sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

História de Garanhuns


História da Igreja do Timbó em versos

José Praxedes de Brito

Na era do cativeiro,

Não sei da data e do ano,

No Timbó chegou um negro,

Nas matas vivia morando,

Dizia, venho da Bahia,

Estou por aqui caçando.

Naqueles tempos por aqui,

É interessante falar,

Tudo era mata virgem,

E viviam de caçar,

Foi em uma caçada dessas,

Que o negro foram encontrar.

Quando encontraram o negro,

Foram a ele interrogar,

de onde era que ele vinha,

E ia pra qual lugar?

Ele disse, eu sou baiano

E venho fugindo de lá.

Eu sou um negro cativo,

Não querem me libertar,

Carreguei aquela imagem,

Vejam ela onde está.

Fiz aquela barraquinha,

Para a Virgem Santa guardar.

dali logo se avistava,

Pertinho do mesmo local,

Uma latada de palha,

Aonde a Virgem estava,

Coberta com palha de coco,

De uma formosura ímpar.

A imagem que ele falava,

Ali naquele lugar,

Era a Virgem de Nazaré,

De beleza sem igual,

Trazida por um cativo,

Querendo se libertar.

Os mateiros no momento,

Ficaram todos sem ação,

Por uma beleza rara,

Trazida aquele torrão,

Oh! Virgem de Nazaré,

tende de nós compaixão.

Daí correu a notícia,

Por todo aquele lugar,

Gente de toda parte,

Começou logo a chegar,

Para visitar a Virgem

recém-chegada acolá.

Os donos daquele lugar,

Cheios de satisfação,

Foram logo a Garanhuns

De tudo fizeram menção 

Pela fúria do negro,

De todos era a intenção.

Em Garanhuns havia,

Homens de toda nação,

Tomaram pé na história,

para resolver a questão,

Dá a alforria ao negro,

Esta era a solução.

Quando tudo se espalhou,

Que o negro era cativo

E que andava na mata,

Porque vinha foragido,

Que o resultado disto,

Era de ser perseguido.

Tiveram todo cuidado,

De o negro defender,

Chegaram a autoridade,

Pedindo pra resolver,

Seria como obter.

A liberdade do negro.

Levaram o caso a Bahia,

Terra de São Salvador,

Por meio da autoridade,

Para serem sabedor,

Quem era o dono do negro,

Que ali foi desertor.

De tudo ficou acertado,

A alforria foi comprada,

Aonde a Santa ficou.

Era muito festejada,

E a construção da igreja,

De logo foi projetada.

Os donos daquele lugar,

Se não me falha a memória,

Simeão Correia dos Santos Reis

e José Vitorino de Anchieta

Como conta a história em prosa

E João Sabino da Luz Formosa.

Construída a capelinha,

No tempo da monarquia,

Se festejava a Santa,

Assim o povo queria,

Os festejos de fevereiro,

Naquele tempo se fazia.

Os encarregados locais,

Procurando a freguesia

Falaram ao Sr. Bispo,

Dizendo o que ocorria,

Haver missa mensalmente

Era o que todos queriam.

Juntaram-se os velhos dali,

Sem saber o que faziam,

Procuraram um padre velho,

Dessa mesma freguesia,

Doação do Patrimônio,

Só era o que mereciam.

Nessa mesma ocasião,

Ficou tudo combinado

A doação do terreno

Era o único resultado,

Em derredor da Igreja

Foi o terreno doado.

Passaram a administrar

Os velhos dali de então,

Foram chegando moradores, 

Povoando aquele chão.

Como foreira da santa,

Criando obrigação.

Naquele tempo por aqui,

Havia muito "timbó"

Tudo era mata virgem,

E viviam de caçar,

Cujo nome do cipó

Deu o nome ao lugar.

Passaram-se muitos anos,

Tudo com esta missão

velar pelo patrimônio

Era nossa obrigação,

Preparando nosso espírito

Esperando a salvação.

Garanhuns, 4 de abril de 1981.

Foto: Igreja Nossa Senhora de Nazaré - Comunidade Timbó - Garanhuns. Créditos da foto: http://negrosdotimbo.blogspot.com/

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