segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Professor Augusto Pinto - Meio século não é meia dúzia de anos. É um respeitável espaço de tempo, que sedimenta a vida e as coisas. Esse tempo torna-se tanto mais importante, e o seu significado toma maior vulto, quando observa-se que o mesmo foi premiado numa atividade e função das mais  gratificantes e de sobejas recompensas ao espírito humano: o magistério. O Professor Augusto Pinto completou, mercê de Deus, no mês de março (1989), meio século de intensa vida dedicada ao ensino. Entendo que ser mestre e professor, é aquele que ensina com responsabilidade, dedicando-se por inteiro ao conhecimento do aprendizado para outros; aquele que  é portador de uma  das mais edificantes atividades, na visão histórica da humanidade. O imperador Pedro II disse por volta dos idos de 1890 que, "Se eu não fosse Imperador desejaria ser professor. Não conheço missão maior e mais  nobre do que a dirigir as inteligências juvenis e preparar os homens do futuro".

É precisamente isso que o professor Augusto Pinto fez em quase toda a sua  vida, 50 anos, da qual dedicada à orientação das inteligências dos jovens, contribuindo sobremaneira para a formação de homens e mulheres no encaminhamento para a vida. Ser mestre é ter o dom da arte de ministrar, ensinar, transmitir,  apropriar-se de conhecimentos e transmiti-los com sabedoria, com amor e carinho. É necessário contudo, ter-se uma grande movimentação interior, aquela que leva o indivíduo a palmilhar a vida - mesmo em meio a lutas e sacrifícios - com galhardia e firmeza. O professor Augusto Pinto, provou ser possuidor dessa firmeza do caráter da responsabilidade e do amor e carinho para tudo com que entrega. Tropeços naturais mas sobrepuja-os com a missão do magistério, que tem sido o seu apanágio.

Nascido em Palmares pelos idos de  1922 com a família foi levado para o Recife e já no final daquela década, transferiu-se também toda a família para Garanhuns. Seu pai, o velho Arnóbio com o irmão Anísio tornou-se comerciante dos mais tradicionais de Garanhuns por quase trinta anos, criando uma penca de filhos por traz do balcão do "Café Glória', cuja participação na vida da Cidade nos conduz a uma incontida saudade. O pequeno Augusto (sempre foi de baixa estatura) iniciou os seus primeiros estudos no Ginásio Diocesano sob as vistas austeras de Monsenhor Callou e depois do Padre Adelmar, esse exemplo vivo da Cultura de Garanhuns e de Pernambuco. No segundo ano Ginasial transferiu-se para o Colégio Quinze de Novembro, tendo companheiros como Oziel Gueiros e Nair Souto. Dono de um largo sorriso ingressou nas atividades artísticas e teatrais do Colégio Quinze e fez sucesso. Com Luiz Maia, Ten. Parannes e Gasparine da Mata, fundou o Teatro Estudantil de Garanhuns , que excursionou várias vezes pelo interior do Estado.

Em março de 1939 Augusto é convidado pelo professor Ruber van der Linden a ser auxiliar como professor de desenho. Leciona esta Cadeira e Geografia, dai por diante até 1946 exercendo também no Quinze, diversas funções administrativas. Na esteira do Quinze, Augusto lecionou em muitos colégios no  Recife sendo diretor de alguns deles. Vale citar: Colégio São Luiz, Agnes Erskine, Henrique Dias, Ginásio Pan Americano, Martins Júnior, Alfredo Freire, Mariano Teixeira, Salesiano e outros.

O professor Augusto Pinto teve assim uma vida pontilhada de efetivos trabalhos e serviços prestados a educação e à cultura de Pernambuco e em especial de Garanhuns, mostrando-se sempre em todos os momentos, uma pessoa de caráter libado, afável, amiga, sem se descuidar da seriedade e competência das funções que  exerceu. Tem um  currículo invejável , brilhante, marcado de páginas e capítulos edificantes de uma vida calcada no temor de Deus, debaixo do Evangelho de Cristo. 

*Marcílio Reinaux / Advogado, jornalista, professor, escritor e pintor.

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