quarta-feira, 12 de janeiro de 2022

Histórias antigas do Bairro do Magano

Lamartine Peixoto Melo*

ESCOLAS DE SAMBA

Na década de 1970, um grupo de jovens: Alípio, Canhoteiro, Almeida, Jorge, Cacau, Bino entre outros, criaram a primeira escola de samba "Unidos de Campos Sales", e o mais interessante é que os instrumentos eram confeccionados por eles, artesanalmente. Alguns anos depois, Alípio se desligou do grupo e fundou uma escola de samba "Acadêmicos de Santa Teresinha". Logo depois, Jota fundou a "Império do Samba", enriquecendo os momentos momescos de Garanhuns, com o maior número de escolas de samba do Magano. Eram três escolas com aproximadamente 150 componentes em cada escola.

BOAS E RUINS

Nas décadas de 1970 e 1980, o bairro do Magano vivia momentos lindos e aconchegantes. A animação reinava com a participação da comunidade. Não se via o que hoje vemos, a violência. Por muitos anos o São João e o Carnaval foram comemorados com trios elétricos, conjuntos musicais, não faltava o sanfoneiro com a zabumba e o triângulo. Para lembrarmos da década de 1970, o primeiro São João festejado no Centro Social com o casamento do matuto que ficou na história e o sanfoneiro do próprio bairro, conhecido por Clovis Barbosa. O Arrasta-pé durou a noite inteira.

CARNAVAL DO BAIRRO

Na década de 1980 não faltou o trio elétrico animando os carnavais do bairro, graças ao então prefeito José Inácio, de quem tive a honra de participar do seu governo como chefe de gabinete. Tínhamos as participações das escolas de samba do nosso bairro, regidas por Canhoteiro, Alípio e Jota. As escolas eram: "Unidos do Campos Sales", "Acadêmicos de Santa Teresinha" e a "Império do Samba", respectivamente. Blocos, charangas, caboclinhos e  troças, animavam os momentos momescos. Com o tempo tudo acabava. Adeus São João e Carnaval. Até outras comemorações que eram realizadas no Centro Social, como: Dias das Mães, dos Pais, do Trabalhador, e Natal, também se foram, entrou no listão da cidade do já teve.

RUA DO GRILO

Nos anos 60, existia uma só rua conhecida aqui no bairro como Rua do Grilo, não tinha iluminação pública nem nas casas. No ano de 1962, na gestão do prefeito Aloísio Souto Pinto, as ruas foram iluminadas e tomou o nome de Rua do Triunfo. Daí em diante começa várias construções de casas e abertura de novas ruas, entre elas: Erlon Chaves, Carmem Miranda, Ciro Monteiro e a Rua do Triunfo passou a ser chamada oficialmente de  de Rua Wilson Urquisa. Seguindo-se com a invasão onde hoje temos as ruas: Carlos Gomes, São Luiz, São Pedro, Lamartine Babo, Vicente Celestino e Ascenso Ferreira, ligando com a Capitão Pedro Rodrigues, que divide os bairros do Magano e Brasília. Você sabia que o Bairro da Brasília era a antiga Vila do IPASE?

JOSÉ PEDRO

Tudo que escrevemos com relação a história do Magano, são fatos verídicos, com comprovação se necessário. Vejamos: O Evangelizador Sr. José Pedro, foi convidado para fazer a recomendação do corpo de uma senhora lá no alto do Magano, isto por volta das 20:00 hs. Foi o início da celebração a casa super lotada de amigos e parentes e em dado momento o corpo que se encontrava em cima de uma banca de madeira, escorregou e foi ao solo, nesta ocasião, correu todo mundo que se encontrava na sala, ficando apenas o pobre evangelizador Sr. José Pedro, que com muito trabalho conseguiu levantar o corpo e volta-lo ao banco. Foi interessante, até os familiares deram uma carreira. Este episódio aconteceu na década de 1980.

CONTEMPLAR GARANHUNS

Nos idos de 1888, os intelectuais da época, costumavam visitar a gruta d'água e subirem os tabuleiros em direção ao monte, que de cima avistavam a cidade baixa. Ali, eles achavam um lugar bastante aprazível, aconchegante, alegre e que não deixava de ser travesso, porque os seus habitantes, eram pessoas interessadas pelo desenvolvimento do bairro. Criativas, promoviam momentos festivos e daí, já começavam a batizar de Magano aquele monte. O próprio poeta e professor Arthur Maia, costumava subir o monte para do alto contemplar a cidade baixa.

