domingo, 16 de janeiro de 2022

Histórias que meu pai contou sobre Garanhuns

Na mesma velha máquina de escrever em que meu pai escrevia sua coluna  para "O Monitor", atrevo-me, também, em enviar para este jornal uma pequena crônica, onde tentarei estabelecer contato afetivo com o povo e com a terra, contando algumas histórias de que meu pai contou.

Minha mãe, de sangue italiano, paulista, descendente da família Lello, com tradição da agricultura da região noroeste do Estado, estava no sexto mês de gravidez, quando, atendendo um pedido do meu pai, embarcou para Garanhuns a fim de que nascesse um filho garanhuense, conforme desejo manifestado por vovô Fausto.

E, assim, a 20 de janeiro de 1962, dia consagrado a São Sebastião vim ao mundo, na Casa de Saúde Santa Terezinha, de propriedade do Dr. Ivaldo Dourado Rodrigues, onde minha mãe teve a assistência do ginecologista Dr. Pompeu Luna. Fui registrado no Cartório  do Registro Civil do tabelião Antônio Miranda de Lima, que meu pai disse-me tratar-se um velho amigo de vovô Fausto.

Aos sessenta dias do meu nascimento meus avós-paternos levaram-me ao Recife, e, com a minha mãe, embarcamos no aeroporto dos Guararapes para esta cidade de São Paulo, onde, com tantos outros pernambucanos, vivo até hoje.

Cumprido o desejo do meu avô e a pernambucanidade do meu pai, sou garanhuense, sem sequer conhecer a minha terra como tanto desejaria. Mas se não a conheço devidamente, tenho-a na lembrança pelas histórias que meu pai contou, e, meu pai, quando fala de Garanhuns, de Pernambuco e do Nordeste, revive seu tempo  com imensa alegria e grande conforto humano!

Fala-me e ao meu irmão Fausto, à minha cunhada Ana Maria, às minhas sobrinhas Flávia e Fernanda, sob o olhar complacente da minha mãe, sobre sua vida de jovem estudante no Ginásio Diocesano, do Padre Adelmar, e do Colégio 15 de Novembro, de mister Swetnam - um norte-americano muito bom, segundo a opinião de meu pai. Através do meu pai fiquei conhecendo personalidades de Garanhuns, como o professor Uzzae Canuto, Dr. Othoniel Gueiros, Deusdedit Maia, Pedro de Souza Lima, deputados Elpídio Branco e Aloísio Pinto,  o jornalista Ulisses Pinto, o advogado José Francisco de Souza e D. Ivonita Alves Guerra.

*André Luiz Souto Maior / Jornal O Monitor / São Paulo, 1985.

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