sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Em conjunto com a criação da Capitania do Ararobá foi, sob a forma de Curato, criada a Freguesia de Santo Antônio do Ararobá, cujo Cura além de exercer o cargo do Vigário da Vara, exceto a região de Tacaratu e a Serra do Comunati, que eram partes integrantes da Freguesia de Nossa Senhora do Ó do Porto da Folha, e ainda a Serra do Ararobá que continuou a fazer parte da Freguesia de Nossa Senhora da Luz, exercia o sacerdócio em todos os demais territórios da Capitania do Ararobá.

Para servir de Matriz da Freguesia, foi com a sua frente para oeste, onde também era iniciada a construção das primeiras casas para formar a Povoação do Ararobá e servirem para as residências das primeiras autoridades que compunham o governo da Capitania, construída uma pequena Igreja, cujos oitões ficavam, de um lado, em frente ao atual edifício do Banco do Brasil e do outro em frente do edifício do Fórum.

Com o povoamento sempre crescente por meio das organizações dos sítios nas redondezas da Povoação iniciada, a mencionada Igreja que, além de pequena tinha sido, provavelmente, construída de taipa, por isto, e mesmo para se tornar mais condizente com a sua categoria, foi reconstruída em alvenaria  com a ampliação suficiente, no ano de 1742.

Tendo, na matriz, sido organizada a Confraria das Almas, já vimos como dona Simôa Gomes de Azevedo, viúva, desde 1729, do tenente-coronel Manoel Ferreira de Azevedo, por cujo inventário lhe coube em meiação, o Sítio do Garcia em terras do qual foi iniciada a povoação do Ararobá e construída a dita Matriz fez, em 15 de maio de 1756, doação àquela Confraria, da quadra de terra ali descrita.

Com a criação da Freguesia de Nossa Senhora das Montanhas, em conjunto com a do Município de Cimbres, em 1762, e instalada no ano seguinte, não somente as denominações da Capitania e da Povoação do Ararobá tiveram estas denominações substituídas, respectivamente, pelas de Julgado de Garanhuns e Povoação de Santo Antônio de Garanhuns, como também a da Freguesia, que passou a de Freguesia de Santo Antônio de Garanhuns.

Leve-se em conta que todo o território, desmembrado da Capitania para fazer parte do Município de Cimbres, continuou a pertencer à Freguesia de Santo Antônio de Garanhuns, até que em 1792 foi desmembrado para compor a Freguesia de São Felix do Buíque.

Pelos finais do ano de 1837, ou princípios de 1838, quando foi criada a Freguesia de Nossa Senhora, do Altinho, foi  desmembrado da Freguesia de Garanhuns, que em meiados do anos de 1800 havia passado da forma de Curato para a de Vicariato, todo o território que, atualmente, compõe os dos Municípios das Panelas, Jurema, Quipapá, Maraial, Agrestina, Cupira, Lagoa dos Gatos, e partes de São Caetano, Caruaru e Catende.

Em 1848, já instalada a Freguesia de Jesus Maria e José do Capacaça, desincorporada de Garanhuns, como todo o atual território do Município do Bom Conselho, onde foi localizada a  sua sede.

Pela lei nº 309, da Assembleia Legislativa Provincial, sancionada por José Bento da Cunha Figueiredo, então Presidente da Província de Pernambuco, foi em 10 de maio de 1853, criada a Freguesia de São Bento da qual é padroeiro o Bom Jesus Pai dos Pobres, com um grande território desmembrado da de Garanhuns.

A Freguesia de Nossa Senhora da Conceição de Correntes foi  criada por lei provincial nº 423 de 27 de maio de 1879, se desincorporando da  Freguesia de Garanhuns, com todo o território que continua compondo o território do Município das Correntes, também criado pela mesma lei. Com a criação da Freguesia de Palmeira (Palmeirina) e a anexação de uma parte do território do distrito de São João, sofreu o território da Freguesia da Santo Antônio de Garanhuns os últimos desmembramentos.

Em 1855, a então Vila de Garanhuns já se compunha de cento e cinquenta e seis casas e, provavelmente, o arruamento já  ultrapassava de muito a antiga Matriz, e a isso atribuímos o motivo da resolução do vigário Padre Nemézio de São João Gualberto, de iniciar a construção de uma nova igreja mais ampla e melhor localizada, o que fez no local onde, atualmente, se ergue a Catedral. O término da referida construção verificou-se no ano de  de 1859, quando para ela foi transferida a categoria de Matriz.

A nova Matriz sofreu uma reconstrução em 1872, graças aos esforços do missionário Frei Caetano de Messina Sobrinho e, em 1906, o então Juiz de Direito, o bacharel Joaquim Maurício Vanderlei, com o apoio do vigário, padre Manoel Pires de Carvalho, promoveu vários melhoramentos em seu estilo, sobretudo na fachada que foi demolida e reconstruída nos moldes atuais. Outros melhoramentos, inclusive a demolição dos oitões e altares, a operosidade do vigário, monsenhor Afonso Antero Pequeno, de coração, pintura e outros ornamentos, proporcionados pelo vigário Cônego Benigno Lira e seus sucessores, se foram processando até chegar ao seu atual estado.

A seguir, damos os nomes de todos os padre que como curas ou vigários, dirigiram a Freguesia de Santo Antônio de Garanhuns, desde a sua fase como Freguesia da Santo Antônio do Ararobá, até o ano de 1922, quando assumiu o seu vigário o padre, depois monsenhor José de Anchieta Callou que, ainda neste ano de 1964, nela se veio mantendo sábia e piedosamente, até o  seu falecimento em 1968.

Curas: Pedro Tavares da Silva Sarmento, de 1700 a 1725, Manoel de Araújo Cavalcanti, até 1754, Francisco Ferreira da Silva, até 1770, Gonçalo Pereira Ribeiro, até 1775, João Alves Pimentel, até 1776, João Saraiva de Araújo, até 1780, Manoel do Espírito Santo Araiva, até 1782, Manoel de Assunção, até 1785, José Lopes da Cunha, e depois Fabiano da Costa Pereira, até 1791. E finalmente João da Silva da Fonseca, que prosseguiu como vigário até julho de 1800.

Vigários: João da Silva Fonseca, de 1800 a 1816, Agostinho de Godoy Vasconcelos e depois Nemézio de São João Gualberto, até 1873, Pedro Pacífico de Barros Bezerra, até 1899,  Manoel Pires de Carvalho, até 1907, Afonso Antero Pequeno, até 1914, Benigno Lira, até 1919, Manoel Castelo Branco, até 1919, Francisco de Luna, até 2 de setembro de 1922, quando assumiu o inesquecível vigário monsenhor José de Anchieta Callou.

Em 2 de agosto de 1928, foi por S. S. Bento XV, criada a Diocese de Garanhuns, sendo instalada no ano seguinte pelo seu  primeiro Bispo Dom João Tavares de Moura, tendo sido elevada à categoria de Catedral, a então  Matriz de Santo Antônio.

Fonte: História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcanti (foto) / Volume I / Garanhuns, Outubro de 1968 / Foi mantida a grafia da época. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

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