. 

*Rinaldo Souto Maior / Jornalista e historiador / São Paulo, 16 de Março de 1991.

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