quinta-feira, 6 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

SESMARIA DOS VIEIRA DE MELO - Vimos como o Capitão Antônio Vieira de Melo, em 28 de março de 1730, fez doação da Fazenda Cachoeira Grande ao seu vaqueiro e "verdadeiro amigo" Antônio Fagundes Bezerra (depois Sargento-mór), para com ela dotar a sua filha dona Maria Inácia Bezerra então ainda criança quando esta viesse a se casar, como efetivamente, quatro anos depois, se casou com João Brandão de Sobral. Veremos, também, que o referido Capitão doou, em 14 de dezembro de 1735, a Fazenda Nossa Senhora do Ó a sua perfilhada dona Josefa Maria do Ó, como dote do seu casamento com o Coronel Cristóvão Pinto de Almeida. veremos também, que, tendo falecido aquele seu "verdadeiro amigo", o mesmo mencionado Capitão vendeu a sua viúva dona Maria da Conceição, em 29 de abril de 1751, o Sítio Cachoeirinha, assim como vemos, que o falecimento do Capitão Antônio Vieira de Melo ficaram como seus únicos herdeiros os seus perfilados: Alexandre Muniz de Melo e Antônio Vieira de Melo.

Agora passaremos a descrever alguma coisa sobre o que ocorreu nesta sesmaria com o correr dos anos.

Em 1757, o casal João Brandão de Sobral e Maria Inácia Bezerra incluiu no dote de sua filha dona Joana Francisca, para se casar com Cristóvão de Melo e Macêdo, o direito deste estabelecer currais para a criação de gados e organizar o Sítio nas terras da Cachoeira Grande.

Com o falecimento de João Brandão de Sobral, foram as terras da Fazenda Cachoeira Grande partilhadas entre os seus herdeiros e o casal de Cristóvão de Melo e Macêdo reuniu ao seu o quinhão que comprou ao casal da sua cunhada dona Maria da Exaltação de Sobral e Francisco Velho de Omena, em 19 de  julho de 1771.

Com falecimento de dona Josefa Maria do Ó, em 11 de março de 1764, amigavelmente, partilhada a Fazenda Nossa Senhora do Ó entre os seus herdeiros, do seguinte modo: "a metade do território, que continuou com a antiga denominação da Fazenda, coube ao viúvo Coronel Cristóvão Pinto de Almeida, na sua qualidade de meeiro, e a outra metade foi dividida entre os demais herdeiros, da seguinte maneira: "as terras que ficaram integrando a Fazenda começavam do Riacho do Meio e pelo Rio Una abaixo iam até o Sítio Olaria e do norte para o sul se limitavam pelas águas pendentes para o Rio Ipojuca e do mesmo modo para o Rio da Chata".

O Sítio Olaria atingia, pelo Rio Una abaixo, a metade da malhada do Pau Santo e coube ao seu filho José Vieira de Melo. De onde terminava este dito sítio até a barra do Riacho Genipapo, tocou ao seu filho Bernardo Vieira de Almeida. Da barra referida até o Córrego da Malhada Grande, era o Sítio Poços Pretos que tocou a sua filha dona Antônia Tereza de Jesus, casada com Simão Rodrigues Duro. Deste referido córrego até a barra do Riacho Canafístula, era o Sítio Batalha, que coube ao seu genro Francisco Velho de Omena, viúvo, e com filhos da sua filha dona Ana Francisca Xavier, e do mencionado riacho até encontrar as terras do Tenente José Gomes, era o Sítio das Varges, e tocou ao seu genro Caetano de farias da Costa, também viúvo e com filhos da sua  filha dona Josefa Maria do Ó. Todos estes quinhões se limitavam da mesma forma que as terras que ficaram compondo a Fazenda Nossa Senhora do Ó.

