segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Grupo Vocalistas da Saudade - Fazer poesia para quem tem o "tino" poético de que tantos falam pode ser fácil, dentro do sentido de "vida fácil", porém a confecção desta arte divina é tarefa dificílima, sobretudo quando aliada à música, exigindo que o poeta-compositor transmude-se para o mundo  belo, contagiando todos que se deixam levar, e  cantarolam as notas musicais. E, se para muitos harmonia é coisa quase impossível, a viabilidade existe quando se coadunam através da alma poética de um conjunto. A prova disso foram os componentes do "Vocalistas da Saudade", a junção de músicos-poetas para cantar o sentimento maior do homem: a saudade, não somente da amada, mas da terra natal,  do Nordeste, das pessoas queridas, dentro de uma padrão harmônico de voz, ritmo e poesia.

O INÍCIO DOS BATUQUEIROS BOÊMIOS

Paulo, Otacílio e Geraldo reuniam-se em mesas de bar, pelas madrugadas garanhuenses a dentro, com violão e pandeiro, cantando a saudade por cantar, sem nenhuma pretensão extra que não fosse simplesmente cantas as músicas que  fizeram sucesso no passado e que estavam escondidas e quase desconhecidas do povo moderno. Porém, as solicitações foram se tornando tão intensas, que passaram a pensar em profissionalizar-se,  surgindo a oportunidade real, através do  compacto "AGA Tricampeão", patrocinado pelo presidente João Cândido e o LP "Cidade das Flores", com o patrocínio do empresário Júlio Jacinto, do "Vinho Galvão", fazendo com que o público da região passasse a conhecer melhor a fibra artístico-musical dos "boêmios" de Garanhuns, mas, continuadores do que sempre foram: batuqueiros da noite.

Inicialmente, autodenominando-se de "Batuqueiros da Velha Guarda" - nome sugerido por Otacílio - o grupo com o sucesso que estava fazendo na boêmia garanhuense, quando em uma apresentação no programa dirigido pelo prefeito José Inácio na Rádio Difusora, numa época em que era apenas radialista-poeta, surge a decisão de trocar de nome, por indicação do apresentador, para "Vocalistas da Saudade", um resumo das atividades reais do  conjunto. Foi-se o tempo e hoje, aqueles simples batuqueiros são os responsáveis maiores pela divulgação musical de Garanhuns, mostrando como fazer música e cantar melodias saudosistas, de forma mista das evocações musicais do passado com uma modernista roupagem, sem perder as características vocais e rítmicas. Cultuando o passado e compondo coisas novas com aquele "gostinho" de antigamente, sempre com calma e sentimentalismo, os "Vocalistas da Saudade" vão marando presença no mercado da música, deixando a saudade brotar, como por exemplo, esta composição de Otacílio em memória ao filho de Júlio Jacinto:

"Era uma amigo de verdade

Waldemar Jacinto, o Vavá

Apesar de nobre era fonte de humildade

Jamais alguém o viu se exaltar

Mas vejo a mão da fatalidade

E o nosso amigo arrebatou

A lágrima sentida rola no rosto

Os olhos de seus amigos

Vavá tão jovem e tão amigos

Hoje já pertence ao passado..."

Neste ano, apresentando seu mais recente LP "Mundo Cão", Os Vocalistas reúnem saudosismo, através do pot-pourri de músicas do mestre Ataulfo Alves e demonstram seu  amor à terra natal em "Garanhuns Cidade das Flores", a qual merece alguns trechos:

"Ai, Garanhuns terra das flores

As saudações quero lhe dar

Tem recantos encantadores

Tem lindas noites de luar..."

Além de outras faixas que merecem destaques, como " Mundo Cão", título do LP, "Quando o Divórcio Chegar" e o dilema do "Rapaz Conformado".

Foi este, portando, o clima dos "Vocalistas da Saudade", que na década de 80 era composto por Otacílio Tavares (violão), Cícero Laurino (Cavaquinho), Zé do Afoxê, Paulo Batista (tantã), Geraldo Silva (pandeiro e crooner) e Antonio Inácio Rodrigues (ganzá), juntos continuavam serestando quando Garanhuns puxa os cobertores para mais um noite de sono.

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