sexta-feira, 14 de janeiro de 2022

História de Garanhuns


Capitão Francisco Sales Vila Nova e Melo*

Quando a primitiva Igreja da Invocação de Nossa Senhora da Conceição que era edificada em frente ao atual prédio da Filial do Banco do Brasil sita à rua Santo Antônio, antigamente, era de praxe, quando morria uma pessoa ser enterrada ao redor das igrejas pelo que foram ali sepultadas diversas pessoas.

Depois deixaram de enterrar os mortos naquele local passando à servir de cemitério o terreno onde é hoje edificado o bonito prédio com 10 portas de frente, onde funciona atualmente um bilhar e a casa filial da firma Dietiker & Cia.

Em 1891 à Igreja acima mencionada foi demolida e seus tijolos serviram para a construção do cemitério junto ao Parque Municipal, e arrancadas diversas ossadas humanas trasladas para ali.

Em 1899 quando o Senhor Manoel Simão dos Santos Figueira quis se estabelecer, entrou em transação com o Sr. Antonio Maria de Figueiredo, para lhe comprar o sobrado naquele tempo em preto, e hoje propriedade da família Alves Monteiro e onde funciona a loja "Atrativa" da firma Arcelino Matos & Cia Ltda.

O Sr. Figueiredo, arrependeu-se da venda combinada muito contrariou o Sr. Manoel Simão, que aborrecidíssimo comprou o terreno devoluto contíguo ao referido sobrado e antigo cemitério, e que naquele tempo estava cercado e onde aos sábados se guardavam os animais que traziam mercadorias para as feiras.

Sendo ali edificado o bonito prédio mais conhecido por casa Santos da Figueira; quando se cavava os alicerces e se aplanava o dito terreno, foram encontradas diversas ossadas humanas.

Resultado, o Sr. Santos da Figueira tornou-se desafeto do  Sr. Figueiredo (ambos portugueses) dando em resultado um pandego cá da aldeia fazer umas caricaturas do Sr. Figueiredo carregando às costas o sobrado, e outra do Sr. Figueira sobraçando ossadas e caveiras e que foram estampadas na "Lanterna Mágica" editada na capital do Estado e de propriedade do Sr. Távora.

O Sr. Figueiredo cavaqueou este fato!

Onde é hoje situada a estação da Via-Férrea foi antigamente um cemitério dos coléricos e quando na sua construção foram desenterradas muitas ossadas e caveiras. Onde é situado o atual Colégio santa Sofia servia de cemitério até 1891 onde foram sepultadas centenas de cadáveres.

As antigas fontes, do Açude e do Pau Pombo toda vida foram de servidão pública, onde  a população apanhava água para beber, cozinhar, lavar e a pobreza vendia nas casas de  família uma lata de 20 litros por vinte reis e de que se mantinha.

O Coronel Pedro Ivo, adquiriu por compra o terreno onde era situada a nascente do Açude, cujo liquido tem melhor sabor do que a de  Pau Pombo (hoje propriedade do Capitão Tomaz Maia) entendeu aquele de murar a referida Fonte e não consentir que a população apanhasse mais aquele precioso líquido  que descia da Fonte numa bica de madeira a despejar perto do atual açude, prendendo as águas e querendo vende-las.

A prefeitura de então interviu, resultando uma questão com o mesmo, cuja causa foi terminar no Congresso do Estado, decidindo esta casa de legislação, que as fontes citadas eram de servidão pública, como se verificara nos seus anais , isto seguramente de trinta e cinco a quarenta anos passados. 

Infelizmente, o Conselho Municipal de anos atrás, julgando-se acima daquela corporação, fez presente das referidas Fontes a uma empresa particular que passou a vender aquilo que a população tinha de graça a era uma dadiva da Providencia, custando cada lata 20 reis.

Agora, o Município por sua vez comprou a referida empresa e está vendendo a lata por cinquenta reis, apertando mais o nó na garganta da pobreza! Uma lata d'água por 50 reis é uma extorsão por quanto na Capital do Estado um balde d'água que leva trinta litros custa vinte reis.

Em nome da caridade e para bem da pobreza lembramos a Municipalidade fazer chafarizes ao Pé das fontes vendendo a lata a razão de vinte reis, sanando assim a injustiça de se tomar o que por Lei superior pertencia ao povo.

Sempre me bati pela causa dos oprimidos, razão porque clamo e clamarei, embora venha as cair na odiosidade dos poderosos, pois penso que pagando-se pesados impostos, para melhoramentos que vivem o bem coletivo não é admissível  que venham eles servirem de arrocho as classes desfavorecidas.

Se não for atendido, por  quanto a pobreza não tem para quem apelar, servirá este de protesto a injustiça cometida.

Fonte: Almanaque de Garanhuns / 1937  Ano II / Editor: Felix Rui Pereira / Diretor: Ruber van der Linden / Uma publicação da Livraria Helena. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto

Desenho: Ruber van der Linden

Foto: Jornal "A Lanterna" publicou a caricatura do Sr. Figueiredo carregando o sobrado do Vitalino.

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