Uma parte da terra chamada Agreste, ficou separada por  estar em Litígio Judiciário, porém a outra, que constituía a Várzea do Capim e que a leste se limitava pelo Riacho dos Mentirosos até a Boa Vista, tocou aos seus filhos José Vieira de Melo e Bernardo Vieira de Almeida, que "ficaram com menos terra no Rio Una".

Depois da partilha que acabamos de descrever, o Coronel Cristóvão Pinto de Almeida contraiu segundo matrimônio com dona Maria do Rosário de Almeida, e com o falecimento do Coronel, o Sítio do Altinho denominada a antiga sede da Fazenda Nossa Senhora do Ó, tocou ao seu filho do primeiro matrimônio José Vieira de Melo, que em 29 de julho de 1770, dele desmembrou meia légua de terras e a doou para patrimônio da capela que erigiu sob a invocação de Nossa Senhora do Ó.

Em 28 de julho de 1806, a viúva de José Vieira de Melo, dona Antônia Maria Bezerra, que já era casada em segundas núpcias com Antônio Ferreira da Silva, vendeu a Manoel Muniz Betencourt um trecho de terras da sua meação, demarcado do seguinte modo: "pegara no Pilar da Igreja que hoje existe nesta Povoação denominada Nossa Senhora do Ó, que fica... da mesma Igreja ou Capela da parte esquerda olhando para o Nascente digo para o Poente, e daí descera pelo Riachinho abaixo que corre por detrás da mesma Igreja digo que corre por detrás da casa que serve de moradia dos capelões da  mesma Igreja seguindo para  o Poente até chegar na estrada que vai para São Francisco, e daí seguirá pela mesma estrada para o rumo direito até chegar no Rio Una na mesma passagem que vai para São Francisco, e dessa descera Rio abaixo a topar com terras de Nossa Senhora do Ó da mesma Igreja".

O comprador desse trecho de terras o vendeu, em 4 de maio de 1807, a José Antônio Martins.

A parte litigiosa das terras do Agreste ficou por fim na propriedade do Coronel Cristóvão Pinto de Almeida, e, com o seu falecimento, foi a referida parte incluída na meação da sua viúva dona Maria do Rosário de Almeida.

Entre os outros sítios organizados nesta parte do Agreste, foi o denominado "Bebedor das Queimadas", que a mencionada viúva, dele fez doação a sua filha dona Inácia Tereza do Nascimento como dote para se casar com José Antônio Martins, cujo casal o vendeu, em 4 de fevereiro de 1782, ao Alferes João Pereira Bezerra.

Este comprador e sua mulher dona Joaquina de Jesus desmembraram do território que constituía o Sítio "Bebedor das Queimadas" a metade do brejo denominado "Terras Vermelhas" e a venderam ao Capitão Luiz Carneiro dos Santos e Miguel Gonçalves, moradores na Ribeira do Ipojuca, no lugar Caruru, do termo  da cidade de Olinda...", em 22 de fevereiro de 1799.

O Sítio Cachoeirinha que, como já vimos, foi em 29 de abril de 1751, comprado ao Capitão Antônio Vieira de Melo, pela viúva do Sargento-mór Antônio Fagundes Bezerra, dona Maria da Conceição, com o falecimento desta proprietária, foi  partilhado entre os seus herdeiros, um dos quais foi a sua neta dona Maria do Nascimento Fagundes, casada com Jesus de Abreu, havendo este casal vendido o quinhão que lhe tocou, ao Capitão Felipe José Pimentel, em 8 de maio de 1779.

Outra herdeira foi dona Paula Fagundes, filha de Pedro Fagundes Bezerra, e casada com Antônio Ferreira de Vasconcelos, cujo  casal vendeu a parte que lhe coube a Manoel Francisco do Nascimento, em 30 de março de 1782, com a denominação de  "Cachoeirinha do Riachão".

Ainda outra, entre os seus herdeiros, foi a sua neta dona Floripes Bezerra da Silva, também filha de Pedro Fagundes Bezerra e casada com Felix Pereira de Souza, cujo casal vendeu o seu quinhão, em 30 de agosto de 1782, a José Antônio da Silva.

