sábado, 22 de janeiro de 2022

História de Garanhuns

Bernardino Ferreira Guimarães - O homem participa do contato social  para evitar as hostilidades. Mesmo sem o respaldo de qualquer conhecimento técnico a sua  orientação define situações. Por força de sua vocação é  sempre tolerante. É um coordenador de princípios que predicam os bons empreendimentos. O seu círculo de ações notifica o seu bom relacionamento. Todo o seu êxito depende de seu próprio valor. Da obediência e respeito mútuos. Logo se apercebe da  fundamental diferença entre persuadir e ordenar. A sua autoridade não se  impõe. É uma consequência  do seu estado de espírito. Não existe condição imperativa, nem coação moral. A prudência domina facilmente todos os meios de  objetivação. Existem várias espécies de se consolidar as coisas. Muitas formas de certezas com relação a natureza humana. No labirinto dessas  variedades o homem sensato está sempre inclinado ao respeito à liberdade. Sabe que os livres movimentos são determinados por uma renovação constante. Por um processo de pensamentos positivos que é o reflexo de ideias marcantes na vida real. É a prova do seu amadurecimento psicológico. Da vida em relação em que o poder do verbo esclarece e revela a existência algo mais sublime. Esse algo que sublima é a origem das ideias. Inquirir a cerca de  suas faculdades, é o mesmo que indagar sobre a  existência da alma e de sua primeira manifestação. A alma e suas ideias,  como o corpo e sua extensão, começam ambos a existir ao mesmo tempo. É matéria ortodoxa para todo crente religioso. Daí o respeito para todas religiões o que  não implica em aceitar nenhuma delas. Todo homem que alcançou a idade da  razão condescende com os  outros. É norma correta de sentir as belezas da vida através do entendimento.

Bernardino Ferreira Guimarães - cidadão português e para aqui chegou em plena mocidade. Viveu sempre como um condestável do comércio. O Armazém das 10 portas era  o seu Empório comercial, cujas atividades se refletiam em toda a nossa cidade. Sortimento fabuloso, na época ia além de nossa imaginação. Tecidos das mais variadas qualidades. Perfumes estrangeiros e nacionais. Como chefe da firma a sua direção era no sentido da ordem. O deslocamento físico de seus auxiliares era um preceito comercial. Todos teriam de se movimentar. Ninguém poderia ficar implantado. O dever de balconista era não se inclinar à inércia. A partir do momento em que  o jovem era admitido como empregado começava a  receber instruções sobre a  maneira de se comportar em toda a linha. Ou seja aprender o "passo comercial". Muitos aprenderam bem a lição.

Abriram-se novas páginas na história da vida de cada um. Era o Armazém das 10 portas um dos maiores centros comerciais de toda essa região. Havia um instrumento mecânico que se movimentava por meios de fios, controle remoto, o balconista enviava a nota de compra e o caixa rapidamente devolvia o troco. Era o chamado "caixeiro elétrico". Aos nossos olhos de menino era a mais importante atração e até para muitos adultos. O gramofone reproduzindo os  sons dos discos da  casa "Edson do Rio de Janeiro" era um delírio acústico para todos nós. O natal tinha um aspecto infantil de  festa de alma e coração aberto. São gratas recordações dos tempos "idos e vividos" que a memória gosta de  nunca mais esquecer. Vive sempre no eterno presente.

Bernardino Ferreira Guimarães - nasceu na terra de Camões. Homem do comércio e da indústria. Dominou ditando normas de vida comercial na terra de Simôa Gomes. Muito bem relacionado e até certo ponto aberto ao  diálogo. participou de quase todos os movimentos sociais do seu tempo. Membro da "Loja Maçônica Mensageiros do Bem", grau mestre 33 e foi várias vezes seu venerável. Homem de visão comercial muito ampla. Foi um exemplo de dignidade e respeito em  todos os seus atos. Jamais ninguém apontou um deslize na sua vida pública ou particular. Casou-se e foi feliz na vida matrimonial. Não tinha filhos contudo adotou como legítima uma  menina que foi educada condignamente. Nós privamos de sua amizade. Não era político, sempre acatou e viveu como representante do poder moderador. Antes da Associação Comercial, pontificava normas e regulamentos. Era o primeiro que abria e cerrava as suas portas. Seus colegas seguiam rigorosamente o seu exemplo. Com os anos as coisas mudaram e os tempos modificaram a mentalidade. Afastou-se do comércio e como por encanto ficou pobre. Pagou amargamente o tributo de ser honesto. Passou a vender apólice de seguro de vida. Para ele todo trabalho é digno. Morreu depois de  tantos anos de vida gloriosa e digna. Era amigo da  nossa encantadora terra. Homem honrado e nobre. Seu corpo foi sepultado no  cemitério local. É um vulto da nossa cidade que merece ser cultuado com respeito.

*Dr. José Francisco de Souza / Grandes Vultos de Garanhuns / Advogado, jornalista e historiador / Dezembro de 1979.

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