O MALANDRO NEGO AMARAL

Na década de 1960, o Delegado de Polícia da cidade de Garanhuns era o Capitão Pedro Rodrigues. Na sua administração, ficou determinado que qualquer evento, fosse particular ou público, teria que tirar uma licença na delegacia para o seu livre funcionamento.

No bairro do Magano, exatamente no alto da Rua do Magano, morava um cidadão conhecido por Nego Amaral, ele era viciado no jogo de baralho e costumava promover todo final de semana um forró. Sabendo que necessitava da licença, se dirigiu a delegacia e conseguiu a dita. Só que continuou com a festa animada durante 2 anos. A vizinhança incomodada com a falta de respeito, fez uma denúncia, pois as mulheres participantes do forró, já dançavam peladas. O delegado reuniu os policiais e foram ao local. Bateram na porta que estava fechada e alguém perguntou: Quem é? O delegado respondeu: É a polícia. Foi um corre-corre pelos fundos da casa, ficando apenas o Nego Amaral. O Capitão perguntou : Com que autorização você está promovendo esta festa? E Amaral respondeu: Pois não seu Pedrinho, aqui está e apresentou-lhe uma licença  vencida! E Amaral respondeu: Seu Pedrinho, para mim, uma licença assinada pelo senhor, vale por todo tempo. O delegado nada pode fazer, apenas fechou a casa noturna, e não prendeu o Nego Amaral. São coisas do passado.

MUITO MEDO

No ano de 1971, faleceu um cidadão no Sítio Belamente, aqui bem perto da cidade de Garanhuns. Um vizinho, dono de um caminhão veio com pessoas da família e o ajudante do caminhão, comprar o caixão na funerária. Isto aconteceu a noitinha, estava garoando e feita a compra do caixão, colocaram em cima do caminhão e o ajudante ao lado; seguiram viagem para o sítio, devido a chuva fina, o ajudante entrou dentro do caixão e cobriu para não se molhar. Quando o caminhão chegou no posto de gasolina, parou e apanhou alguns passageiros, todos subiram na carroceria sem saberem que dentro do caixão havia um elemento. Nas imediações do viaduto, que na época não existia ainda, o elemento achou de abrir, colocou o braço fora e perguntou: Já estiou? Nesta ocasião o caminhão em movimento, pularam todos que se encontravam em cima e foi um Deus nos acuda, gente de cara quebrada, braço, perna, outros arranhados. O motorista quanto tomou conhecimento parou o carro e foi socorrer as vítimas. O ajudante por sua vez desapareceu para não morrer. São coisas da vida, não sabemos se foi maldade ou não do comportamento do ajudante. Que aconteceu, aconteceu.

ESSA FOI BOA

Nos anos 80, no período da Semana Santa, existia uma brincadeira entre os jovens aqui no bairro, além da malhação do Judas, faziam também o serra-serra, na partilha dos bens da família escolhida. Em uma destas paradas os jovens partiram para serrar o conhecido Zé Vigia. Foi quando o Zé, armado  com uma espingarda, atirou no meio dos jovens atingindo o bumbum de Ciço Buchada. Logo socorreram Ciço e o levaram para o hospital. O Dr. perguntou: como é o seu nome? E Ciço respondeu: Ciço Buchada. O Dr. disse: Vá pra casa que a buchada está salgada.

PEBA

Nos anos 1950 existia uma determinação da Igreja, que só podia receber a comunhão, pessoas que estivessem em jejum pelo menos 2 horas antes. Aconteceu que um caboclo entrou na fila para receber a Eucaristia e no momento o Padre perguntou-lhe: Não comeu nada? e o caboclo, sim senhor, acabei de comer um Peba. E o Padre, não pode: o caboclo disse, mas seu Vigário, num é melhor colocar Cristo em cima do Peba que o Peba em cima de Cristo? e o Padre ali calou-se.

Fonte: Livro   "História do Magano" Garanhuns - PE / Lamartine Peixoto de Melo / 2008.

Foto: Igreja de Santa Terezinha do Menino Jesus - Magano / Década de 1970.

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