Outra Fazenda fundada por Antônio Vieira de Melo, depois que restaurou a do Jupi, foi a das Panelas, nas terras do Sítio Olho d'Água das Panelas, que os seus herdeiros Alexandre Muniz de Melo e Antônio Vieira de Melo o venderam ao Capitão Francisco Rodrigues de Melo, em 22 de janeiro de 1783, pela quantia de trezentos e oitenta e cinco mil réis e demarcada do modo seguinte: "pegará fazendo do corpo do dito sítio a Fazenda das Panelas na forma seguinte da parte do Nascente a contestar em as terras do Riachão logrando os brejos que neles se acham morando Manoel Barbosa dos Santos com mais  que se acharem e pelo Riacho das Panelas abaixo e as terras digo até topar com as terras de Joseph Joaquim e da chata até o pé da serra pelo Riacho das Panelas buscando  até a passagem do Umbuzeiro onde encontra digo até a passagem do Umbuzeiro e da parte do sul até o pé da serra".

Referindo-me à Sesmaria dos Aranhas, já tivemos oportunidade de dizer que o Capitão Francisco Rodrigues de Melo era natural do Recife, filho de João Rodrigues dos Santos e de sua mulher dona Ana da Silva e Melo, e casado com dona Ana Maria dos Prazeres.

Em 22 de junho de 1797, o casal do Capitão Francisco Rodrigues de Melo desmembrou do território da sua fazenda as terras que já constituíam o Sítio Novo e as vendeu ao Capitão Domingos da Cunha Ferreira Souto Maior, com a seguinte demarcação: "pegará do começo da cerca que fica de outra banda da várzea do Olho d'Água do Jatobá atravessando direito ao Rio das Panelas e topar terras de José Fragozo e Antonio Teles de Menezes e conforme  a escritura destas nomeadas ou a mais antiga que houver, ou das Panelas, e daí cortará pelo Rio abaixo até topar com terras do Gravatá Asú, do mesmo  comprador, e da parte do Poente até topar com terras do Mestre Amaro ficando dentro do dito sítio uma Lagoa chamada Sambaquim e o Sítio e digo Sambaquim topando com o mesmo comprador, e pelo caminho que vai para o Gravatá Asú em segunda passagem de um riachinho, de onde divide a testa com o mesmo comprador, e assim com quem deva e haja de pertencer".

Era o Capitão Domingos da Cunha Ferreira Souto Maior casado com dona Josefa Rodrigues Jordão e este casal, em 29 de outubro de 1798, vendeu a sua propriedade a Manoel Soares Cavalcanti, demarcada do seguinte modo: "pegando da casa de onde mora o mesmo comprador pela estrada que vai para o Gravatá Asú até a árvore barriguda das contentas de onde eles venderam e deram a viúva Rita Maria e no mesmo rumo para a parte das Panelas até o Rio Panelas e pelo mesmo rio acima até confrontar com o primeiro parte da Serra da Grandeza que fica da outra banda da Várzea do Olho d'Água do Jatobá no caminho que vai para as Panelas conforme eles vendedores comprarão a Francisco Rodrigues melo e daí dividirá com o Mestre Amaro Alves Bezerra para a parte do poente como também topando com Manoel Ruiz onde houver de topar e para o Norte topando com eles vendedores da serra que aparece bem visível se vê por detrás da Lagoa Sambaquim e daí da  serra cortando rumo direito sul com todos os sacos e voltas que tiverem nas serrotas que da Malhada da Queimada e da Malhada do Milho se avistam visivelmente por serem perto e dos pés destas serrotas cortará também até topar na própria altura dos tais serrotes rumo direito ao rumo que vem da mesma barriguda para o riachão e onde topar no dito rumo subirá pelo rumo acima em até o lugar da barriguda de onde principiou o primeiro rumo dividindo com o rumo da viúva Rita Maria que todo o Sítio de Dentro se avistam as confrontações e das serrotas ao pé delas da parte do mesmo Sítio da outra banda até o pé da serrota topa com eles vendedores e pelo Rio Panelas como dito fica topando com José Fragozo e Antonio Telles de Menezes".

