sexta-feira, 7 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

SÍTIOS ANTIGOS NA SESMARIA DOS BURGOS

BOM CONSELHO - No local onde, ao tempo de república dos Palmares, existiu o mocambo do negro Capacaça, foi, depois, por herdeiros dos sesmeiros, iniciada a organização de uma fazenda chamada Capacaça, que ficou posteriormente interrompida com a venda de toda sesmaria feita pelo Capitão Jerônimo de Burgos de Souza e Essa, em 26 de julho de 1712, ao coronel Manoel da Cruz Vilela. O dito Coronel, como das outras fazendas do seu latifúndio, prosseguiu na organização da referida fazenda porém falecendo no ano de 1729, ficou por isso suspenso o seu desenvolvimento, e somente depois de ter passado por herança de dona Maria Pereira Gonçalves, viúva do falecido Coronel Manoel da Cruz Vilela, ao seu filho Antônio Anselmo da Cruz Vilela, a partir do ano 1774, sob cuja gestão teve o seu prosseguimento.

Em 12 de janeiro de 1782, Joaquim Antônio da Costa e outros já estavam edificando a capela de Jesus, Maria e José, e daí por diante, a denominação da fazenda foi sendo pouco a pouco substituída pela de Papacaça.

E execução dos ofícios da religião, realizados na capela, e, esta a partir do ano de 1814, sob a direção do padre Antônio de Barros Correia, deu lugar a que se formasse a povoação do Papacaça, que assim já era chamada em 1817, como veremos no intróito de um documento que a seguir passamos a transcrever.

"Anno do Nascimento de Nosso Senhor Jezus Christo de mil oitocentos e dezecete aos vinte dias do mes de novembro do dito anno nesta Povoação do papacaça termo da Villa de Santo Antonio de Garanhuns, da nova comarca do sertão em cazas de aposentadoria do Juiz Ordinario o capitão Francisco de Godoy Vasconcellos... escrivão José Mauricio da Costa."

Em 1833, já a povoação do papacaça era de um distrito de paz do qual eram seus respectivos juizes os cidadãos: José de Barros Correia e Luis Pôrto Vilela, e em 1841 já era criado o distrito policial do papacaça e exercia o cargo de sub-delegado o cidadão Pedro Cavalcanti de Albuquerque.

No ano de 1841, a capela de Jesus, Maria e José, que era filiada à matriz de Santo Antônio de Garanhuns, havia passado à categoria de matriz da sua própria Freguesia, da qual era vigário o Padre João Cardoso.

O cargo de escrivão da sub-delegacia do distrito policial era exercido pelo mesmo escrivão de paz, Luis Pôrto Vilela, que em 1843, servia com o então sub-delegado Marcelino Pereira Guimarães.

O cidadão José de Barros Correia que, foi dito, era o juiz de paz, acumulou o cargo de sub-delegado durante os anos de  1844 a 1846, quando nesse cargo foi substituído por Antônio Dias da Silva que o exerceu até o ano de 1849, quando passou a Antônio Anselmo da Cruz Vilela. Em 1853, o cargo de sub-delegado era exercido por Luiz Carlos da Costa Vilela que, em 1855, foi substituído por Pedro Cavalcanti de Albuquerque, o qual em 1859 o passou a Antônio Anselmo da Cruz Vilela que passou a exercê-la pela segunda vez sendo servido, como todos os seus antecessores, pelo mesmo escrivão Luiz Pôrto Vilela.

Desde anos atrás era vigário da Freguesia, em 1853, o padre João Clemente da Rocha. Nesse mesmo ano datada de "Povoação do Papacaça aos seis dias de abril de mil oito centos e cinquenta e três" os casais: Antônio Anselmo da Cruz Vilela e Rita Juliana da Costa, Inácio Pinto Vilela e Bárbara Soares Vilela, Pascoal Rodrigues de Barros e Maria Barbosa Tavares e Pedro Antônio da Costa e Maria Custódia do Amparo, assinaram em conjunto uma escrita particular de venda e doação de pequenos trechos de terras para a formação do "terreno onde hé formada a Igreja Collegio e muro denominado concelho de Maria que he cito no lado esquerdo da estrada que desse para o mundo novo principiando ao pé da serca que paça ao pé da estrada ao alto sertão", a Diocese de Olinda, representada por frei Caetano de Messina então prefeito do Mosteiro da Penha.

