segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Nôemia Pinto - Quem em Garanhuns não conheceu Noêmia Pinto? A que, com as suas flores, enfeita a vida e a morte. Mas, talvez, não conheçam a outra face de Nôemia, a "Samaritana de Garanhuns", que sem pertencer a nenhum clube de serviço, Rotary, Lions, ou outro qualquer, realizou um trabalho anônimo e meritório em favor dos menos favorecidos pela sorte.

Dona Nôemia não escolhia hora do dia ou da noite, para visitar um velhinho doente. Providenciar um médico, conseguir remédio. Bate à porta da casa rica, levando uma mocinha para o emprego de doméstica. Vai ao cartório registra um brasileiro sem documentos. Pede ao delegado de polícia intervir em favor de um preso. Com o seu dinheiro e o que arrecadava com pessoas amigas, manda consertar ou comprar máquina de costura para a viúva pobre. Desce na geografia física e moral da cidade e vai até o meretrício, se uma das mulheres necessitava de sua ajuda. Dona Nôemia desconheceu preconceitos. O seu lema era servir. Um dia, viajando ao Recife, quando chegou na rodoviária, encontrou uma senhora de condição humilde, acompanhada de dois filhos menores, que, pela primeira vez estava na capital pernambucana à procura de uma parenta, mas não sabia se orientar, não tinha dinheiro para o transporte. Curiosos se acercavam daquela pobre mulher, quando surgiu Dona Nôemia Pinto, dizendo para a desconhecida: "Não se aperreie vamos quebrar o seu galho". Andou a tarde toda, até encontrar parentes daquela mulher, perguntando no subúrbio para onde se dirigiam "se sabia onde mora Dona Fulana". Quase ao anoitecer, conseguiu o endereço procurado, só voltando à sua casa do Recife, (cidade), quando terminou a missão que ela mesmo confiou a sua própria pessoa. Muitos  são os menores abandonados que ela  levou para sua casa, dando comida e roupa, para depois encaminha-lo a um lar que os adote, ou onde fiquem trabalhando. E esta criatura simples, que passava pelas nossas ruas, pouca gente sabia que ali estava indo Dona Nôemia Pinto, sempre rindo, distribuindo alegria.

É a "Samaritana de Garanhuns", que vai passando. Quanto mais, em maior volume não faria aquela mulher de cabelos brancos se tivesse ajuda dos poderes públicos?

*Nelson Paes de Macedo / Jornalista e historiador / Garanhuns, 24 de Julho de 1976.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

30º FIG homenageia Ivo Amaral e Marcílio Reinaux

Blog do Carlos Eugênio Garanhuns vive a expectativa do lançamento da programação oficial do 30º Festival de Inverno. Neste ano, a Festividad...