Os dois irmãos perfilados e únicos herdeiros do Capitão Antônio Vieira de Melo, Alexandre Muniz de Melo e Antônio Vieira de Melo que, em 22 de janeiro de 1783, venderam a Fazenda das Panelas ao Capitão Francisco Rodrigues de Melo, eram casados: o primeiro com dona Rosa Bento Joaquina e o segundo com dona Brázida Maria de São José.

Estes ditos herdeiros, em 14 de dezembro de 1795, venderam o Sítio Gravatá Assú à Manoel Barbosa dos Santos, com o respectivo território assim demarcado: "pegando da primeira posse que teve José Joaquim no riacho digo tomou no Riacho das Panelas que aí topa e demarca com o sítio e terra da Fazenda das Panelas e pelo dito Riacho das Panelas abaixo até a Barra do Taboquinha que aí topa com a nova data e sesmaria do Capitão Antônio José Ferreira Calado e para a parte do Rio da Chata em uma lagoa de fundo para outra parte a topar com terras de José Fragozo e seu irmão Antônio Teles e ficando para a parte do Fragozo onde se acham uns caldeirões... dita terra se acha o Riacho das Panelas entre José Fragozo e Manoel Cavalcante ficará pertencente ao dito Sítio do Gravatá Assú".

As terras que, "pegando da parte do Sul onde se acham dois umbuzeiros e uma pedra redonda a irá seguindo até um riacho que nasce do pé da pedra do forte que pouco mais ou menos será meia légua e da parte do Nascente em meia e pela parte do Poente até chegar aos Campos da Salina que pouco mais ou menos será metade de meia légua", integravam o Sítio Olho d'Água das Cupiras, foram vendidas pelo casal Antônio Vieira de Melo e Brázida Maria de São José, em 6 de setembro de 1799, a José Bernardo de Castro.

O supra dito casal, depois da venda que fez do Sítio Olho d'Água das Cupiras, vendeu mais três sítios, como veremos a seguir: Em 11 de novembro de 1803, vendeu a Felipe Neri da Costa, o Sítio Curral Velho com as seguintes confrontações: "pegara na beira do Riacho das panelas a par com as pedras grandes dos  Mocós da parte de cima onde primeiramente subia uma picada para as Curuanhas e subira pela picada adiante a buscar um pau do olho que se acha marcado e seguira no mesmo rumo pela chã da Serra do Genipapal daí rumo direito a buscar o caminho que vai das Curuanhas para o Brejo de Francisco de Lemos e seguira pelo caminho adiante até uma picada velha que fica para a parte da mão esquerda e seguira por ela adiante rumo direito a buscar um pau marcado que fica no Caminho do Cosme e no mesmo rumo de ser digo rumo irá buscar as cabeceiras do Riacho do Francisco e descera por ele abaixo até a barra e subira pelo Riacho das Panelas até onde principiou o primeiro rumo".

Em 16 de junho de 1804, vendeu a Francisco de Lemos Lira o Sítio Lagoa do Jaracatiá assim demarcado: "pegara onde  largar Felipe Neris da Costa rumo direito acima da serra denominada Lagoa dos Patos e daí cortara rumo direito a topar com Francisco Gomes de Melo e com o qual demarcará até confrontar o Pau Ferrado e daí cortara rumo direito a encontrar com o  Riacho Fundo e subira por ele acima a confrontar com o primeiro rumo Felipe Neris da Costa".

