terça-feira, 11 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Reportagem de José Rodrigues da Silva* (11.08.1979)

Filho Doa Rim ao Genitor - Antônio Tenório da Fonseca Filho, conhecido na intimidade por Antônio Pajuaba, recebeu um rim de um filho. Ele é um cidadão de 48 anos, com aproximadamente 1,70 cm de altura, pesava mais ou menos 85  quilos. Há 18 meses passados sentiu-se doente e imediatamente começou a definhar, não mais ficando bom. Embora tenha sido examinado por vários juntas médicas do país e tomado os mais variados medicamentos o mal cada vez mais se agravava, até que  um dia lhe deram o seguinte diagnóstico -: o senhor é portador de nefrose (afecção renal degerativa não inflamatória). A solução seria fazer transplante do órgão afetado, mas  qual seria a criatura abnegada que teria coragem de  doar um rim? Ao tomar conhecimento de que era  vítima de tal doença o paciente passou a viver o mais terrível  drama de sua existência. Alguém se propôs a salvá-lo. Veja abaixo:

José Rodrigues - Como é seu nome?

Rinaldo Tenório (Foto) - Chamo-me Rinaldo Andrade de Lima Tenório da Fonseca, tenho 20 anos de idade, sou técnico em contabilidade, filho de Antônio Tenório da Fonseca Filho, e resido à rua Joaquim Nabuco, nº 177, nesta cidade.

José Rodrigues - É sabido que você fez doação de um rim ao seu  pai que se encontrava às vésperas da morte. Você fez a doação espontaneamente ou o fez a pedido do doente?

Rinaldo Tenório - Diante da situação em que se encontrava meu pai, eu presenciando sua luta para continuar vivendo e sabendo da dificuldade de  encontrar uma pessoa que  doasse um rim a ele, convidei-o para irmos ao hospital, lhe fazendo ver a intenção de salvá-lo. Doei o rim espontaneamente e tanto fiz para o meu pai como faria para qualquer outra pessoa, pois para mim o importante era salvar uma vida.

José Rodrigues - Sabemos que esse gesto além de corajoso demonstra amor. Como se sente atualmente?

Rinaldo Tenório - Sinto-me feliz por ter salvado meu pai.

José Rodrigues - Em que data e hospital foi feito o transplante?

Rinaldo Tenório - A intervenção cirúrgica de doação ocorreu no dia 8 de junho próximo findo, às 16,20 horas, no Hospital Português na cidade do Recife.

José Rodrigues - Como se chamam os médicos que operaram você e seu pai?

Rinaldo Tenório - Doutores William Pereira Stanford, José Barros, Dr. Nogueira, Silvio Marques, Dr. Bráulio, Pedro Feitosa Sarita Stanford e Antônio Bezerra. A melhor equipe médica do Brasil no gênero.

José Rodrigues - Como você se sentiu ao entrar no hospital no dia do transplante?

Rinaldo Tenório - Encontrava-me psicologicamente preparado, pois não pensava em mim, o que importava naquele momento era salvar meu pai.

José Rodrigues - Que tempo passou internado no Hospital Português depois da operação?

Rinaldo Tenório - Apenas três dias na UTI. A minha grande alegria foi avistar meu pai três dias depois e saber que ele se encontrava em via de recuperação.

José Rodrigues - Quanto gastaram na realização do transplante?

Rinaldo Tenório - Nem um centavo. Tudo foi pago pelo INPS. Se fossemos pagar seria mais  de duzentos mil cruzeiros. Aqui vai o nosso agradecimento ao Sr. Ministro da  Previdência Social e aos ilustres médicos que carinhosamente nos atenderam.

José Rodrigues  - No momento qual sua maior alegria?

Rinaldo Tenório - Saber que dentro do  corpo de meu pai encontra-se um pedaço do meu  ajudando-o a viver.

José Rodrigues - Como jovem qual a mensagem que você envia à juventude brasileira nesta hora?

Rinaldo Tenório - Aconselho a juventude e não fazer uso de  drogas, maconha ou qualquer outro entorpecente que sirva para degenerar a esperança deste país que é a mocidade.

José Rodrigues - Parabéns pra você. O seu grande gesto é uma prova de que nem tudo está perdido neste mundo. Infelizmente o recebedor do órgão doado veio a falecer no Hospital Português na madrugada de terça-feira desta semana. Esta reportagem foi feita 8 dias antes do falecimento. (Texto transcrito do jornal O Monitor de 11 de Agosto de 1979 / Mantida a grafia da época).

*Antônio Tenório da Fonseca Filho, mais conhecido por "Toinho Pajuaba",  por muitos anos como o seu pai, exerceu a profissão de alfaiate em Garanhuns.

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