quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Byron Urquiza de Santana - Firmo de Santana como era conhecido e assinava todos os seus  trabalhos intelectuais. Aqui nasceu em 1907, e viveu com os olhos fitos às belezas telúricas da terra do Magano altaneiro e nobre. As tardes mornas de verão aquecia o seu espírito no deslumbramento panorâmico. Entre a inspiração das musas aprendeu a conviver com os nossos poetas maiores: Luís Brasil, Gumercindo de Abreu e Arthur Maia, o poeta de maio. Era um homem simples e consciente de suas limitações, e por  isso não perturbava a mediocridade de muitos. Seu  comportamento psicológico era sublime como a sua  alma. Legítimo autodidata. Logo cedo revelou-se amigo das letras. Seus sonetos foram publicados no  "Jornal das Moças" caderno literário que se editava no Rio de Janeiro, antiga capital do Brasil. Disso nunca fez alarde. Fora nosso vizinho à rua 15 de Novembro e certa vez nos deu um exemplar da referida. Lia muito os poetas e clássicos portugueses e nacionais. O tratado de versificação de Olavo Bilac e Guimarães Rosa. Passos era a sua bíblia poética. Muito solicito e atencioso.

Falava pouco, aprimorava a faculdade de escutar. Nunca fora polêmico. Não gostava de opinar senão entre amigos. O silêncio era o seu maior protesto. Respeitava a opinião dos outros, porque achava que os outros tinham um pouco de cada um de nós. Passou algum tempo no Recife. Convidado pelo saudoso José  Custódio, veio integrar à direção da Cooperativa. Depois estabeleceu-se com pequena casa comercial em Brejão e lá viveu muito tempo. Era casado e pai de filhos, o seu lar sempre foi ponto de referência da  tranquilidade de seu Espírito. A brisa política soprou suavemente os seus cabelos e colocou-se na Prefeitura local, onde se manteve e foi um exemplar funcionário. Aposentado por tempo de serviço ocupou a gerência do "Cinema Jardim", onde permaneceu até os seus  últimos dias de atividade de organizador de programa.

Firmo de Santana foi uma integração do parnaso, rimador meticuloso. A beleza da forma não deveria ser sacrificada. Até mesmo em prejuízo da substância do pensamento. Não era poeta porque queria, era uma vocação bem acentuada. Não compunha sonetos quando queria e sim quando a poesia determinava. Acontece que em todas as circunstâncias de sua vida a poesia foi sempre sua companheira leal. Foi sempre colaborador deste Jornal, "O Monitor". Ao nosso ver o mais importante no artista da arte de escrever, e da ciência de produzir mentalmente, é o despertar desse sentimento e mantê-lo vivo nas pessoas que dele são capazes.

Firmo de Santa era um crente nas manifestações Espíritas e lia cuidadosamente as Obras Codificadas. Foi nosso amigo desde os brincos da nossa meninice. Havia entre nós respeito e admiração mútua. Leitor assíduo da nossa coluna. Foi um dos vultos mais autênticos da nossa encantadora cidade centenária.

Byron Urquiza de Santana faleceu em 25 de fevereiro de 1984.

*Dr. José Francisco de Souza / Advogado, jornalista e historiador / Garanhuns, 10 de Março de 1984 / Jornal O Monitor.

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