Em 16 de junho de 1806, vendeu a Simão Francisco Rodrigues o Sítio Olho d´Água de Luiz Real, com os seguintes limites: "confronta para a parte do Sul águas pendentes para o Olho d'Água até a demarcação de Pau Noguba no qual se acha uma cruz e junto desta uma lagoinha e daí demarca com Manoel Soares Cavalcante e para a parte do Nascente e demarcar com terras do  Capitão Antônio José Calado e para a parte do Norte com terras do Capitão Manoel Rodrigues dos Santos e para a parte do Poente com terras de Amaro Alves e todas estas confrontações são com as águas pendentes para o dito Olho d'Água de Luiz Real".

Além dos já mencionados sítios, o casal de Antônio Vieira de Melo e Brázida de São José vendeu muitos outros dos organizados na região esquerda do Pirangi, e dos quais mencionaremos os dois seguintes:

Em 16 de junho de 1802, vendeu a Inácio de Olanda Chacon, casado com dona Ana Maria de Melo, o Sítio Pirangi composto de terras que, "pegando nas cabeceiras das nascentes do Riacho da Areia onde a de topar com as terras de Antônio Manoel da Silva e descerá pelo Riacho da Areia abaixo até a barra do Rio Pirangi e descera pelo mesmo Rio Pirangi abaixo até o Riacho do  Cocal dividindo com Joaquim Ferreira do Riacho do Cocal subira de águas acima e topar com as terras do Capitão Francisco Rodrigues de Melo, e daí procurara o primeiro rumo das cabeceiras das nascentes do Riacho da Areia onde topar com terras de Antonio Manoel da Silva e todas as mais sobras que houverem  entre o Capitão Francisco Rodrigues de Melo e Antonio Manoel da Silva".

Seis dias depois, isto é, em 22 de junho de 1802, vendeu a Francisco Xavier de Souza o Sítio Quipapá, pela quantia de cem mil réis, composto das terras que, "pegando da Barra do Riacho da Areia pelo Rio Pirangi, acima até a barra do riacho chamado Cravata e entre o Riacho da Areia e o Riacho Cravata cortando digo do Cravata com meia légua pelo riacho acima".

O outro perfilhado o herdeiro do Capitão Antônio Vieira de Melo, Alexandre Muniz de Melo, casado com dona Rosa Benta Joaquina, vendeu na região à direita do Rio Pirangi, a Bazílio Rodrigues de Freitas e ao Capitão José Antônio Martins, em 18 de agosto de 1802, as terras que começavam "da Cachoeira maior abaixo do Sítio da Pelada da Custódia e descera pelo Rio Pirangi abaixo seguindo as voltas do mesmo Rio até confrontar com a  barra do Riacho Cocal com uma légua de fundo a margem do Rio para a parte do Sul na forma tudo que eles vendedores a possuem".

Em 3 de setembro do mesmo ano (1802) os mencionados compradores das referidas terras, que eram casados: Bazílio Rodrigues de Freitas com dona Ana Maria da Conceição e o Capitão José Antônio Martins, com dona Inácia Tereza que "pegara da parte do sul na confrontação da barra do Riacho da Areia pelo Rio Pirangi abaixo até confrontar com a barra do Riacho Cocal tudo com uma légua de fundo", e o venderam a Inácio José de Olanda Chacon. Este comprador, já proprietário do Sítio Pirangi, a ele anexou as terras compradas, porém, anos depois, em data que não nos foi possível constatar, o seu casal separou das referidas terras o trecho da confrontação da barra do Riacho da Areia até a barra do Riacho do Limão e o vendeu a Antônio da Costa Leitão, casado com dona Margarida Joaquina de Olanda. O restante das mencionadas terras que, "pegará da Barra do Limoeiro a Barra do Cocal pela parte do Sul com uma lagoa de fundo", o casal de Inácio de Olanda Chacon o vendeu, em 7 de agosto de 1816, a Antônio Batista Freire.