A povoação do Papacaça, por lei número 476 de 30 de abril de 1860, passou à categoria de Vila, com a denominação de Bom Conselho e, em 30 de abril de 1861, no seu próprio distrito desmembrado do Município de Garanhuns, foi instalado o seu Município. Daí em diante, por influência da denominação do Colégio, foi vagarosamente a sua denominação sendo substituída pela de Bom Conselho, até que sendo elevada à categoria de cidade, assim ficou, oficial e definitivamente chamado, o que não ocorreu com a Freguesia que ainda hoje vive sob a sua antiga denominação.

CORRENTES - Parte das terras que  compõem o território do município das Correntes, tocou por herança do casal Manoel da Cruz Vilela e Maria Pereira Gonçalves ao casal de sua filha Francisca Xavier da Cruz Vilela e Manoel Pinto Teixeira. No mesmo. Os sítios na parte que se organizaram, inclusive o de Correntes que, depois de dividido e substituído, se reduziu ao território que ficou compondo em 1807, como propriedade do casal José Correia de Araújo Sampaio e Joana Felícia Freire de Mendonça.

Conforme já o dissemos, todo o esforço e o maior interesse que empregamos, através das demoradas e cuidadosas buscas nos vários arquivos, de nada valeram para constatarmos, como e quando o Sítio Correntes passou à propriedade do casal do sargento-mór Antônio Machado Dias e Leandra Francisca de Almeida, como tudo indica que realmente se passou. Depois desse acontecimento, foram construídas algumas casas na sua sede o que deu lugar à criação do distrito de paz denominado "Cituação do Corrente", do qual em 1833 eram, respectivamente, juiz e escrivão os cidadãos: Inácio Alvares da Costa e João Brasileiro. O número de casas que constituem a "Cituação do Corrente", em 1833, doze anos depois, tinha sido de tal modo aumentado que já formavam a "Povoação do Corrente" sede de distrito policial, com ruas denominadas, como veremos pela demarcação de um trecho de terras denominado Barras do Corrente, vendido, em 4 de fevereiro de 1845, pelo casal de Joaquim Leão Machado Dias e Francisca Xavier da Costa Machado, a Teotônia de Santa Cruz Oliveira, que a seguir vai transcrito na íntegra:

"Pegará dos terrenos vendidos a João Lourenço de Mello na rua de Pernambuco do Norte, e subira de rua asima do mesmo lado athe confrontar a casa de Francisco Xavier de Souza, e dahi decerá pelo oitão do puente da referida casa athe o rio Mundaú, e subira de rio asima athe a barra do Riaxo Salgado, e dahi cortara linha reta para o norte buscando o leste athe sahir no Caminho da Arêa que vem para a Povoação, limites estes das terras que pertencem ao padre José Corrêa, e descera por este caminho abaixo athe chegar as confrontações de João Lourenço de Mello, na rua de Santo Antonio".

Três anos depois, o contínuo crescimento da Povoação do "Corrente" influi os seus homens mais eminentes a elevá-la a categoria de vila e criação do seu têrmo, para o que contaram com  o apoio dos que governaram o de Garanhuns ao qual pertencia o distrito, e assim o conseguiram, formando o seu território não somente com o desmembramento do seu distrito, como também do então distrito e Freguesia do Papacaça, e criando logo os distritos de Poço Comprido e Santana.

