sábado, 22 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Monsenhor José Ferreira Antero (Grandes Vultos) - As anotações sobre os fatos que justificam a  projeção dos nossos  vultos, estão a exigir de  nossa parte uma conceituação específica para cada um deles. Todos, na medida de suas possibilidades, atingiram a idade da razão. Entenderam que somos todos companheiros de viagem uns dos outros, no mesmo planeta. E a felicidade e os sofrimentos de cada um equivalem a  nosso própria felicidade. Na realidade o ser humano que habita o  mesmo mundo de lutas e competições, a igualdade de seu nível intelectual, implica na  desigualdade do destino de cada um do nós. Moralmente, a humanidade progride pelo desenvolvimento da inteligência, do senso moral e do abrandamento dos costumes. Abrandar os costumes é uma tarefa das mais árduas. O consuetudinário é mais velho porque pertence  ao sentimento de posse ou de culpa. Esse domínio é  tão possesivo que pretende anular a culpa e a responsabilidade. Daí a luta entre o ser e não ser legítima da posse. Só o ordenamento jurídico foi  capaz de estabelecer o plano de equilíbrio social. O progresso da  humanidade se efetua pois, em virtude de uma  lei. Ora, como todas as  leis, da natureza são obra eterna da sabedoria e da presidência divina, tudo que é feito dessas, é o resultado da  vontade de Deus: de pois, não haverá mais  nada a fazer pela vontade limitável. A vontade do homem de abusar do  poder como se fosse dono do destino de seus  semelhantes, não deve existir.

Há um limite em tudo isto que age sutilmente, não em proveito próprio e sim para o bem de nós todos. Só que não sabemos identificar o  motivo especial de sua atuação. Por isso em nenhuma outra época o ceticismo e o espírito de  negação estiveram mais  espalhados em todas as  classes da sociedade. Nesse sentido cada um  procure saber o quando a ordem da coisa atual ainda deixa a desejar. Depois de ter de alguma sorte esgotado o bem estar material, que é o  produto da inteligência,  chega-se a compreender que o complemento de  tal bem-estar só se encontra no desenvolvimento moral. Quanto mais se avança, mais  se sente aquilo que falta, sem que todavia seja possível ainda defini-lo claramente é o efeito do  trabalho íntimo que se  espera visando a regeneração. As pessoas têm desejos, aspirações, que são como pressentimento de  um estado melhor. Esta percepção é o estado de espírito do  educador por vocação. Especialmente do Sacerdote que escolhido pela espiritualidade se  propõe ensinar e conduzir gerações. Não só as letras, a literatura, as artes mas, sobretudo, dilatando impérios através da ciência  e Fé.

Monsenhor José Ferreira Antero (foto). Providencialmente, mandou-o, Dom Luís de Brito, para esta terra, o padre Antero, onde chegou em março de 1912, para ser capelão do Santa Sofia e  coadjutor do seu primo. Monsenhor Afonso Pequeno. Três anos depois, fundado o Ginásio Diocesano, era a mão firme do Padre Antero que o sustentava. Diretor, disciplinário, professor, secretário, tesoureiro, mordomo, enfermeiro, ele era tudo. Era um sacerdote completo.

Exímio professor de  Português, Francês, Geografia, Coreografia, Cosmografia e Religião. Todos os seus alunos foram submetidos a exames rigorosos no recife e voltavam aprovados com distinção. Educador completo e autêntico líder espiritual. Era a própria ordem em pessoa. Primava pelo espírito de lealdade e pelo amor a justiça. Austero, infundia  respeito em tudo, fechado ao diálogo, mas, não era cruel. Estava sempre de  coração aberto para perdoar. Nas festas do  fim do ano letivo. Só se vendo como tudo mudava, e como  era festivo o seu espírito. Cultivava o bom teatro, dramas, comédias, cançonetas, monólogos, poesia tudo ele escrevia e ensaiava. Era um talento polimorfo. Homem sem deslize, possuía a autoridade para exigir dos seus felizes alunos o cumprimento integral de seus deveres. Sabia conjugar a sua  energia com a doçura do  seu estado de Espírito. De família sacerdotal (mais de trinta padres na família). Sabia infundir e despertar o amor pelo sacerdócio.

Nasceu em 31 de agosto de 1877, deixou a nossa Garanhuns em dezembro de 1926. É sempre uma figura lembrada pelo seu exemplo de bondade. A semente que ele plantou e regou, fez crescer e produzir frutos que aí estão como árvore frondosa que pôde suportar tempestades as mais violentas, sem abalar suas raízes, por são  que beberam a seiva pura e vigorosa do grande e inesquecível Monsenhor José Ferreira Antero.

*Dr. José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 22 de abril de 1978.

Foto: Monsenhor José Antero.

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