O casal de Antônio da Costa Leitão separou dois lotes do trecho de terras que comprou e, em 29 de setembro de 1814 os vendeu, o primeiro que, "pegará na Barra do Riacho do Limão pelo Rio Pirangi acima até onde fizer trezentas braças e daí seguirá o rumo do Sul até fazer uma légua ao encontrar o dito Riacho Limão e da Barra do dito Riacho Limão por ele acima seguindo as voltas e encontrar o mesmo rumo, tudo na conformidade da nossa Escritura", a Brás Pereira da Silva, e o segundo que "pegara no Rio Pirangi no rumo de Brás Pereira da Silva onde vem fazer trezentas braças e daí seguira o rumo do Sul até fazer uma légua a encontrar o Riacho do Limão e seguirá do rumo de Brás Pereira da Silva até os seus fundos e daí até encontrar com o outro rumo que ficou dito", a Francisco Xavier.

Os casais de Antônio Vieira de Melo e Alexandre Muniz de Melo, herdeiros únicos do Capitão Antônio Vieira de Melo, como tantas vezes já temos dito, venderam, em 2 de outubro de 1778, a Antônio José da Cruz Lins, o Sítio Olho d'Água de Dentro, com o território demarcado da forma seguinte: "pegará do Olho d'Água de dentro pelo riacho do mesmo abaixo até onde faz barra no Rio Canhoto que será esta continuação de terra de comprimento ou menos uma légua e pela parte do poente, com a mesma obstinação lhe damos digo obstinação a metade da meia légua e pela parte do nascente com outra meia légua de extensão e chegar por uma parte pela outra ao Rio Canhoto admitindo que o dito Olho d'Água de dentro ficará servindo tanto para a Fazenda da Luz como para o sítio vendido sem que entre um tempo os possuidores da luz poderão impedir".

"Uma porção de terras que principia onde ia Riacho do Lionel faz barra no Riacho das Tabocas em cujo lugar dividi com terras de Antônio da Cruz Lins e seguindo para o Nascente por cima dos Altos vai chegar ao Brejo da Ponta Quebrada de cujo lugar volta rumo para o Brejo da Palmeira, de onde seguirá rumo do Sul a encontrar com o Rio Canhoto em altura que encha meia légua do Riacho das Tabocas ao dito lugar onde apanhar este rumo no dito Rio Canhoto digo meia légua da barra do Riacho das Tabocas pelo dito Rio Canhoto abaixo a meia légua que completará no lugar onde sair o rumo supra declarado, e da mesma barra do Riacho das Tabocas segue pelo Rio Canhoto acima até encontrar com terras de Antonio da Cruz, com as quais dividi até encontrar o lugar onde principia esta divisão cujas terras assim confrontadas" foram, em 26 de maio de 1791, pelo casal de Alexandre Muniz de Melo, vendidas a José das Neves Camelo.

O mesmo casal de Alexandre Muniz de Melo, em 5 de junho de 1795, vendeu a Antônio Tavares de Freitas, as terras que compunham o Sítio Olho d'Água do Pinto, confrontadas da maneira seguinte: "pegando da barra do Riacho de Leonel de onde chega as terras de Antonio Jose da Cruz Lins, e do mesmo lugar por onde fica as terras de José das Neves, e partindo com o dito Neves no rumo que vai para o Olho d'Água do Pinto digo que vai para o Olho d'Água da Ponta Quebrada, e seguirá com o rumo direito até em cima da Serra da Ponta Quebrada ficando uma lageiro, que se acha em cima da dita serra sempre para os vendedores, e  daí seguirá partindo com terras deles vendedores buscando para  a parte da Boa Vista até fazer meia légua de fundo, e tornará a pegar da Barra do Riacho do Leonel para a parte da Boa Vista partindo com terras da Fazenda da Luz e inteirar meia légua de  fundo".