Para a composição do seu governo, foi realizada eleição, em 21 de novembro de 1848, na matriz de Santo Antônio de Garanhuns, na qual eleitos vereadores: padre João Clemente da Rocha, José Pinto Teixeira, José Peixoto Soares, Inácio Alves da Costa, João José de Figueiredo, Pedro Paulo Pereira Pinto e José Miranda. Para Juizes de Paz dos Direitos, foram do modo seguinte eleitos: Para o distrito da sede: João de Barros Correia, Teotônio de Santa Cruz de Oliveira, José Praxedes Leite de Veras e Antônio de Santa Cruz de Oliveira, José Praxedes Leite de Veras e Antônio Pinto Correia. Para o distrito e Freguesia do Papacaça: José de Barros Correia, Fermeano Soares Vilela, Antônio Anselmo da Cruz Vilela e José Alves Machado. Para o do Pôço Comprido: José Correia Paes, Manoel José de Goes, José Felix de Brito e Antônio Barbosa Braga, e para o de Santana: Antônio pereira de Carvalho, Joaquim José de Veras, José Alves da Cunha e José Joaquim Ferreira.

A primeira sessão da Câmara dos Vereadores realizou-se em 13 de fevereiro de 1849, que se limitou e dar posse a juizes de paz, a nomeação de Antônio Tomás de Brito, para o cargo de Secretário e Maurício Lopes Lima, para o de Procurador do Município. No dia seguinte, realizou-se a segunda sessão e, entre outras deliberações tomadas, foram nomeados os fiscais e respectivos suplentes dos distritos no seguinte modo: para a sede, Afonso Cavalcanti de Albuquerque e Pedro Celestino de Oliveira Maia, para o distrito de Santana, Francisco Martiniano de Souza e Antônio de Barros Correia e para o do Papacaça, Antônio Gonçalves de Melo. Passando a despachar, foram referidas petições de licença para continuarem com os seus negócios, das seguintes pessoas: João Francisco de Lemos, Domingos de Souza Barros, Joaquim França Vilar, João Lourenço de Melo, Pedro Celestino de Oliveira Maia, José da Silva Amaral, José Joaquim da Costa, Miguel Quirino dos Santos, Joaquim Gomes da Silva, Manoel Timóteo da Silva, Manoel Freire de Revoredo, Manoel Machado Dias, dona Antônia Maria de Figueiredo, João da Costa Medeiros e dona Clara Maria Correia.

Pelo que acabamos de descrever, se verifica que o progresso demonstrado, bem atesta o desejo de uma população de ser governada por si mesma. Entretanto, sem que nos fôsse possível conseguir saber o motivo que anulou todo aquele esfôrço, a Vila do Corrente, depois da segunda sessão realizada pela Câmara, voltou à categoria de povoação, sede do segundo distrito do Município de Garanhuns, como era antes e nessas condições ainda permaneceu, por mais de trinta anos, até que nela foi definitivamente instalada, depois de 3 de outubro de 1882, a sua categoria de Vila da Conceição, como sede do seu Município, criado pela lei número 1423, de 27 de maio de 1879. A Capela de Nossa Senhora da Conceição do Corrente, que  pela mesma lei nº 1.423, tornou-se Matriz da Freguesia, estava sendo construída com a frente do Sul em um pequeno terreno doado por Joaquim José dos Santos, já dispunha de um sino doado por João Alves da Cruz, bem como já se achava pronta a sacristia onde eram celebradas missas, casamentos e batizados. O terreno doado media quatrocentos e vinte palmos para o lado do Sul, seiscentos e quatro para o lado do leste, duzentos e sessenta para o oeste e seiscentos e cinco para o Norte, conforme declarações que, entre outras, fez o administrador do "fabriqueiro" Capitão Raimundo Cândido dos Passos, em 20 de março de 1873, em prestação de contas ao Juiz Municipal de Garanhuns. Em outra prestação de contas feita em 7 de maio de 1879, o mesmo administrador declara que os atos da religião já se realizavam na capela-mór por ter ficado pronta e que o corpo da capela já se achava quase em ponto de receber a coberta.

A última arrematação das rendas municipais do "Corrente", como distrito de Garanhuns, conforme se vê nos livros de atas da respectiva Câmara dos Vereadores, foi feita por Joaquim José de Moraes, afiançado pelo Alfares José Antônio de Moraes, em  3 de outubro de 1881, na importância de duzentos e setenta e dois mil réis.

