segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Chiquinha Callou - A fidalguia de seus gestos era o traço vivo de sua personalidade. Agia procurando a utilidade e a razão de ser de cada coisa. Entendia que a precípua finalidade do ser humano, é proporcionar atividades generosas. Sempre apercebida em todos os momentos da ação. Assimilou plenamente os ensinamentos ministrados pelo seu sacerdotal, hoje vivendo no mundo da espiritualidade maior.

Durante muitos anos de existência, a nossa estimada "Chiquinha" conquistou pelas suas virtudes, a purificação gradual do seu Espírito Escol. Nos dissabores da vida comum, esteve vigilante para não se deixar vencer pelos domínios do desespero humano. Essa independência mantinha-se pela força do seu mundo interior. Era um ser Ímpar. Seu estado psicológico era de  constante introspecção.

Entre o somático e o psíquico o entrelaçamento pontilhava a esperança e a fé. Daquela confiança que sempre manteve a sua sublimação antes, no momento, e depois da razão. Assim a virgindade de seu corpo foi iluminada pelo alvorada de todos os dias. Seu Espírito era  um sol que jamais declinou. Depois de várias tentativas, o seu desenlace foi  um deslumbramento altamente qualificado pelo silêncio. Exemplo de vocação de ternura e de amor.

Orientou, educou, depois de plasmar o caráter de cada um dos filhos gerados em outros mundos físicos, como se fossem rebentos de amor do seu universo. Possuía as características próprias das pessoas que nasceram sob o signo da fraternidade. Esse estado de Espírito predominava todos os atos de sua  vida. Ser bom, para ela, seria como respirar, sentir, movimentar-se naturalmente, segundos os conceitos de seu elevado humanismo cristão. Diante dessas obrigações de ordem moral, palmilhava estoicamente todos os caminhos de sua jornada. Praticava o bem, pelo bem. Os efeitos estavam, na própria causa. Ser religiosa segundo as virtudes Teológicas de seu Irmão, é coisa bem diversa do orgulho, ou de qualquer meio de fuga. A vida religiosa é um processo de aperfeiçoamento da estética moral aqui na  terra.

Tem que se operar uma fundamental transformação, na vida de cada um de nós. Pensar, sentir e agir no sentido de  manter o equilíbrio e o aperfeiçoamento da sociedade. Só assim se pode transformar e estabelecer uma civilização inteiramente nova.

Para tanto, cada um de nós deve começar de base correta, e essa base correta se lança com o autoconhecimento. Devemos conhecer a nós mesmos. Não somente a parte supercial da nossa consciência. O autoconhecimento é o começo da sabedoria. Pelo entendimento aceitamos os outros como pessoa humana, digna de respeito. Este é o comportamento que nos projeta no espelho das  relações. Princípios normativos de sua conduta moral. Realidade plena da psicologia do amor do próximo. Nada deveria romper o silêncio do seu segredo de não permitir que os pensamentos negativos dominasse os seus atos. Sempre em constante vigilância, seus momentos  foram marcados pela Eternidade. Durante a nossa sincera amizade e de nossa família, Chiquinha Callou - revelou-se tão elevada em humanismo a ponto de conquistar a nossa profunda admiração. Aqui vivera toda a sua mocidade, a quadra mais bela de sua vida. Amava  Garanhuns, cidade das flores. Quando encontrava-se com a nossa esposa dizia: D. Maria, como vai o meu amigo. "Já está completamente restabelecido". Deus que lhe dê muita saúde. Éramos vizinhos.

Depois de algumas tentativas de esperança, a sua vida foi se apagando. A luz trêmula de uma vela simbólica, começou a perder a sua força. Seus olhos baços estavam fitos no horizonte mental dos seus amigos e parentes. Uma lágrima começou a deslizar à sua face lívida era o último soluço do universo de sua vida pontilhada de amor. Singular expressão estampou-se na fisionomia do conjunto de seu rosto, como se fosse instante de renovação do amor que fortalece a cooperação dos Espíritos pelo amor fraternal. Gradativamente Chiquinha Callou se fazia mais bela, a saudade da vida que purificou o seu corpo, os raios divinos emanados do invisível envolveu o seu Espírito.

Assim, desencarnou a nossa amiga de todas as horas. Leal e sincera amizade pelos laços inquebrantáveis do Espírito, na "Casa de Saúde Santa Terezinha". Deixando a impressão de que a  sua organização pedispiritual absorvia a claridade maravilhosa do seu elevado plano mental que deve permanecer aureolado pelas vibrações do mundo em que o amor é fonte perene de Salvação.

*Dr. José Francisco de Souza / Advogado, jornalista, cronista e historiador / Garanhuns, 20 de Novembro de 1982.

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