"Por escritura que celebraram na Praça do Recife de Pernambuco nas notas de Tabelião José Felix de Souza", José das Neves Camelo e sua mulher dona Ana Gomes das Neves venderam um grande trecho de terras que desmembraram da porção comprada ao casal de Alexandre Muniz de Melo, a João Batista dos Santos, que, do trecho que comprou, separou a parte que "pegando da estrada no Riacho das Tabocas, e irá estrada abaixo até chegar na porteira do cercado daquele vendedor primeiro José das Neves, e daí beirando o dito cercado por detrás da casa de Antonio Barbosa irá ao Rio Canhoto, e daí por ele abaixo em  até a barra do mesmo Riacho das Tabocas, e daí pelo Riacho acima até chegar a estrada onde principiou a confrontação" e, em 4 de outubro de 1797, a vendeu a Sebastião Pimentel.

Nas terras que ficaram na propriedade do casal de José das Neves Camelo, depois dos desmembramentos já ditos, entre outros, foi organizado o Sítio da Palmeira (atualmente Palmeirina), que o referido casal, em 26 de abril de 1802, o vendeu a dona Clara Eugênia da Silva e sua filha dona Joana Maria do Nascimento, demarcado do modo seguinte: "pegará do Rio Canhoto pela estrada velha de Antonio José Vasconcelos até eles vendedores tiraram meia légua e daí para diante principiará a terra dos compradores até sair na estrada que vai para a Ponta Quebrada e daí subirá de caminho acima até chegar na estrada da Palmeira e daí seguirá de caminho adiante até topar em um marco ou divisa que colocamos e daí correrá rumo direito dividindo as terras de Cristóvam da Rocha entre a terras de Joam Francisco e daí irá repartindo com este entre encher o seu rumo da Palmeira".

Em data que não conseguimos saber, o casal de José das Neves Camelo vendeu a Cristóvão da Rocha Vanderlei as terras com que o comprador organizou o Sítio Murici e, em 9 de setembro de 1802, o vendeu a Sebastião Pimentel, demarcado pela seguinte maneira: "pegará do marco que divide as Mulheres da Palmeira com ele vendedor rumo ao Nascente até topar com terras de Alexandre Muniz e irá para o Norte dividindo com o mesmo até sair na estrada de João Francisco e seguirá por ela até sair na estrada que vem  da Ponta Quebrada e dai voltará pelo mesmo caminho até onde começou o primeiro rumo".

Outro sítio, organizado nas terras do casal José das Neves Camelo, foi denominado Pestana, que se compunha das terras que  "pegará na barra do Riacho Pestana pela estrada velha de Antonio José de Vasconcelos de estrada acima até onde der meia légua e daí sairá estremando com terras de dona Joana no Sítio da Palmeira até a altura do Rio Canhoto e daí cortará rumo até a barra do Pestana", que o referido casal vendeu a João Monteiro da Silva, em 11 de maio de 1802.

O casal Cristóvão da Rocha Vanderlei, do trecho de terras que comprou ao casal José das Neves Camelo, como atrás foi dito, separou as que compunham o Sítio Ponta Quebrada e as vendeu, em 2 de janeiro de 1808, a Manoel de Miranda Santiago, confrontadas principiando "do caminho do Canhoto no lugar Muquem em cima do alto e cortará em busca da ladeira das pedrinhas no caminho que vai para a Ponta Quebrada até topar no rumo que vem da barra do Riacho do Lemeira pelo rumo adiante até o Brejo da Ponta Quebrada e daí cortará pelo rumo direito em busca do Rio Canhoto até topar no caminho que vai para a casa de João Francisco e daí irá pelo caminho que vai para Palmeira a fazer testada no caminho que vem do Canhoto para a Palmeira e voltará pelo caminho adiante até chegar no caminho que vem do Muquem para o Canhoto e voltará pelo caminho em busca do Muquem até chegar onde principiou".