PALMEIRINA - Em 1826 era falecido José de Souza Silva, casado com dona Francisca de Vasconcelos, proprietários do Sítio da Palmeirina por compra feita a dona Maria Pinto Teixeira, em 8 de julho de 1811, e que, provavelmente, para pagamento de dívidas e despesas com o respectivo inventário, foi a hasta pública uma parte do Sítio (parte esquerda do Riacho das Inhaumas), e arrematada por três dos seus herdeiros: Francisco de Souza Silva, Pedro da Silva Vasconcelos e José Caetano de Moraes, casado com dona Maria Esmera de Souza, e que na  parte que ficou, foi formado a Povoação da Palmeira.

Formada que foi a Povoação da Palmeira passou a sediar o terceiro distrito de Garanhuns, e quando o distrito de Garanhuns, e quando o distrito do Corrente, em 1883, se tornou independente com a instalação do seu Município, o substituiu como segundo distrito. A última arrematação dos municipais da Palmeira, como distrito de Garanhuns foi feita em 1º de novembro de 1889, por Dionizio das Neves Barreto, pela quantia de trezentos e sessenta mil réis, e menos de dois anos depois, foi, por decreto do Governo Estadual de 22 de fevereiro de 1891, desmembrado do Município de Garanhuns e incorporado ao de Canhotinho, como um dos seus distritos e o seu território foi posteriormente dividido com a instalação do distrito do Tipi, criado pelo governo daquele Município.

Graças a influência do seu ilustríssimo filho Desembargador dr. João Paes de Carvalho Barros, a povoação da Palmeira passou à categoria de cidade com a criação do seu Município, em 11 de outubro de 1928, com o seu território composto do seu antigo território, desfalcado do que compôs o distrito do Tipi, porém compensado com o do Tipi, desmembrado do Município de Canhotinho e, ainda, aumentando com o de Angelim, desmembrado do Município de Garanhuns.

O governo revolucionário de 1930, no ano seguinte, transferiu a sede e a denominação do Município para Angelim, que passou à categoria de cidade, enquanto a Palmeira ficou como sede de um dos seus distritos mas, a altivês dos seus habitantes, nunca se acomodando com essa situação, por todos considerada humilhante, por intermédio do seu representante na Assembleia Legislativa do Estado, o bacharel Luiz de França da Costa Lima, obteve a criação definitiva do seu Município, em 31 de dezembro de 1948, ficando a povoação da Plameira elevada novamente à categoria de cidade com a denominação de Palmeirina.

A fertilidade do seu território, embora muito reduzido, aliada a extraordinária operosidade dos seus habitantes, o Município de Palmeirina continua sem interrupção na sua prosperidade.

ANGELIM -  A povoação que é hoje a cidade de Angelim, foi formada em terras do sítio do mesmo nome, então propriedade de Joaquim Salgado de Vasconcelos, e teve início com a criação de uma feira para o que, houve, na sessão de 1º de fevereiro de 1888, na Câmara dos Vereadores do Município de Garanhuns, dissenção e de deliberação a respeito do pedido, em abaixo-assinados, de moradores no "citio Angelim" para a sua criação.

Nesse mesmo ano, como ponto de embarque e desembarque de passageiros e produtos da lavoura e comércio do distrito da Palmeira e do Município do Corrente, a povoação iniciada teve relativo desenvolvimento e tornou-se sede do distrito de Angelim.

Na descrição que fizemos sobre Palmeirina, já dissemos, como e quando a povoação de Angelim passou à cidade como sede do seu próprio Município.

A política desse Município, até este ano de 1964, ainda não deixou de ser dirigida por descendentes do antigo proprietário do  sítio do Angelim, Joaquim Salgado de Vasconcelos, nas pessoas: do seu filho Azarias Salgado de Vasconcelos, dos seus netos Júlio Salgado de Vasconcelos e Miguel Calado Borba e do seu bisneto José Calado Borba, até bem pouco tempo exercendo o cargo de Prefeito do Município.

Fonte: História de Garanhuns / Alfredo Leite Cavalcanti (foto) / Volume I / Garanhuns, Outubro de 1968 / Mantida a grafia da época. Acervo: Memorial Ulisses Viana de Barros Neto.

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