A porção de terras compradas por José das Neves Camelo, com as vendas de trechos e sítios, como temos visto, ficou reduzida ao pequeno território do Sítio do Canhoto, onde sempre residiu o referido proprietário, com a sua família. E adiante teremos oportunidade de voltar às nossas referências sobre o Sítio Canhoto.

Uma parte da Sesmaria dos Vieira de Melo, que não passou à propriedade do Capitão Antônio Vieira de Melo, foi a que tocou à sua irmã dona Arcângela Bezerra, casada com o Capitão Francisco de Sá Peixoto.

Dona Maria Madalena de Sá e Melo, filha e herdeira do casal de dona Arcângela, vendeu, em 13 de agosto de 1777, a Teodózio da Rocha Monteiro, o Sítio Mucambo com as seguintes confrontações "começa a correr do Riacho da Boa Vista até topar com a área da Fazenda do Agreste e pelo mesmo Riacho da Boa Vista abaixo até topar com o Rio de Una onde o dito Riacho da Boa Vista faz barra no dito Rio servindo o dito Riacho de Extrema entre o Sítio Mucambo e Mimoso e do Riacho da Porteira cortará rumo direito ao lugar chamado Caldeirão servindo o Riacho dos Brabos de Extrema entre o Sítio do Mucambo e  a Fazenda Una até onde se acha situado Francisco Dias de Melo e daí não servirá de extrema o dito Riacho dos Brabos e sim cortará rumo direito a buscar o Rio Una gozando o dito Sítio Mucambo até topar com o Sítio do Olho d'Água do defunto Antonio Dias de Melo e toda a mais terra que se achar compreendida nesta forma sobredita".

Em 23 de setembro de 1778, dona Maria Madalena de Sá e Melo vendeu o Sítio Mimoso a Inácio de Godoi Vasconcelos, demarcado do seguinte modo: "para a parte do Mucambo até topar com terras do dito sítio que serve de extrema a Fazenda do Mimoso e a Fazenda do Mucambo o Riacho da Boa Vista até fazer barra no Rio da Una chamada A Onça a para a parte da Fazenda do Agreste até topar com terras pertencentes a dita Fazenda do Agreste e para a parte do Tará até o Mijo da Onça onde faz extrema com a Fazenda do Tará e para a  parte do poente fará onde a barra do Riacho da Boa Vista daí para cima de uma a outra parte do Rio da Una".

Em data que não foi possível constatar, Teobaldo da Costa Soares, casado com dona Francisca Xavier da Cruz Vilela, comprou o Sítio Una, a dona Maria Madalena de Sá e Melo, e em 8 de agosto de 1801, esse casal o vendeu a Antonio dos Santos Gomes, demarcado da maneira seguinte: "pela parte do Poente partindo com terras de Theodózio Monteiro e pela parte do Nascente pela Queimada Grande e para o Sul com o Rio de Una digo pela parte do Norte com o Rio de Una e pelo Sul com terras de Antonio Gonçalves cuja terra que vendida terá duas léguas de comprimento e uma de fundo ficando o comprimento da dita terra do Norte para o Sul".

As terras que compunham o Sítio Barra da Onça ficaram na propriedade do Capitão Antônio Vieira de Melo, e os casais dos seus perfilados e únicos herdeiros, Alexandre Muniz de Melo e Antônio Vieira de Melo, venderam o referido sítio, em 17 de fevereiro de 1779, ao Capitão Manoel da Silva Gueiros, assim demarcada: "principia a correr no comprimento do curral que  fez Theodózio Monteiro pelo rio abaixo meia légua e do dito curral pelo rio acima até a barra do Riacho chamado Onça e a parte e demarca com terras da Fazenda do Mimoso e do dito lugar cortará rumo direito pela serra acima até onde fizer uma légua de fundo acompanhando o mesmo comprimento e toda a mais terá que se achar compreendida dentro das confrontações". (Fonte: História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcanti (foto) / Volume I / Outubro de 1968 / Foi mantida a grafia da época).

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